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Villa-Lobos e sua obra

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 
  • Apreciar as obras Bachianas Brasileiras nº 2, Bachianas Brasileiras número 5, peças folclóricas do Guia Prático e os Choros números 1, 5 e 10.
  • Reconhecer a estética composicional de Villa-Lobos, salientando as influências do barroco europeu e da música nacional, por meio da apreciação e da criação musical
Conteúdo(s) 
 

 


 

 
Ano(s) 
Tempo estimado 
Quatro aulas
Material necessário 
Desenvolvimento 
1ª etapa 
Introdução

O texto de BRAVO! sobre o maior compositor erudito do Brasil lembra os 50 anos da morte de Heitor Villa-Lobos e os mistérios que cercam sua vida. Se não faltam dúvidas sobre a trajetória desse carioca, seu talento é uma certeza. Como mostra a revista, sua obra é extensa. Mas o mais importante é que é preciosa, e as festividades em homenagem a Villa-Lobos são uma ótima oportunidade para aproximá-la dos jovens.

Comece com a reprodução da obra Bachianas Brasileiras nº 2, dando ênfase ao último movimento, O Trenzinho do Caipira. Sem dar nenhum dado sobre a obra e seu autor, peça que os alunos respondam por escrito às seguintes questões:

  • Quais instrumentos musicais você consegue perceber?
  • Existe um padrão rítmico constante de notas graves e curtas? Por que o compositor utilizou esse ritmo e qual sua função na música?
  • É possível perceber na obra outros exemplos de sons referenciais (que imitam elementos externos à música)? Em quais instrumentos?
  • O que o compositor mudaria na música se o título fosse O Cavalinho do Caipira? E se fosse o Metrô da Cidade?
  • Você já conhecia a música?
  • Quem é o compositor?
  • Conhece outras obras dele? Quais?

Convide os jovens a compartilhar suas impressões com a turma, retornando à apreciação quando houver necessidade de ilustrar alguma opinião. Observe e complemente os comentários com informações sobre a orquestração da obra e a influência da música sertaneja, ouvida por Villa-Lobos em suas viagens.

Aborde o conceito de música descritiva e proponha a discussão do tema em analogia à obra apreciada: seria O Trenzinho do Caipira uma obra sinfônica descritiva?

Com base na discussão, proponha a seguinte atividade prática. Reunidos em grupos, os alunos devem representar a partida e a chegada de um trem com sons vocais, corporais, ou com instrumentos musicais disponíveis, e apresentar para a classe. Depois, convide os grupos a expandir a proposta para novos sons, modificando o título da obra para O Cavalinho do Caipira, O Metrô da Cidade ou outros criados pelos jovens. Após a apresentação, cada grupo deve justificar suas escolhas sonoras, abordando aspectos como timbre, dinâmica e andamento.
 

2ª etapa 

Faça um panorama geral da vida de Villa-Lobos, destacando as principais composições: Bachianas Brasileiras, Choros, Prole do Bebê e o resgate folclórico com o Guia Prático. Villa-Lobos era um grande admirador da obra de Bach e da música popular brasileira. Nesse momento, vale a pena ilustrar essas influências com algumas obras, como um movimento de um dos Concertos de Brandenburgo, de Bach, um dos chorinhos de Pixinguinha e algumas das belas serestas brasileiras. Em seguida, relacione essas obras com a produção de Villa-Lobos apreciando a ária Cantilena, das Bachianas Brasileiras nº 5. Essa ária possui uma das melodias mais conhecidas da obra de Villa-Lobos e foi inspirada nas serestas brasileiras.

As viagens de Villa-Lobos pelo Brasil proporcionaram também o contato com o folclore infantil de diversas regiões, resultando na publicação do Guia Prático. Escolha e apresente aos alunos algumas canções dessa obra. Em seguida, peça que pesquisem para a aula seguinte uma canção ou parlenda do folclore infantil de sua região.

Se a escola possuir um laboratório de informática à disposição dos alunos, vale a pena convidá-los a visitar o site do Museu Villa-Lobos, onde é possível ler sobre sua biografia e conhecer o panorama político da época do maestro e compositor, por meio da cronologia ilustrada.
 

3ª etapa 

Comece retomando a apreciação de canções do Guia Prático, destacando aspectos significativos do arranjo instrumental e vocal. Em seguida, proponha aos estudantes que, em grupos, escolham uma das canções ou parlendas infantis pesquisadas por eles e realizem um arranjo musical para essa canção, com voz, sons do corpo ou instrumentos musicais. Esse projeto pode se transformar em uma apresentação para os alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental.

Ao término da atividade, peça que cada grupo descreva e justifique por escrito suas escolhas na realização do arranjo. Proporcione um momento para comentários e para o debate com os demais. Filmagens das apresentações finais podem auxiliar nessa auto-avaliação.
 

4ª etapa 

Conte que a aula será dedicada à série Choros. Considerados a parcela mais expressiva da obra de Villa-Lobos, os Choros, assim como as Bachianas Brasileiras, apresentam diversas formações instrumentais, que vão desde o violão e o piano solo a grupos camerísticos e grandes orquestras sinfônicas. Para o conhecimento dessa série, comece com a execução dos Choros nº 1, para violão solo, nº 5, para piano solo, e nº 10, para coro e orquestra.

O nº 1 possui a estética mais tradicional do ciclo. O nº 5 tem o subtítulo de Alma Brasileira e é uma das mais conhecidas partituras para piano do compositor. No nº 10, para coro misto e orquestra, Villa-Lobos utilizou o poema Rasga Coração, de Anacleto de Mediros e Catulo da Paixão Cearense (leia o poema abaixo). No entanto, por causa de um processo por plágio movido por Catulo, teve de substituir o poema por um vocalise (pequenas frases musicais normalmente utilizadas como exercício para o treinamento da voz). Hoje os choros são executados ora com o vocalise, ora com o poema de Catulo, com os devidos direitos pagos à família.

Rasga o Coração
(Anacleto de Medeiros / Catulo da Paixão Cearense)

Se tu queres ver a imensidão do céu e mar
Refletindo a prismatização da luz solar
Rasga o coração
Vem te debruçar
Sobre a vastidão do meu penar
Rasga o que hás de ver
Lá dentro a dor a soluçar
Sob o peso de uma cruz de lágrima a chorar
Anjos a cantar
Preces divinais
Deus a ritmar seus pobres ais
Sorve todo olor
Que anda a recender
Pelas espinhosas florações do meu sofrer
Vê se podes ler nas suas pulsações
As brancas ilusões e o que ele diz no seu gemer
E que não pode a ti dizer nas palpitações
Ouviu brandamente, docemente a palpitar
Casto e purpural .... vesperal
Mais puro que uma cândida vestal
Se tu queres ver a imensidão do céu e mar
Refletindo a prismatização da luz solar
Rasga o coração.

Essa obra também utiliza a canção Macocê-cê-maká, recolhida por Roquete Pinto entre os índios.

 

Durante a apreciação de cada música, solicite que os alunos anotem suas principais características, orientados pelas seguintes questões:

  • Se essa música fosse a trilha de um filme, que tipo de cena poderíamos estar assistindo ao escutá-la?
  • Qual o sentimento despertado pela composição? Que parte ou elemento foi marcante para despertar esse sentimento?

Após a apreciação dos Choros, peça que os alunos façam uma resenha com o objetivo de divulgar um concerto fictício, que apresentará essas três obras em seu programa.

 

Quer saber mais?

Bibliografia
O Coro dos Contrários: a Música em Torno da Semana de 22, José Miguel Wisnik, Livraria e Editora Duas Cidades, tel. (11) 3668-2160
Filmografia
Villa-Lobos, Uma Vida de Paixão, de Zelito Viana, 1999, Rio Filme, tel. (21) 2225-7082

 

 

 

Créditos:
Áudrea da Costa Martins
Formação:
Professora de Arte da EMEF São João Batista, em São Leopoldo, RS, e vencedora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10 em 2009
Autor Nova Escola

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