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Rio+20 em debate

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

- Analisar problemas de natureza socioambiental.
- Conhecer princípios e proposições sobre meio ambiente e desenvolvimento sustentável.
- Compreender o conceito de desenvolvimento sustentável e avaliar os desafios para sua implementação.
- Estabelecer relações entre proteção ao meio ambiente, erradicação da pobreza e promoção do desenvolvimento econômico-social.
- Saber utilizar a leitura, a produção de textos e a oralidade para discutir fatos e fenômenos socioambientais.

Conteúdo(s) 

- Conferências das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento.
- Desenvolvimento sustentável.
- Biodiversidade.
- Mudanças climáticas e aquecimento global.
- Pobreza e meio ambiente.
- Economia verde.
- Produção, consumo e exploração de recursos naturais.

Ano(s) 
Tempo estimado 
Oito aulas.
Material necessário 

- Papel sulfite, lápis, borracha, cartolina ou papel kraft e canetinhas.
- Material de pesquisa: livros, revistas, textos e vídeos (ver sugestões ao longo do texto e no quadro ao final desta sequência didática) e computador com acesso à internet - verificar a possibilidade de utilizar o laboratório de informática da escola, se presente.
Atenção: desde o início do trabalho, recomende aos estudantes que reutilizem papeis como rascunhos e reaproveitem materiais escolares sempre que possível. É importante que todos os resíduos da produção dos alunos sejam descartados corretamente e encaminhados para a coleta seletiva de lixo, se disponível no seu município.

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução 
Há duas décadas, ocorria a Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento, conhecida como Rio92 ou Eco92, na cidade do Rio de Janeiro. Passados vinte anos, está prevista para junho de 2012 a realização da Rio+20 - Conferência das Nações Unidas em Desenvolvimento Sustentável. O evento é uma boa oportunidade para fazer balanços e apontar rumos e perspectivas para o futuro do planeta. Estarão em pauta as práticas sustentáveis e o enfrentamento de importantes questões socioambientais em diferentes escalas geográficas. Como preparação, já estão ocorrendo inúmeras reuniões setoriais entre ativistas, representantes do poder público, empresas, pesquisadores e demais interessados. A proximidade da conferência também suscita debates dentro das escolas - eis o objetivo deste plano de aula, sem a pretensão de esgotar todos os temas envolvidos.

Nas três primeiras aulas, promova rodas de conversa para verificar o que os estudantes já sabem sobre a Rio+20 e as principais questões que estarão em pauta na conferência. Fique atento às colocações e registre as falas na lousa. Nas próximas etapas, essas informações servirão como guia para pesquisas e debates e para verificar hipóteses levantadas pela turma. Ao final dessas rodadas, peça que os alunos se dividam em grupos e façam um levantamento sobre a conferência Rio 92 e a leitura de documentos relacionados ao evento. Entre eles, estão a Declaração de Princípios, a Agenda 21 e materiais sobre florestas, mudanças climáticas e diversidade biológica, disponíveis na página da Organização das Nações Unidas (ONU). Se for necessário, proponha que os grupos dividam entre si temas e textos para pesquisa. 

Na discussão coletiva dos levantamentos feitos pelos grupos, faça-os notar que a Declaração de Princípios sinaliza a necessidade de cooperação entre os países, por meio de parcerias para a proteção do meio ambiente, e da priorização das necessidades dos países ditos em desenvolvimento - como veremos adiante, relações assimétricas entre povos e nações têm sito um obstáculo ao alcance das metas. O documento reforça ainda o papel das mulheres e das populações tradicionais na gestão ambiental e no desenvolvimento sustentável.

A Agenda 21, por sua vez, é um documento-chave para formular programas de ação referentes a um grande conjunto de temas, como cooperação internacional, combate ao desmatamento, manejo de recursos hídricos, ecossistemas frágeis, resíduos perigosos e formação de arranjos institucionais capazes de dar respostas rápidas às demandas socioambientais. A ideia é que cada país adapte sua legislação e seu arcabouço político-institucional aos novos desafios, criando sua própria agenda.

Os demais documentos estabelecem princípios e critérios específicos, como ganhar eficiência energética, buscar fontes de energia limpas e alternativas, criar unidades de conservação, reorganizar as práticas agrícolas para conter o desmatamento e reduzir emissões de gases de efeito-estufa. Se necessário, trabalhe estudos de caso com a turma.
Proponha, a elaboração de quadros-síntese sobre os temas abordados, usando cartolina. É essencial que os estudantes compreendam a concepção de desenvolvimento sustentável, elaborada em 1987 no relatório Nosso Futuro Comum, também conhecido como Relatório Brundtland, e consolidada nos documentos da Rio92. O nome do documento remete à  Gro Harlem Brundtland, que chefiou a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento para estudar as questões ambientais.

Existem documentos recentes da ONU que também enfatizam os pilares do desenvolvimento sustentável: o econômico, o social e o ambiental, com a ideia central de utilizar os recursos de forma a garanti-los para as gerações futuras. Leve em conta que há diferentes formas de apropriação desse objetivo central pelos atores sociais, uma expressão de interesses e pontos de vista distintos. Para solucionar questões conceituais, é possível usar como referência o texto do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) intitulado Vocabulário básico de recursos naturais e meio ambiente.

2ª etapa 

Reserve de três a quatro aulas para aprofundar as discussões a respeito das expectativas para a conferência Rio+20. Proponha que os alunos, novamente organizados em pequenos grupos, que façam a leitura das reportagens O que esperar da Rio+20  e Rio+20 deve focar nos limites do planeta. Outra leitura interessante é aentrevista de Achim Steiner, diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Peça que os grupos destaquem os principais aspectos dos textos e socializem suas impressões em uma roda de conversa. Nesse debate, considere que o documento-base da ONU para a conferência Rio+20, chamado O futuro que queremos, reafirma princípios e programas de ação da Rio92 e aborda a construção de uma economia verde e o fortalecimento institucional - incluindo a participação efetiva dos cidadãos - a partir dos três pilares do desenvolvimento sustentável. Se julgar necessário, separe trechos desse documento para que os alunos leiam e façam explanações sobre eles.

Considere ainda que o documento oficial tem recebido críticas. Entre elas, a de não focalizar os limites e as capacidades naturais do planeta, diante da escalada da produção e do consumo de bens, e as principais questões ambientais propriamente ditas. Especialistas apontam em seus depoimentos que estarão presentes na conferência não apenas temas sugeridos no documento, como aquecimento global, mudanças climáticas, biodiversidade e economia verde, mas também assuntos como energia e cidades sustentáveis.

Diga aos alunos que eles podem pesquisar informações adicionais em documentos como o Protocolo de Quioto, que estabelece prazos e metas obrigatórias para a redução de gases de efeito-estufa. Nesse sentido, comente que a não adesão dos Estados Unidos diminuiu em muito o alcance do acordo. Hoje, discute-se a prorrogação do protocolo, ainda que com forte resistência dos estadunidenses e também do Japão, da Rússia e da Austrália. Contudo, isso não impede que outros países desenvolvam formas de atenuar o uso intensivo de combustíveis fósseis e invistam em fontes alternativas de energia, como já ocorre no Brasil, na China, na Europa ocidental e em países africanos como o Quênia.

Já para abordar a questão da economia verde, que pressupõe baixa emissão de carbono, investimentos em tecnologias de diferentes ramos e setores, da produção ao consumo, eficiência no uso de recursos e inclusão social, proponha a leitura e o debate do texto Rio+20: Mudanças climáticas, biodiversidade e crescimento verde.

Para finalizar, esclareça que a erradicação da pobreza não está desvinculada de todas essas questões. O enfrentamento das grandes desigualdades sociais depende de políticas públicas de transferência de renda e investimentos em infraestruturas e serviços que promovam o bem-estar social (saneamento básico, saúde, educação, habitação, entre outros). E estímulos para criar empregos ditos "verdes" podem se constituir em alternativas de geração de renda. Há muitas experiências em curso, como obras para melhor gerir a água na agricultura em áreas afetadas por longas estiagens, créditos e assistência técnica para a agricultura familiar e construção de habitações que permitam remover famílias de áreas de risco. É fato que a população de baixa renda é a mais atingida por extremos climáticos e pelo uso e ocupação inadequados do solo. As proposições e os dados discutidos podem ser dispostos pelos alunos em cartolinas, formando novos quadros-síntese.

3ª etapa 

Sugira aos alunos que, em grupos, elaborem painéis ilustrados sobre as aulas anteriores, com textos explicativos, imagens, mapas, gráficos e outros elementos. O resultado pode ser debatido entre todos os integrantes da turma, contando ainda com a presença de outros estudantes da escola. Considere a possibilidade de realizar uma exposição dos trabalhos e propostas complementares, como um levantamento sobre a situação da realidade local, tendo em vista os temas-chave previstos para a Rio+20: se há uma agenda local e como ela tem funcionado; como são os investimentos em transporte público, ciclovias, saneamento básico, espaços públicos, áreas verdes e unidades de conservação; se existem restrições ao uso de automóveis e à construção de empreendimentos imobiliários que afetam mananciais e coberturas vegetais; qual é a situação da implantação de fontes alternativas de energia e da coleta seletiva de lixo.

Avaliação 

Durante as rodas de conversa, observe a participação dos alunos e a construção do conhecimento sobre os conteúdos propostos nesta sequência. Avalie também o material produzido pelos grupos nos quadros-síntese, ao final da primeira e da segunda etapa, e no painel ilustrado, ao término do trabalho, verificando se eles refletem um novo olhar da turma sobre os problemas de natureza socioambiental e o desenvolvimento sustentável.

Créditos:
Roberto Giansanti
Formação:
geógrafo e autor de livros didáticos
Autor Nova Escola

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