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Visitar o jardim botânico, um passeio que rende boas lições

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Examinar as funções e características dos jardins botânicos

Ano(s) 
Material necessário 

Reportagem de Veja

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

"A manga malaia é Brasileira como o quê. Foi na sombra da mangueira Que eu quase beijei você. Você tava tão bonita, Mas arisca como o quê."

Os versos de Tom Jobim brincam com a origem da manga, fruto de uma árvore trazida da Ásia, mas tão bem adaptada ao nosso clima que fica difícil crer em outro berço que não o Brasil. O mesmo ocorre com o cajazeiro, a jaqueira e o abacateiro. Quem alguma vez não achou que eram brasileiras? Na verdade, a história da vida de algumas delas entre nós confunde-se com a do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, antigo engenho de cana adquirido por D. João VI em 1808. Ali, o regente mandou plantar as cobiçadas especiarias das Índias e o local passou a chamar-se Jardim de Aclimação. De lá para cá, mudou de nome e de funções algumas vezes e agora passa a abrigar a Escola Nacional de Botânica Tropical. O texto de VEJA traz um pouco dos dois séculos de história desse acervo vivo nacional. Um tesouro para visitar com a turma - na revista ou ao vivo.

Convém você visitar previamente o jardim botânico da região ou uma área de preservação ambiental para estudar a melhor forma de aproveitá-lo num estudo de campo com a turma.

 

É provável que os alunos já tenham ido a jardins botânicos e reservas naturais. Inicie a atividade especulando sobre isso, para ter uma idéia de quanto eles conhecem. Depois, peça que expliquem a função desses lugares. Lazer, cultura, conhecimento e preservação ambiental devem ser as mais mencionadas; pesquisa científica e preservação de patrimônio histórico e cultural talvez nem apareçam no rol.

Em seguida, leia a reportagem de VEJA e destaque os objetivos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro - ensino e pesquisa. Depois, questione: áreas do conhecimento biológico como a Zoologia e a Botânica não estariam fadadas à extinção, dando lugar à Ecologia e, principalmente, à Biotecnologia e à Biologia Molecular, as grandes atrações da Ciência do momento? Com isso você reabre uma longa discussão entre o valor da pesquisa pura (produção de conhecimentos) e o da aplicada (desenvolvimento de tecnologias). Não se esqueça de alimentar esse fogo com os argumentos econômicos, pois o próprio texto de VEJA aponta a Biotecnologia como uma indústria e que objetiva o lucro. Nesse momento, vale a pena ler "Em Busca de Deus" (reportagem de VEJA), que trata do sistema de financiamento de pesquisas nos Estados Unidos e seu papel no desenvolvimento da Genética.

Os jardins botânicos são criados em certos contextos históricos. Encarregue os alunos de pesquisar, com a ajuda do professor de História, as origens dessas instituições. Para nortear os trabalhos, algumas questões devem ser levantadas. Por que as espécies vegetais nativas do Brasil eram levadas à Europa? O que queriam esses "conquistadores" em terras tão distantes? E os naturalistas do século XVIII, o que faziam no Brasil? É importante entender as Ciências Biológicas do século XVIII e da metade do século XIX: o trabalho nessa área do conhecimento ainda era descritivo e enciclopédico, com o objetivo de catalogar e acumular dados. Não foi por acaso que a taxonomia (classificação) e a sistemática evoluíram tanto. Foi nesse contexto que surgiram nossos jardins botânicos.

Programe algumas visitas ao jardim botânico ou a uma área de preservação de sua cidade, mas oriente os alunos para que eles saibam o que observar. Alguns jardins são organizados por famílias de plantas, outros pela reprodução de ecossistemas originais das plantas e outros apresentam verdadeiros projetos paisagísticos, sem uma organização lógica. Deixe como tarefa para os estudantes a descoberta do modo de organização do local visitado.

 

Veja também:

BIBLIOGRAFIA
Imperialismo Ecológico
, Alfred Crosby, Cia. das Letras, tel. (11) 3846-0801

 

Créditos:
Marcos Engelstein
Formação:
Professor de Biologia do Colégio Santa Cruz, de São Paulo
Autor Nova Escola

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