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Reunião do G20: o futuro da economia mundial em jogo

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 
  • Compreender a origem e a evolução do G20:
  • Entender o significado de sua atuação no âmbito da economia mundial.
Conteúdo(s) 
  • G20
  • Guerra cambial
  • Produção e circulação de bens.

 

Ano(s) 
Tempo estimado 
Três aulas
Material necessário 
Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução 
Ainda nos rescaldos da crise financeira que abalou a economia mundial em 2008 e 2009, o G20 -principal fórum econômico internacional - se reuniu em Seul, na Coreia do Sul, em novembro deste ano. Na pauta do encontro estavam a chamada "guerra cambial", gerada pela desvalorização competitiva das moedas, e seus efeitos nas exportações e contas externas dos diferentes países.

Como não poderia deixar de ser, o encontro teve como principais protagonistas os Estados Unidos e a China. De um lado, a potência oriental luta para sustentar seu grande volume de exportações por meio da manutenção da desvalorização de sua moeda. De outro, os norte-americanos querem injetar 600 bilhões de dólares para reaquecer sua economia interna.

A disputa é o tema central da reportagem A guerra apenas começou, publicada em VEJA. Convide a garotada a entender melhor os interesses em jogo e o papel de agrupamentos de países como o G20 e outras cúpulas e fóruns internacionais na economia mundial.

Proponha a leitura da reportagem A guerra apenas começou, publicada em VEJA. Em seguida, lance algumas questões para que os alunos discutam e pesquisem:

- O que é o G20?
- Como se constituiu e quais os interesses e debates que movimentam esse grupo?
- O que está na raiz da chamada guerra cambial que ocorre nos tempos de hoje?

Estimule a turma a procurar dados sobre as origens desse agrupamento de países, que responde por 85% a 90% do PIB global e envolve economias ricas e emergentes - entre elas o Brasil (aproveite o texto abaixo para responder as questões com a classe).

Textos ao professor 

A criação do G20 - O G20 foi criado em 1999, ao final de uma década marcada por turbulências na economia. Além de resposta a essas crises, a formação do grupo foi uma forma de os países ricos reconhecerem o peso dos emergentes, que se mostraram capazes de ameaçar os mercados com suas instabilidades. O G7 - bloco de nações mais desenvolvidas do planeta - já se reunia para falar de economia desde 1975. Contudo, com os distúrbios da década de 1990, passou a abrir a discussão a países em desenvolvimento. Em 1997 a Rússia, que já participava de algumas discussões, foi oficialmente integrada ao grupo, dando origem ao G8. Em 1998, reuniões mais amplas, com até 33 países, deram início à inserção dos emergentes na conversa. O movimento resultou na formação do G20.

A composição do G20 - O grupo é composto por ministros da área econômica e presidentes dos bancos centrais de 19 países: os que formam o G8 e 11 emergentes. No G8 estão Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia. Os outros componentes do G20 são: Brasil, Argentina, México, China, Índia, Austrália, Indonésia, Arábia Saudita, África do Sul, Coréia do Sul e Turquia. A União Europeia, em bloco, é o membro de número 20, representado pelo Banco Central Europeu e pela presidência rotativa do Conselho Europeu. O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, assim como representantes de comitês monetários e financeiros internacionais, também tomam assento nas reuniões do grupo.

Disponível em: http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/perguntas_respostas/g20/g-20.shtml 
O G20 dos emergentes - Considere-se também a existência do G20 dos países em desenvolvimento, criado na rodada da Organização Mundial do Comércio (OMC) de Cancun, México, em 2003. Esse grupo bastante heterogêneo representa cerca de ¼ das exportações de commodities agrícolas e denuncia sistematicamente as políticas protecionistas agrícolas de países ricos, em especial EUA e União Europeia. Compõem o G20 dos emergentes cinco países africanos (África do Sul, Egito, Nigéria, Tanzânia e Zimbábue), seis asiáticos (China, Índia, Indonésia, Paquistão, Filipinas e Tailândia) e dez latino-americanos (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Cuba, Guatemala, México, Paraguai, Uruguai e Venezuela).

(M. Françoise Durand e outros. Atlas da Mundialização. São Paulo: Saraiva, 2009 (p. 148). 
A desvalorização cambial - Trata-se da redução oficial do valor real da moeda de um país em relação a moedas estrangeiras. Na maioria dos casos, essa operação tem o objetivo de eliminar o déficit acumulado no balanço de pagamentos por meio de mecanismo de depreciação cambial. A medida torna mais caras as importações, inibindo-as, e estimula as exportações, uma vez que o exportador recebe mais unidades de moeda nacional para cada unidade de moeda estrangeira convertida à nova taxa de câmbio. Além disso, a desvalorização tende a produzir pressões inflacionárias.

(Paulo Sandroni. Dicionário de economia do século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2005, p. 246).


Socialize as informações descobertas pela moçada. Em seguida, aprofunde a discussão sobre os resultados do ultimo encontro do G20. Informe aos estudantes que a cúpula deste ano, como muitos já esperavam, não tomou decisões de fundo que pudessem mudar o quadro econômico mundial no curto prazo. O comunicado final da reunião - intitulado de "Plano de Ação de Seul" - apenas recomendou que os países não tomassem medidas para a desvalorização competitiva de suas moedas. O texto propôs também que buscassem fortalecer a cooperação internacional para evitar desequilíbrios globais, volatilidade excessiva e movimentos desordenados das taxas de câmbio.

Comente com a turma que a atuação de chineses e norte-americanos no encontro provocou fortes reações entre os países emergentes, que pregam a necessidade de políticas coordenadas de controle do câmbio e dos fluxos financeiros globais. Peça que os alunos retomem a reportagem de VEJA e busquem entender as razões dessas reações.

Explique à classe que a iniciativa chinesa de manter sua moeda desvalorizada em relação ao dólar estimula as exportações do país e faz com que ele se torne mais competitivo frente aos concorrentes internacionais. Conte aos alunos que, durante o encontro, o governo chinês sinalizou com a possibilidade de valorização gradual do Yuan, mas isso só deve acontecer nos próximos quatro ou cinco anos.

Questione a turma sobre a postura norte-americana. Explique aos estudantes que o lançamento de 600 bilhões de dólares na economia interna do EUA, defendido pelo presidente Barack Obama, produz um efeito semelhante à medida chinesa. Quando se coloca mais dinheiro em circulação, há uma desvalorização da moeda que beneficia as exportações. Conte à classe que isso "inverte a mão" do país, que historicamente se caracteriza como um grande consumidor de bens.

Discuta com a moçada as repercussões dessa medida. Conclua com a turma que a desvalorização do dólar tem impacto direto nos países que exportam para o gigante americano, como o Brasil. Há sinais também de que as decisões no câmbio possam vir acompanhadas de medidas protecionistas, criando obstáculos ao multilateralismo comercial e, portanto, ao crescimento equilibrado e sustentado das economias.

2ª etapa 

Na última aula, proponha aos estudantes uma análise das relações econômicas entre países ricos e emergentes. Peça que eles retomem as informações das duas aulas anteriores e apontem os principais desafios do G20.

Ao observar os resultados do encontro de Seul, a turma vai perceber que existe uma oposição entre os interesses de países ricos - dispostos a manter seu predomínio no plano econômico - e de emergentes e pobres - que reivindicam maior poder de decisão nos rumos econômicos mundiais.

Ressalte coma moçada que a mesma dualidade de perspectivas vista no G20 se reflete em outros fóruns internacionais, como os da Organização Mundial do Comércio (OMC) e de agendas setoriais, como a de meio ambiente.

Há, portanto, dificuldades para criar uma governança no campo da economia global que supere os interesses individuais de países e blocos. Deve-se considerar também que a complexidade das relações multilaterais está relacionada não só a interesses divergentes dos Estados nacionais, mas também às dinâmicas próprias das empresas transnacionais - que cada vez mais se afastam de seus compromissos com as origens nacionais e se constituem como atores globais.

Para finalizar, proponha que os alunos preparem dissertações individuais sobre o tema, com base nas discussões de classe e no levantamento de dados.

Avaliação 

Leve em conta a participação de cada estudante nas tarefas coletivas e individuais e examine o domínio de noções relativas ao tema: câmbio, produção e comercialização de bens e multilateralismo.

 

Créditos:
Roberto Giansanti
Formação:
geógrafo e autor de livros didáticos
Autor Nova Escola

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