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A pátria com sotaque

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 
  • Perceber como o desempenho esportivo tornou-se sinônimo de progresso econômico e social
Ano(s) 
Material necessário 

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução 

Em agosto, na cerimônia de abertura da Olimpíada de Pequim, milhares de atletas desfilarão, orgulhosos, sob as bandeiras de seu Estado. Alguns deles, porém, mal conseguirão pronunciar duas palavras na língua de sua pátria de adoção. Nesse grande espetáculo midiático, no qual o interesse do público é saber se os competidores de seu país vão subir ao pódio e o ranking de medalhas é apresentado como uma espécie de sinônimo de progresso econômico e social, esportistas promissores, naturalizados às pressas, são um ativo valioso. Afinal, os vencedores são considerados heróis nacionais, mesmo que falem com sotaque carregado. Use o texto da edição especial e este plano de aula para examinar com a turma como os Jogos Olímpicos entrelaçam mídia, política e esporte.

Lembre que a realização dos Jogos Olímpicos em determinado país costuma ter forte dimensão de afirmação nacional. Isso é especialmente verdadeiro no caso da China: a Olimpíada é parte do projeto de afirmação de uma das potências do século XXI, campeã em crescimento econômico e disposta a quebrar todos os recordes na conquista de medalhas. Essa meta está ao alcance de todos os países, ou por vezes as divisões políticas diminuem as chances de brilhar no alto do pódio?

Para que os jovens respondam a essa questão, sugira que eles examinem o desempenho dos esportistas dos países que antes formaram a União Soviética, dissolvida em 1991. Depois disso, a performance dos representantes desses territórios - principalmente nos esportes coletivos — decresceu. A fragmentação da Iugoslávia também afastou temporariamente do pódio os campeões de uma das potências esportivas mundiais.

Informe que alguns países buscam na Olimpíada uma representação esportiva diferente daquela de outras competições. Um exemplo é o Reino Unido. Nos Jogos Olímpicos, ingleses, escoceses, galeses e norte-irlandeses atuam na mesma equipe e, assim, obtêm melhores resultados. Mas, no futebol profissional, cada um desses povos tem a própria seleção. Proponha que os alunos levantem hipóteses para explicar essa divisão, que multiplica o número de equipes britânicas na Fifa — e nas competições da associação internacional de futebol —, ao preço de enfraquecer as chances de vitória de um time do Reino Unido.

Ensine que, de certo modo, a situação existente no futebol profissional britânico representa um retrocesso de mais de três séculos. Afinal, foi em 1707 que a Inglaterra — que já havia anexado o País de Gales — e a Escócia uniram-se para constituir um único Estado, o Reino da Grã-Bretanha. Em 1800, a Irlanda ingressou na união, constituindo o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda. Com a independência da Irlanda, em 1922, os reis ingleses tornaram-se soberanos do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte. Conte que os conflitos políticos que levaram à divisão da ilha entre a do Eire (no centro-sul), de maioria católica, e os condados protestantes do Ulster (Irlanda do Norte) também se manifestam no esporte: muitos atletas católicos do norte optam por disputar as competições sob a bandeira do Eire. Vale a pena pesquisar, no decorrer dos Jogos de Pequim, quantos atletas irlandeses (do sul) nasceram no Ulster.

2ª etapa 

Recorde que o fenômeno dos atletas que têm poucos laços com o país de adoção também tem ocorrido em competições que envolvem seleções de futebol. Um dos casos mais conhecidos é o de Marcos Senna, brasileiro naturalizado espanhol, que disputou por esse país a Copa do Mundo de 2006 e a Eurocopa de 2008. Essa prática, que acaba quebrando os perfis nacionais tradicionais, exaspera os conservadores. Na França, por exemplo, a extrema direita menosprezou publicamente a conquista da Copa do Mundo de 1998, devido ao grande número de caribenhos e africanos na equipe nacional. Na opinião da turma, essa internacionalização é irreversível?

Encarregue os alunos de anotar as manifestações de confronto político durante a Olimpíada de Pequim. Provavelmente vão ocorrer questionamentos sobre a falta de liberdade política e de expressão na China. Lá não há imprensa livre nem permissão para manifestação — muito menos para organizações autônomas. Com milhares de jornalistas estrangeiros, os choques com a burocracia comunista serão inevitáveis. A questão do Tibete vai estar presente, e também podem ocorrer manifestações de oposição a ditaduras africanas e asiáticas. Por outro lado, esperam-se belos momentos de solidariedade entre os atletas. Divida desde já a classe em grupos e peça que cada um identifique esses momentos num pequeno relatório. Depois da Olimpíada, solicite que os resultados sejam apresentados para a classe e discutidos. Além disso, cada aluno deve fazer uma redação sobre a política associada ao esporte.

Créditos:
Marco Antonio Villa
Formação:
Professor de História da Universidade Federal de São Carlos (SP)
Autor Nova Escola

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