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Polêmica: caça de animais silvestres e criação em cativeiro

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Debater os aspectos polêmicos envolvidos na caça de animais silvestres e criados em cativeiro

Ano(s) 
Material necessário 

Reportagem da Veja:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

Os adeptos de caça amadorista esportiva costumam argumentar que essa atividade não ameaça a fauna. Ao contrário, estimula a proteção ambiental. Isso porque, para obter a respectiva licença, eles pagam taxas destinadas à conservação da natureza. Os caçadores são também os mais interessados em que as espécies sobrevivam - condição básica para manter o hobby. Como os alunos encaram essa prática, que acompanha a humanidade desde a mais longínqua pré-história? Ao anunciar a instalação de fazendas destinadas à caça na Argentina, VEJA discute algumas reinvindicações de esportistas brasileiros. Estenda a questão para a classe com a leitura e a análise da reportagem.

 

Convide os estudantes a pescar. Quem aceitaria? Por quê? Que prazeres estão envolvidos nessa atividade? Quem gostaria de participar da criação de alguns animais? Quais e por que motivo? E em larga escala, é a mesma coisa?
Refaça as perguntas, agora convidando-os a caçar e criar animais para abate. Observe as reações anotando, se possível, frases de efeito tanto contra como a favor da caça. A idéia é estimular comentários acalorados - e talvez irados - dos alunos.

Que sentimentos a caça pode proporcionar? Aventuras empolgantes? Domínio? Crueldade? A prática da caça é passível de justificativa? Lembre a classe que matar e não comer não é uma atitude exclusiva do ser civilizado. Alguns povos ditos primitivos usam a caça como um rito de passagem para a maioridade do homem. Índios da porção setentrional da América da Norte só consideram um jovem adulto depois de abater um urso. Algumas tribos africanas adotam postura idêntica. Suas vítimas, entretanto, são os leões.

Até hoje existem pessoas que caçam sua comida, mas não são maioria. Então, o que justifica a caça? Destreza com armas? Pontaria? Domínio sobre a natureza? Capacidade de exploração do ambiente? Faça a classe perceber que a questão não tem uma resposta fácil.

2ª etapa 

Após a leitura da reportagem, peça que a turma destaque do texto os principais argumentos dos caçadores para justificar a caça ou pleitear que ela seja liberada. A caturrita e o javali causam prejuízos às lavouras. O queixada, um porco silvestre não ameaçado de extinção, anda em bandos que atacam plantações e depósitos de alimentos. Frente aos prejuízos econômicos que esses animais provocam, as questões morais relacionadas à caça desaparecem? Ou a predação deve ser considerada um ato ilegal?

Dirija a discussão para os problemas ambientais. A caça é também vista como uma forma de preservar outros animais. Na tentativa de proteger uma espécie de veado, no Canadá, mataram-se seus predadores, os lobos, e o resultado foi o contrário do esperado: o número de espécimes do herbívoro cresceu tanto que não havia comida para todos e muitos acabaram morrendo de fome. Na África, os parques nacionais que têm elefantes abrem temporadas de caça. Por mais que pareça absurda, a liberação tem por objetivo conservar a espécie. Isso porque a população multiplicou-se a ponto de ameaçar o próprio alimento e o dos demais herbívoros. Como os paquidermes vivem confinados em áreas reservadas, deve-se cuidar para que a superpopulação não esgote o meio ambiente. Nesse caso, é necessário conhecer a extensão do problema e identificar machos, fêmeas e as idades aproximadas dos animais para saber quais podem ser caçados e em que quantidade. Cite que o mesmo fenômeno de superpopulação se verifica entre algumas espécies de jacarés. Segundo pesquisas, graças à criação desses répteis para abate e à proibição da caça, a quantidade atual de espécimes é muito grande. Com o aumento da oferta de couro de jacaré, a caça ilegal tornou-se desinteressante.

Em face desses três exemplos, que soluções os estudantes sugerem? A conclusão mais imediata é que a caça como manejo de populações exige um enorme conhecimento ecológico. É necessário saber muito sobre os animais envolvidos, seu alimento, suas relações e sua função dentro de determinado ecossistema - o que é definido tecnicamente como nicho ecológico. Somente isso, no entanto, não é suficiente para a liberação. Tal como acontece com os javalis, é fundamental fazer um estudo dos impactos que poderiam advir dessa prática.

3ª etapa 

Numa terceira etapa, passe para outra abordagem. Tanto se fala em manejo sustentável da natureza... não seria a caça uma forma de manejo? É interessante confrontar a idéia de uma atividade "horrorosa" e "malvada", eticamente condenável, com um discurso ambiental e politicamente correto. Vá além. A caça de animais exóticos e dos criados em cativeiros pode ser encarada como impacto ambiental? Existe diferença entre essa atividade e o abate para obtenção de carne, couro e pele de animais de criação? Dó? Compare essas situações com brigas de galo, corridas de cachorros e cavalos, touradas e a farra do boi. Crueldade por crueldade, qual é a pior?

Segundo esse ponto de vista aparentemente incorreto, não poderia estar aí uma ótima fonte de renda e de empregos, com um menor impacto ambiental? Destaque os preços mencionados na reportagem.

Peça que a classe pesquise outras possíveis justificativas para a caça. O estudo científico dos animais é uma delas. A taxidermia (veja o quadro) vale-se de bichos mortos para análise educativa e classificação das espécies. Sugira depois que cada estudante procure alternativas para o abate por esporte, sem finalidade de preservação. Possíveis propostas são algo como o cace e solte citado na reportagem ou ainda a substituição da arma por uma câmara fotográfica.

Para saber mais

Múmias animais
A taxidermia (empalhamento), termo formado pela aglutinação de táxis (organização) e derme (pele), é uma atividade ligada à Biologia que consiste na conservação de animais mortos. Para tanto, retira-se toda a parte interior do bicho e deixa-se somente a pele curtida.

A atividade inclui a montagem de esqueletos para o estudo ósseo anatômico. Outra técnica também utilizada é a da diafanização, em que a pele do espécime recebe um tratamento químico especial para torná-la transparente. Isso possibilita a observação da forma e da constituição óssea. No Brasil, a taxidermia só é permitida com animais domésticos e exóticos (provenientes de outros países). É proibida a prática com a fauna silvestre.

 

Créditos:
Marcos Engelstein
Formação:
Professor do Ensino Fundamental do Colégio Santa Cruz e Assessor de Ciências do Colégio Anglo-Brasileiro, ambos de São Paulo
Autor Nova Escola

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