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Sabor e requinte

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Acompanhar a difusão do chá no mercado mundial 

Conteúdo(s) 

 

Ano(s) 
Tempo estimado 
2 aulas
Material necessário 

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução 

Se a moçada não tomou chá em criança, está na hora de começar. Um bom estímulo para isso é a reportagem sobre o ressurgimento dessa bebida, que conquista paladares cada vez mais diversificados, em todas as camadas sociais, graças a seus novos sabores e efeitos especiais. Use o texto de VEJA como base para mostrar a importância cultural e econômica do chá em vários momentos da história moderna e contemporânea. A turma vai perceber como essa infusão originalmente destinada aos imperadores da China ¿ símbolo de requinte e educação esmerada em muitos países ¿, transportada para o Ocidente em lendários veleiros, os "clíperes do chá", se associou a rebeliões e guerras.

Pergunte aos jovens se eles conhecem a expressão "Ele tomou chá em criança". Ela significa que determinada pessoa teve uma educação familiar esmerada ¿ um indício dos laços entre o consumo do produto e os setores sociais mais elevados. Com o tempo, a bebida democratizou-se, ganhando presença obrigatória nas mesas das famílias operárias britânicas. Hoje, como informa VEJA, o chá conquista os mais diversos paladares ¿ das top models aos executivos.

Solicite uma pesquisa sobre as principais regiões produtoras de chá. Os estudantes vão perceber que a China, embora seja um dos países líderes na produção, é mais conhecida por seus blends (misturas). A Índia, por sua vez, responde por 30% dos chás do planeta. As regiões indianas de Assam e Darjeeling produzem chás pretos listados entre os melhores do mundo. No estado de Assam, que se estende do sul do Himalaia até Bangladesh, a planta é cultivada ao nível do mar, enquanto na região de Darjeeling, situada no estado de Bengala Ocidental, as plantações ocupam as terras altas.

O Sri Lanka também é um grande produtor, conhecido por suas variedades com leveza e sabor acentuados. Finalmente, a Indonésia produz chás de fragrância suave, usados em blends.

 

Produto de exportação: colheita das folhas de chá. Foto: Macduff Everton/CORBIS/latinstock
Produto de exportação: colheita das 
folhas de chá nas colinas 
de Darjeeling (Índia). 
Foto: Macduff Everton/CORBIS/
latinstock

 

2ª etapa 

Proponha pesquisas sobre a origem e difusão mundial do produto. Os estudantes vão descobrir que existem várias lendas em torno da surgimento do chá. Uma delas conta que, no ano 2737 a.C., o mítico imperador Shen Nung descansava sob uma árvore quando algumas folhas caíram em uma vasilha de água que seus servos ferviam para beber. Atraído pelo aroma, Shen Nung provou o líquido e adorou. Nascia aí o chá.


Essa lenda constitui a primeira referência à infusão das folhas de chá verde, provenientes da planta Camellia sinensis, originária do sul da China e da região de Assam.

No início do século IX, monges japoneses levaram algumas sementes da China e introduziram nas ilhas a cultura do chá. O produto tornou-se protagonista da "cerimônia do chá", complexa e de múltiplos significados.

No século XVI, as folhas aromáticas atraíram os comerciantes portugueses, os primeiros a estabelecer relações marítimas com o Oriente, e, no século seguinte, os holandeses, que se apoderaram de boa parte da Ásia portuguesa. Isso evidencia que a difusão do produto acompanhou a expansão ocidental na Idade Moderna, iniciada com as Grandes Navegações.

A partir do século XIX, na Inglaterra, o chá tornou-se muito popular. O culto à bebida estendeu-se aos países com forte influência inglesa, como Estados Unidos, Austrália e Canadá, ajudando a transformá-la, ao lado do café, em uma das mais consumidas em todo o mundo.

3ª etapa 

Acompanhe com os alunos como o chá aparece em vários momentos históricos importantes. Um deles, citado na revista, ficou conhecido como "Festa do Chá de Boston" (Boston Tea Party) e foi decisivo para o processo de independência dos Estados Unidos da América. A "festa" se deu no dia 16 de dezembro de 1773. Comerciantes americanos que se sentiam prejudicados com os altos impostos sobre o produto disfarçaram-se de índios, assaltaram os navios ingleses no porto de Boston e lançaram o carregamento da mercadoria ao mar.


Outro acontecimento relevante foi a primeira Guerra do Ópio entre China e Inglaterra. Encomende uma busca de informações sobre o conflito, ocorrido entre 1839 e 1842. Para orientar a atividade, conte que naquele período o Reino Unido, em processo de industrialização, precisava cada vez mais de matérias-primas a baixos preços e mercados consumidores para seus produtos. Essa necessidade traduzia-se numa pressão constante sobre os chineses, que mantinham fortes restrições ao comércio exterior. A cidade de Cantão era, na ocasião, o único porto aberto aos estrangeiros.

 

Luta desigual: o vapor Nemesis ataca juncos chineses na primeira Guerra do Ópio. Foto:Hulton-Deutsch Collection/CORBIS/latinstock
Luta desigual: o vapor Nemesis ataca juncos chineses 
na primeira Guerra do Ópio. Foto:Hulton-Deutsch 
Collection/CORBIS/latinstock

 

Se os britânicos consumiam quantidades sempre maiores do chá cultivado na China, esse país, produtor de seda, porcelana e chá, não mostrava interesse nos produtos europeus, o que desequilibrava a balança comercial. Apenas um produto parecia despertar a avidez dos chineses: o ópio, uma substância entorpecente, extraída da papoula, que causa dependência química em seus usuários. Produzido na Índia, e também em partes do Império Otomano, o ópio foi introduzido fraudulentamente na China por comerciantes ingleses e norte-americanos, com o apoio de autoridades européias. A destruição de milhares de caixas do entorpecente em depósitos britânicos pelo governo chinês serviu de pretexto para a primeira Guerra do Ópio, na qual a armada britânica afundou boa parte dos obsoletos juncos da frota imperial. Pelo tratado de paz de 1842, a China abriu diversos portos ao comércio britânico, cedeu por 100 anos a ilha de Hong Kong ao Reino Unido e desistiu de reprimir o contrabando da droga. Na segunda Guerra do Ópio (1856-1860), franceses e britânicos esmagaram os chineses e obtiveram novas concessões.

 

Cutty Sark: construído em 1869, o último clíper do chá repousa num museu londrino. Foto: Hulton Archive/Getty Images
Cutty Sark: construído em 1869, o último clíper do chá 
repousa num museu londrino. 
Foto: Hulton Archive/Getty Images

 

Peça que a garotada investigue os "clíperes do chá", veleiros esguios, graciosos e velozes, capazes de transportar produtos da China à Inglaterra em pouco mais de 100 dias. Surgiram no apagar das luzes da navegação à vela e permanecem como um símbolo de beleza nos mares.

 

 

Créditos:
Ricardo Barros
Formação:
Professor de História do Colégio Paulista, de São Paulo
Autor Nova Escola

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