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Variações climáticas

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 
  • Identificar as origens das alterações climáticas
  • Discutir o impacto destas mudanças na saúde do homem

 

Conteúdo(s) 

Ecologia e Saúde.

Ano(s) 
Tempo estimado 
2 aulas
Material necessário 

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

 

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução 

A discussão sobre as mudanças climáticas está em alta... assim como as temperaturas na Rússia! A reportagem "General Verão", publicada em VEJA, expõe o sofrimento dos russos com o calor exagerado deste ano.

Mas não é só do outro lado do mundo que o clima causa estragos. Basta lembrar as enchentes que recentemente assolaram cidades em Pernambuco e Alagoas, e de outras que corriqueiramente atrapalham o trânsito em São Paulo e que causam transtornos em tantas outras regiões. Aproveite o momento para conversar com seus alunos sobre os impactos das mudanças climáticas, os problemas que o aumento da temperatura traz ao corpo humano e o risco de "racismo ambiental" em que estamos colocando a Terra.

Inicie a aula propondo que a turma leia a reportagem "General Verão", publicada em VEJA Em seguida, pergunte aos alunos o que é uma alteração climática. Se eles disserem que é a variação de temperatura à qual o planeta está sujeito, coloque-os em cheque: em São Paulo, é comum as madrugadas chegarem aos 14ºC, acordarmos com 18ºC e chegarmos aos 27º C na hora do almoço. Isso é alteração climática? Ou é apenas uma variação natural de temperatura?

Explique aos estudantes que, ao longo dos dias e dos meses, as diferentes regiões da Terra passam por variações naturais em suas temperaturas, que não necessariamente são reflexo de mudanças climáticas. A reportagem de VEJA informa, por exemplo, que no Saara a variação ao longo do dia pode chegar aos 60º C.

Relembre com os estudantes, então, as razões para as variações naturais de temperatura, pelas quais passamos todos os anos - se possível, peça a colaboração do professor de Física para isso. Comece recordando que o movimento anual da Terra ao redor do Sol, associado à sua inclinação em relação ao eixo de rotação, origina diferentes incidências de raios nos dois hemisférios terrestres, responsáveis pelas estações do ano (observe com a turma a imagem abaixo). 

Ilustração: Robles/Pingado
Ilustração: Robles/Pingado

Assim, quando é inverno no hemisfério norte estamos no verão no hemisfério sul.

Entendidas as variações naturais, pergunte o que se considera alteração climática. Explique à classe que esse termo traduz as mudanças no clima de uma determinada região ou do planeta como um todo, ocorridas em longos períodos de tempo, influenciadas ou não pela ação humana. Essas alterações são medidas por meio de mudanças nas médias de temperatura, nos padrões de chuvas e ventos etc.

Comente com a classe que não é só a incidência de raios solares que determina a temperatura na Terra. Há ainda o efeito estufa - fundamental ao bem-estar do planeta, mas que anda um pouco desregulado... Como mostra a figura abaixo, com a ação humana despejando milhões de toneladas de gases na atmosfera, o calor retido no planeta aumenta.

Ilustração: Robles/Pingado
Ilustração: Robles/Pingado

Para finalizar, alerte a moçada de que ainda há muita discussão entre os especialistas sobre quanto deste aumento de temperatura vivido nos últimos anos é fruto da industrialização e do abuso dos recursos energéticos e quanto é parte das transformações naturais do planeta. Na Rússia mesmo, o recorde de temperatura anterior havia sido registrado no verão de 1920, antes da Revolução Industrial aumentar o ritmo de emissões de gases de efeito estufa.

2ª etapa 

Comece a aula retomando a discussão anterior e explique que, embora não saibamos de quem é a culpa pelos verões escaldantes na Europa, uma coisa é certa: o calor está matando muita gente. Pergunte à turma quais as principais causas de morte nos países que hoje sofrem com os aumentos de temperatura.

Dê um tempo para que os alunos apresentem suas hipóteses e, em seguida, explique que grande parte das mortes não é de calor, propriamente dito, mas dos efeitos relacionados a este aumento de temperatura repentino - como a diminuição da umidade relativa do ar e o aumento da concentração de partículas poluentes.

Mostre à turma que, com o aumento da temperatura - e, consequentemente, da poluição -, cresce a possibilidade de contrairmos doenças respiratórias. Isso porque, em contato com os poluentes, os cílios e o muco que protegem nossos pulmões tornam-se menos eficientes, facilitando a entrada de micro-organismos.

Médicos dizem que poucos morrerão de calor, mas milhares de doenças cardíacas e respiratórias. A Organização Mundial da Saúde (OMS) sentenciou que a poluição do ar e aquecimento global são os maiores problemas de saúde pública do século 21, causando entre 1,5 e 2 milhões de mortes todos os anos.

Outro problema é a instalação de agentes cancerígenos, muito mais frequente em ambientes poluídos. Pessoas muito expostas à poluição têm menos capacidade de eliminar essas partículas que, acumuladas, causam graves enfermidades. Alerte a turma que, com a variação da temperatura, epidemias antes concentradas nos trópicos e em baixas altitudes - como é o caso da malária e da dengue - invadem outras regiões.

Pergunte à classe, então, se a distribuição destas mortes ocorrerá de forma igual em todo o planeta e em todas as classes sociais. Coloque o tema em debate, fazendo algumas perguntas:

  • O eventual aumento do nível do mar será mais sentido nas ilhas mais pobres ou nas cidades mais ricas?
  • Quem são as pessoas que vivem em regiões de risco - encostas de morros, por exemplo - mais atingidas pelas chuvas?
  • A desertificação do Nordeste aumentará a migração para grandes cidades? Quem serão as pessoas que serão forçadas a emigrar? As cidades têm condições de receber tal contingente?
  • O que significa o termo "racismo ambiental", utilizado atualmente por alguns especialistas?


Ao final da discussão, a turma deve perceber que a população é afetada de maneira desigual. Em geral, quem mais sofre com as alterações climáticas são os mais pobres, que geralmente habitam áreas mais carentes e tem menos condições de reagir aos problemas ambientais graves. São nessas regiões que estão as maiores populações, os automóveis mais poluentes, a vegetação mais escassa, os combustíveis de pior qualidades, a legislação mais frágil...

Avaliação 
Créditos:
Luiz Caldeira Brant
Formação:
Professor de Metodologia do Ensino da Universidade Federal de Santa Maria/UFSM
Autor Nova Escola

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