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Percorra com seus alunos os muitos caminhos dos imigrantes

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Perceber os projetos pessoais dos imigrantes e as contribuições dos estrangeiros à cultura e à sociedade brasileiras

Ano(s) 
Material necessário 

Reportagem da Veja:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

No final do século XIX, muitos imigrantes saíram da Europa com destino ao Brasil pensando em encontrar o "País da Cocanha", espécie de paraíso terrestre imaginário onde existiria uma grande abundância de alimentos uma natureza rica e benfazeja. Hoje, como mostra a reportagem "Um Lar em Manaus", o país ainda é visto como um lugar promissor no qual os europeus, sobretudo os do Leste empobrecido, podem fazer fortuna ou ao menos gozar de uma qualidade de vida superior à que teriam em sua terra natal. Esta aula pretende trabalhar com os fluxos migratórios provenientes do exterior e abordar como é a nova pátria no entendimento dos recém-chegados.

 

Depois de organizar a leitura da reportagem em classe, solicite que os alunos apontem as diferenças entre o Brasil e os países do Leste Europeu mencionados por VEJA. Destaque a influência dos fatores climáticos nos costumes. Por exemplo, a coleta de cogumelos na floresta temperada dá lugar à pesca nos rios da floresta tropical. Mas o aspecto decisivo são os contrastes culturais na organização social. Os músicos eslavos descrevem o Brasil como um país calmo, aberto aos estrangeiros, onde as pessoas "confiam umas nas outras". O que os leva a ter essa visão? É assim que a população nativa percebe nosso país?

2ª etapa 

Peça que a turma observe o quadro Navio de Emigrantes, de Lasar Segall, pintado entre 1939 e 1941 e reproduzido acima. Sugira uma comparação da obra com a representação de um navio negreiro. Existem semelhanças entre os dois tipos de embarcação? Por quê? Proponha a realização de pesquisas sobre a vida e a carreira de Segall, um lituano de religião judaica que se naturalizou brasileiro em 1927. Os massacres de judeus que Segall retratou em outras obras estão associados ao fenômeno da imigração, isto é, à busca de uma vida melhor em outro país? Acrescente que o quadro foi criado durante a II Guerra, quando não havia correntes migratórias importantes, mas as perseguições anti-semitas assumiam proporções de barbárie, sobretudo na Europa.

3ª etapa 

Promova um debate sobre os motivos que levam uma pessoa a sair de seu país e suas eventuais dificuldades de adaptação a uma nova pátria. A seguir, convide os estudantes a realizar uma pesquisa em livros ou pela internet sobre os grandes fluxos migratórios que ocorreram entre as últimas décadas do século XIX e os anos 20 do século passado. Pode-se ter uma idéia de quantos europeus saíram do Velho Mundo entre 1830 e 1930: cerca de 50 milhões, o correspondente à população atual da Itália. A maior parte desses imigrantes foi para a América do Norte, mas 22% deles, cerca de 11 milhões, vieram para a América Latina, cabendo ao Brasil 3,6 milhões de pessoas. No princípio, o contingente era constituído de portugueses, espanhóis, italianos, alemães e eslavos, que se fixaram principalmente nas Regiões Sul e Sudeste.

Mais tarde, já no século XX, somaram-se a eles imigrantes de outras plagas, como os libaneses e os japoneses. Leve os alunos a notar que a grande maioria dessa gente provinha de zonas rurais. Devido ao aumento populacional e à mecanização da produção agrícola em seus países, essas multidões passaram a constituir mão-de-obra de reserva e, sem terras para trabalhar, tiveram de transferir-se para países distantes de sua terra natal.

4ª etapa 

Mostre que muitos desses imigrantes tinham o projeto de ficar por algum tempo no Brasil e logo regressar à sua pátria, como fizeram alguns músicos eslavos da Amazônia. Mas boa parte dos que retornaram não se adaptaram mais e decidiram voltar definitivamente para cá - o trajeto que, segundo a reportagem, muitos intérpretes da Amazônia Filarmônica parecem estar seguindo.

Dependendo da região brasileira, será possível explicar o papel dos imigrantes na constituição do povo, usando os próprios sobrenomes dos alunos. Mostre também essa influência nos hábitos alimentares. Os imigrantes introduziram na culinária nacional as pizzas e massas (italianas); esfihas e quibes (sírio-libaneses); salsichas e cervejas (alemãs); sushis e sashimis (japoneses), entre tantas outras contribuições.

Encomende pesquisas junto aos familiares dos estudantes com o objetivo de recuperar um pouco da trajetória genealógica. No final, a turma pode montar uma exposição com objetos de seus antepassados - por exemplo, cópias de passaportes, fotografias e pequenas lembranças que possam ajudar a reconstituir essa história para toda a escola.

5ª etapa 

Organize um debate sobre os migrantes que saem do Brasil hoje para tentar a sorte lá fora. Quais são suas aspirações e seus projetos? Eles pensam em voltar ou pretendem morar em definitivo no estrangeiro? Portugal e Espanha recebem mão-de-obra brasileira devido ao crescimento econômico e à facilidade de comunicação. Descendentes de japoneses voltam ao país de origem de seus pais e avós em busca de melhores salários, mas poucos pensam em viver para sempre na terra do Sol Nascente. Os Estados Unidos e o Canadá também abrigam brasileiros que, com freqüência, planejam estabelecer-se naqueles países. Os alunos podem discutir as semelhanças e diferenças entre esses projetos de vida.

 

Texto de apoio

O olhar estrangeiro
Ao longo dos séculos, muitos estrangeiros ajudaram o Brasil a se ver e se conhecer melhor. Alguns, como o pintor Lasar Segall, chegaram a naturalizar-se brasileiros. Outros morreram aqui quando estavam no auge de sua capacidade criadora. É o caso do desenhista e pintor Aimé-Adrien Taunay. Filho do pintor Nicolas-Antoine Taunay, integrante da Missão Artística Francesa de 1816, Aimé-Adrien veio jovem para cá e permaneceu na nova pátria depois que o pai retornou à França. Aqui, participou como desenhista da expedição científica do barão de Langsdorff e morreu afogado quando tentava atravessar um rio. Antes, porém, realizou gravuras magníficas da fauna, da flora e dos indígenas locais, desenhando em especial os índios da etnia bororo e descrevendo seus costumes (a aquarela à esquerda foi pintada em dezembro de 1827).

Mais de 100 anos depois, os bororo atrairiam um novo olhar estrangeiro: o do antropólogo francês Claude Lévi-Strauss. Ele veio para o Brasil em 1935, como professor de Sociologia da então recém-fundada Universidade de São Paulo. Nos anos seguintes, estudou os bororo e outros grupos indígenas. As pesquisas de campo lhe permitiram lançar as bases de uma nova corrente, a antropologia estrutural. Os bororo estão presentes em livros como Tristes Trópicos (1955), que o tornou célebre, e Saudades do Brasil (1994).

 

Veja também:

BIBLIOGRAFIA
Imigrantes: A Vida Privada dos Pobres do Campo
, Zuleika Alvim, em História da Vida Privada no Brasil, vol. 3, Nicolau Sevcenko (org.), Cia. das Letras, tel. (11) 3846-0801

FILMOGRAFIA
O Quatrilho
, Fábio Barreto, Conne Vídeo, Gaijin - Os Caminhos da Liberdade, Tizuka Yamasaki, Videocassete do Brasil

Créditos:
Patrícia Raffaini
Formação:
Professora de História da Universidade Anhembi-Morumbi, de São Paulo
Autor Nova Escola

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