Aqui você pode pesquisar e adaptar planos já existentes

 


Tecnologia contra a força da natureza

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Examinar o papel das inovações tecnológicas nos sistemas de informação e previsão de eventos naturais e avaliar suas repercussões para a vida no planeta

Conteúdo(s) 
  • Sociedade, tecnologias e meio natural: controle ativo
Ano(s) 
Tempo estimado 
Três aulas de 50 minutos
Material necessário 
Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

No início do século XVII, em pleno Renascimento, o astrônomo, físico e matemático Galileu Galilei precisou comparecer a um tribunal da Inquisição. Acusado de heresia, foi convocado para dar explicações sobre suas observações astronômicas, que corroboravam o sistema heliocêntrico percebido pelo polonês Nicolau Copérnico. Anos antes, o grande cientista italiano, que construiu a primeira luneta astronômica, havia observado fenômenos como as manchas solares, as luas de Júpiter e a composição da Via Láctea. Galilei morreu sem poder afirmar suas convicções científicas, mas, se não fosse esse e outros grandes homens e mulheres de ciência, estaríamos todos ainda mais reféns das forças da natureza. E vários passos atrás na compreensão de suas causas, frequência e possíveis efeitos. É o que mostra a reportagem de VEJA, que destaca diversas catástrofes naturais anunciadas, como erupções vulcânicas, terremotos e os riscos trazidos pelos meteoros e asteróides que bombardeiam a atmosfera do planeta. Com a sistematização do conhecimento científico, em seus vários ramos, esses e outros eventos puderam ser mais bem conhecidos e, se não há como evitá-los, produziu-se o saber necessário para uma melhor preparação para enfrentá-los - considerando que ainda há muito a ser conhecido. Um tema instigante, que interessa a todos e que certamente vai mobilizar seus alunos para o debate.

 

Após a leitura da reportagem, proponha que os alunos se dividam em grupos e escolham temas de sua preferência para pesquisar: abalos sísmicos e vulcanismo, fenômenos atmosféricos e mudanças climáticas (clima e tempo, secas, geadas, inundações etc.), corpos celestes e a mecânica do Sistema Solar, a dinâmica dos oceanos e outros. A ideia é que procurem quais são, basicamente, os sistemas de informação, prevenção e monitoramento disponíveis. Para ajudá-los na tarefa, destaque que as sociedades humanas, em seu longo itinerário, desenvolveram formas variadas de se apropriar da natureza para garantir sua sobrevivência. Assim, gradativamente, caminhamos, conforme o geógrafo Milton Santos (1926-2001), de um meio natural para um meio técnico-científico-informacional. Nesse quadro, e cada vez mais, a ciência e a técnica se tornaram uma força produtiva. Por outro lado, vêm permitindo aos seres humanos conhecerem melhor a si mesmos e ao mundo que os cerca.

Evidentemente, todo esse avanço técnico-científico não eliminou a ação da natureza. Como os seres humanos vêm se posicionando, então? Para Milton Santos, existe um controle ativo e um controle passivo da natureza pelos homens. Explique à moçada que, no primeiro caso, trata-se do efetivo poder e conhecimento para modificar o quadro natural, incorporando-o aos seus sistemas técnicos humanos. Em outras palavras: um uso com intervenção. São inúmeros os exemplos: mudança no regime dos rios, aterros de pântanos e áreas alagadiças (veja-se o caso de Nova Orleans, nos EUA), correção de solos, extração mineral e vegetal, replantio de espécies de plantas e outros. Existem também os usos sem intervenção, que não produzem alterações nos sistemas naturais, como utilizar rios e mares para navegação ou coletar frutos, óleos e essência naturais em florestas sem retirá-las. Essa é uma baliza para avaliar até que ponto as sociedades (com todas as suas diferenças internas) e quais atores promovem usos (irreversíveis ou não) e sob quais propósitos e interesses.

Mostre a seguir as formas de controle passivo criadas pelas sociedades. Com os conhecimentos científicos e tecnológicos, que se renovam a cada dia, elaborou-se um extraordinário conjunto de sistemas de informação sobre a natureza que permite prever e/ou atenuar efeitos negativos. A previsão do tempo, por exemplo, possibilita adequar-se às intempéries ou escolher a melhor estação do ano para o plantio. Possibilita também organizar espaços no caso de cataclismos, como furacões e ciclones, ou estocar água e alimentos nos períodos de maior rigor climático. Os sistemas de mapeamento e produção de imagens de satélites têm usos e claras repercussões em áreas variadas, como a aviação, controle ambiental ou de fronteiras, monitoramento do movimento das massas de ar, mudanças térmicas na superfície e outros tantos.

Áreas do saber como a sismologia e a vulcanologia também avançaram muito. Como mostra VEJA, a teoria da tectônica de placas, datada de meados do século XX, foi fundamental para se conhecer melhor a ocorrência, frequência e magnitude dos abalos. Redes de sensores e sismógrafos (preparados para os terremotos, de modo a registrá-los com exatidão) estão hoje espalhadas por toda a superfície terrestre, no Alasca, na África, na Europa ou nas ilhas oceânicas como o Havaí. Eles são capazes de prever tremores de terra e o avanço dos agora famosos tsunamis, como o ocorrido no Oceano Índico em 2004. Foi com base nesse saber que houve avanços na construção civil, com prédios e estruturas inteligentes e flexíveis, com reforço dos suportes e amortecedores, como no exemplo do Japão. Embora os efeitos dos tremores e de erupções vulcânicas sejam rápidos, diversos países e cidades contam com planos de emergência para retirada e apoio às populações.

Trata-se, portanto, de reconhecer que nosso planeta possui instabilidades associadas ao seu processo de formação, ainda em curso, e de desenvolver técnicas, mecanismos e procedimentos para evitar mortes e prejuízos. Certamente, os habitantes da Califórnia não vão esperar sentados o Big One, o mítico abalo que pode acometer a região.

Para seus alunos

Ilustração: Beto Uechi/Pingado
Ilustração: Beto Uechi/Pingado

De um lado para outro: as placas tectônicas se movimentam e o entrechoque delas provoca os terremotos. As regiões próximas às zonas de atrito são as que mais sofrem. Não é coincidência que essas áreas abriguem a maioria dos vulcões ativos no planeta.

2ª etapa 

Mostre aos estudantes também alguns avanços importantes no campo da Astronomia. Nos últimos anos, uma formidável família de telescópios e sondas espaciais vem permitindo saber mais sobre a explosão de estrelas, o sistema solar e os planetas vizinhos. A sonda Mars, por exemplo, com filtros e lentes de alta definição, posicionada na órbita de Marte, fez a varredura da superfície do planeta, enviando por ondas de rádio as imagens à Terra. Observatórios com telescópios de última geração e laboratórios estudam e monitoram diariamente o movimento de asteróides e meteoros que rondam a atmosfera terrestre. A partir de análises mineralógicas, já foi também produzido o mapeamento de pontos da superfície terrestre atingidos por esses corpos celestes.

Proponha a apresentação e discussão dos trabalhos pelos grupos e, em seguida, sugira uma dissertação individual sobre o tema, que se inscreve no quadro das relações natureza-sociedade. Eles poderão discorrer sobre a valorização desses conhecimentos e sua apropriação social e até que ponto eles são encarados como prioridade para garantir o bem-estar dos seres humanos e da vida em geral no planeta.

 

Quer saber mais?

INTERNET
As edições de março/2007 e agosto/2008 da revista National Geographic Brasil trazem, respectivamente, reportagens sobre as estrelas supernovas, asteróides e meteoros.
Página da Nasa sobre Marte (em inglês)
Informações sobre abalos sísmicos e astronomia podem ser obtidas também em http://ciencia.hsw.uol.com.br
Sobre climas e previsão do tempo, consulte o portal do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais- INPE

 

Créditos:
Roberto Giansanti
Formação:
Autor de livros didáticos
Autor Nova Escola

COMPARTILHAR

Alguma dúvida? Clique aqui.