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Sexualidade feminina: convide a garotada a quebrar tabus

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Discutir o tratamento dado à sexualidade feminina em nossa cultura.

Ano(s) 
Material necessário 

Reportagem da Veja:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução
A invenção da pílula anticoncepcional e a irrupção do movimento de liberação feminista e homossexual foram decisivas para que a vida das mulheres deixasse de se ligar essencialmente à reprodução. Falar de sexo, no entanto, não parece significar que elas estão mais sabidas em relação ao assunto. Ao contrário, continuam surdas às informações e mudas quanto às dúvidas e medos que sentem. E o que é pior, aponta o texto de VEJA: não encontram espaço para diálogo sobre tais questões nem mesmo com seus ginecologistas. Talvez por isso desperte tanta atenção a postura liberal da personagem de quadrinhos Radical Chic ¿ curiosamente criada por um homem, o cartunista Miguel Paiva. A proposta desta aula é examinar e debater a sexualidade feminina.

 

Leia o texto com a turma e enumere os principais resultados da pesquisa apresentada por VEJA. O texto oferece um bom mote para abordar as repercussões das mensagens transmitidas pela mídia, pela família e pelas demais instituições da sociedade (entre elas, a medicina).

Ao discutir, tenha sempre na lembrança que a sexualidade envolve valores morais, costumes, atitudes, preconceitos, tabus e idéias que desencadeiam muitas vezes comportamentos repressores, interrompendo uma vida prazerosa e saudável e impedindo o livre desenvolvimento do ser humano.

A análise deve manter-se circunscrita ao âmbito pedagógico e coletivo. Assim, evite que a conversa resvale para um caráter de aconselhamento individual ou de constrangimento. A abordagem deve pairar sobre aspectos no plano geral e não particular. Isso significa informar sobre o tema e debatê-lo, buscando não a isenção total, o que é impossível, mas um maior distanciamento de suas opiniões e aspectos pessoais. Procure apenas preencher lacunas nas informações que os adolescentes já possuem e criar a possibilidade de formar juízo a respeito do que lhes é ou foi apresentado.

2ª etapa 

Forme grupos de 4 ou 5 membros e distribua uma folha de papel para cada estudante, além de algumas revistas e um tubo de cola para toda a equipe. Explique que, inicialmente, todos devem fazer colagens ¿ utilizando imagens retiradas das revistas ¿ sobre o que entendem por corpo erótico masculino.

À medida que terminarem, solicite que repitam o procedimento, agora pensando no corpo erótico feminino. Quando todos finalizarem, peça que montem uma exposição com os trabalhos. Estimule quem quiser comentar as próprias criações.

Essa atividade tem por objetivo discutir o que é o desejo, o prazer sexual feminino e masculino, a excitação, o orgasmo ¿ e esclarecer que as necessidades sexuais são iguais tanto para os homens quanto para as mulheres. Dados sobre os mecanismos do desejo, da excitação e do orgasmo podem diminuir a insegurança e o constrangimento dos jovens uma vez que o pouco espaço de discussão que existe sobre esse tema dá margem a fantasias em relação ao desempenho sexual. Procure trabalhar a compreensão de que vida sexual ativa não significa necessariamente o coito, a penetração. Diga que há muitas outras formas de contato, intimidade e prazer. Leve essa discussão de forma mais aberta e descontraída possível, mesmo que eles riam e façam piadas. Isso é pura defesa frente às novas informações.

Coloque algumas questões para incrementar o debate: O que é desejo? Homens e mulheres sentem desejo? Há diferenças? Como sabemos que um homem está excitado? E uma mulher? Como os homens se excitam? E as mulheres? O que é prazer? O que é orgasmo? O que acontece no orgasmo masculino? E no feminino? Orgasmo e prazer sexual são a mesma coisa? Qual é a importância do afeto em uma relação sexual? É diferente quando se transa com alguém que se ama? O que é mais gostoso, quando há envolvimento afetivo ou quando ele não existe?

Discuta os diferentes resultados apresentados, salientando que homens e mulheres têm um corpo erótico e que nele as partes que mais excitam variam de pessoa para pessoa. Depois fale da importância do carinho numa relação sexual e, por fim, reforce a necessidade de prevenção, recomendando o uso da camisinha.

3ª etapa 

Ao final, proponha uma pesquisa sobre as diferenças entre as gerações com relação à sexualidade ¿ como somos e nos comportamos hoje em relação a esse tema e como ele era tratado no passado. Há momentos marcantes na história da sexualidade, como a divulgação, na década de 1970, do polêmico Relatório Hite, por exemplo. Seria interessante verificar, depois da pesquisa, quais aspectos ainda se mantêm presentes e como podem influenciar as concepções da área médica.

Para saber mais

Para a maior parte das mulheres, a maneira como se constrói a idéia de feminilidade e sua condição real de vida está extremamente centralizada na família. Desde crianças, elas descobrem que precisam agir como "boas meninas" para ser amadas e isso significa não falar sobre sexo, agradar aos outros, ser obedientes, só admitir sexo com amor. Aprendem também que devem ser "boas mulheres": precisam agradar os parceiros, se quiserem conservá-los. Juntando o silêncio sobre a sexualidade feminina ao despreparo dos homens em relação à própria sexualidade, os resultados da pesquisa com os ginecologistas não surpreendem. Ela apenas reflete o tratamento dado à sexualidade na nossa cultura.

É interessante observar que, de modo geral, existe muito material disponível para as escolas trabalhar em educação sexual com os alunos. Porém, na maioria dessas peças, a abordagem é a da prevenção contra doenças sexalmente transmissíveis ¿ em especial a Aids ¿ e planejamento familiar. Estamos oferecendo remédios para a sexualidade: é mais fácil inventá-los a fim de facilitar o orgasmo do que trabalhar a afetividade, um elemento intrínseco ao prazer sexual. Falar de prazer e dos sentimentos que envolvem ou podem envolver uma relação é assunto por demais privado para ser discutido em sala de aula.

A sexualidade é um componente fundamental na estruturação da identidade de mulheres e homens, relacionando-se sobretudo com os significados constituídos como eróticos nas sociedades. Por exemplo, constata-se ser quase universal a representação da sexualidade masculina como impulsiva e incontrolável, decorrente de um sistema biológico específico. Seus feitos devem ser compartilhados com os grupos de pares e os aspectos negativos, geralmente escamoteados. Sob esse ponto de vista, ser viril e manter relações heterossexuais como rito de passagem para o mundo adulto são prescrições marcantes para os rapazes. Ao contrário, as mulheres devem esconder seu desejo. Ainda hoje, muitos meninos discriminam as garotas mais liberais.

Crescemos acreditando nessas idéias como verdades imutáveis, geneticamente determinadas. No entanto, tais prescrições são fonte de dúvida e ansiedade para as mulheres e também para os homens acerca da normalidade de seu corpo. Nos meninos, a grande preocupação centra-se no pênis, símbolo da virilidade, responsável por um drama permanente quanto ao tamanho do órgão sexual. Para as mulheres, sobressaem-se as dúvidas sobre o orgasmo, os aspectos morais de seu comportamento, a forma de agradar ao parceiro etc.

Todos esses padrões de práticas e estereótipos são construídos socialmente. Assim, devem ser compreendidos e, ao mesmo tempo, modificados. Um exemplo nessa direção é de que a primeira experiência sexual dos meninos costumava ocorrer num cenário que não envolvia, necessariamente, relacionamentos afetivos ¿ apenas profissionais do sexo. Pode-se dizer que ainda persiste entre os jovens a idéia de que é necessário desenvolver as técnicas do ato sexual, treinar, aprimorar-se para, então, ter um bom desempenho em relações emocionalmente significativas. Porém, as gerações mais jovens têm mudado esse panorama em relacionamentos afetivos.

 

Veja também:

BIBLIOGRAFIA
Sexualidade, o Olhar das Ciências Sociais
, M.L. Heilborn, Ed. Jorge Zahar, tel. (21) 2240-0226

INTERNET 
Ecos

 

Créditos:
Sandra Unbehaum
Formação:
Professora da Fundação Carlos Chagas, de São Paulo
Autor Nova Escola

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