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Para entender a dança contemporânea

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 
  • Refletir sobre algumas características do nosso tempo como as dualidades entre pessoal e coletivo, ação e emoção, efemeridade e permanência
  • Conhecer e praticar dança contemporânea
Conteúdo(s) 
Ano(s) 
Tempo estimado 
Três aulas
Material necessário 
  • Computadores com acesso à internet
Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

O que é contemporâneo?
Segundo o dicionário, contemporâneo é tudo o que faz parte do momento histórico que vivemos hoje. Isso nos faz pensar  como é nossa época atual, a maneira como vivemos e o que marca o presente. Consequentemente acabamos por fazer perguntas semelhantes sobre a arte que expressa nossa realidade. 

No que se refere à dança, podemos nos questionar sobre como ela representaria o nosso contexto tão multifacetado. Após o movimento modernista na dança e as mudanças e inovações que ele trouxe, na década de 60 ainda era recorrente a produção de coreografias com estruturas formais como no balé. Entre as décadas de 60 e 70, uma nova geração de coreógrafos questionaram os preceitos da Dança Moderna, e passaram a trilhar caminhos muito diferentes. Estes foram os pós-modernistas ou precursores da dança contemporânea. Alguns desses nomes aparecem na reportagem "Coreógrafo de múltiplos tentáculos" (BRAVO!, ed. 181, setembro de 2012).

Esta geração quebrou grandes paradigmas e abriu novas possibilidades de se fazer dança. E também foi responsável pela popularização de procedimentos de dança que podem ser comuns e aceitáveis hoje em dia, mas que na época causaram estranhamentos do público e da crítica. Por exemplo:

  • A dança passou a acontecer em outros  espaços além do  teatro, como praças, parques e ruas;
  • As ações cotidianas viraram tema dos espetáculos;
  • A improvisação em cena passa a ser aceita;
  • Os conceitos de bom/ruim ou feio/bonito são abandonados;
  • Desaparece a hierarquia entre os bailarinos;
  • Outras linguagens, como as artes plásticas, aparecem nas apresentações;
  • Qualquer corpo é capaz de dançar, e não apenas os magros e belos;
  • A dança passa a ser aceita como uma linguagem independente. 


Com tudo isso se passou a questionar e a ressignificar o que é dança, o que é corpo e o que é arte.

Porque fazer dança contemporânea na escola?
Olhando para os preceitos da Dança Contemporânea, percebemos que de fato ela democratizou a dança, tanto a sua prática quanto seus processos criativos, de forma que hoje acreditamos realmente que todo corpo é capaz de se expressar e, portanto, de dançar bem. Como qualquer movimento pode virar dança numa coreografia, basta organizá-lo no tempo, no espaço e com uma determinada força/tônus.

Outro conceito importante que surgiu com a dança contemporânea foi o de intérprete- criador; Um artista que tem suas próprias ideias de movimento, de coreografia, luz, música e tudo mais que envolva a criação. Essa é a proposta de uma construção conjunta em que  a figura do coreógrafo desaparece para surgir a do diretor de cena, com quem os intérprete- criadores contam para  orientar a criação, que é, no fim das contas, coletiva.

Quando a dança entra no espaço escolar como conteúdo a ser ensinado nós educadores somos obrigados a nos perguntar: que dança faz sentido ensinar aos nossos alunos? (já que a escola não é um centro de excelência e não pretende formar bailarinos). Como propor uma dança onde os alunos vejam sentido em estarem dançando? Como fazê-los perceber que a dança, sendo uma linguagem e assim como a poesia, nos permite nos expressarmos de forma mais subjetiva, mas nem por isso menos pessoal?

Uma boa maneira de orientar a sequência didática é dar a oportunidade aos alunos conhecerem mais sobre a dança. Eles deverão saber quais elementos a compõem para assim adquirirem  maior consciência corporal e a capacidade de se expressarem através do corpo e dos movimentos. É importante que os estudantes percebam que a dança também  é  uma forma de mostrar quem são, o que pensam e o que sentem. 

Comece com uma conversa sobre o conceito de contemporâneo de modo geral e na dança (os conceitos citados na introdução). Lembre que o termo "contemporâneo" serve para qualificar tudo o que é característico do tempo que vivemos hoje. Mas, afinal, o que marca nosso presente? Reflita com os alunos como atualmente nos sentimos ao mesmo tempo iguais e diferentes uns dos outros.

Questione os estudantes e observe se eles identificam alguns conflitos característicos de nossa época, como: pessoal x coletivo, ação x emoção, efemeridade x permanência, excesso de informação x falta de conhecimento, estabilidade x mutabilidade, público x privado, atenção multifocal x direcional, corpo natural x corpo produzido, consumismo, solidão x multidão, etc.

2ª etapa 

Passe um vídeo do trecho da obra "Rosas danst Rosas" de 1983, da coreógrafa belga Anne Teresa De Keersmaeker. Caso perceba que os alunos ficaram muito instigados com o filme, mostre também a primeira parte desta coreografia (em silêncio) inteira e com sua introdução.

Em seguida, faça aos adolescentes perguntas como:

  1. Do que se trata a coreografia? Qual é o tema?
  2. Algum movimento dessa dança é conhecido? Qual?
  3. A coreografia é sempre diferente ou se repete?
  4. Essa repetição é sempre a mesma ou tem variações? Quais?
  5. Onde as bailarinas estão? Qual a relação da dança com aquele espaço? Se fosse num outro local faria diferença, num teatro, por exemplo?
  6. Relacionar o que difere do trecho com e sem música.


A sugestão é passar o vídeo duas vezes. A primeira sem falar nada sobre a coreografia ou o que deseja que observem. Diga apenas o título, ano, país e o nome da coreógrafa, deixando seus olhares livres para captarem o que lhes impressionar. Na segunda vez então, apresente as questões para que prestem atenção nos elementos que você quer discutir.

3ª etapa 

Em algum espaço amplo da escola (pode ser a sala sem carteiras ou até mesmo a quadra) peça para os alunos caminharem livremente pelo espaço, ocupando toda a sala de modo equilibrado (e não uma área cheia e outra vazia).

É importante que eles não corram nem andem muito lentamente. Oriente para que procurem olhar nos olhos de todas as pessoas que encontrarem. Enquanto caminham devem também prestar atenção no próprio corpo: na respiração, nos ombros, em como os pés tocam o chão, se há tensão em alguma parte do corpo e no movimento da bacia.

Ao som da palma da professora "congelam", com pausa total de movimento, como numa fotografia. Durante a pausa voltam a perceber os aspectos levantados durante a caminhada.
Na palma seguinte, os alunos deverão fazer um movimento que seja bem característico de cada um, algo que fazem no dia a dia e que tenha a ver com a sua identidade (parte 1).
Num segundo momento, peça para escolherem movimento(s) que lhe represente, como se fosse uma auto-apresentação em que, ao invés de falarem o nome, se movimentam. Peça para os estudantes repetirem!

Num terceiro momento, os alunos vão escolher movimento/os que representem o modo como acham que os outros os veem. Mais uma vez a repetição é necessária.
Finalize essa etapa pedindo que os adolescentes registrem os movimentos que escolheram para que possam recuperá-los depois. O registro pode ser na forma de desenho numa folha de papel. Este procedimento é fundamental quando as aulas acontecem, por exemplo, apenas uma vez na semana.

4ª etapa 

Faça um pouco da caminhada para aquecer. Peça que relembrem os três movimentos já feitos (partes 1, 2 e 3). Divida a turma em grupos de 6 a 10 alunos e peça para cada grupo mostrar os três movimentos enquanto o restante da classe assiste.

Oriente os grupos a intercalarem os movimentos com caminhadas. É importante que os alunos notem que cada um faz algo que é a sua cara, como uma assinatura. Peça para escolherem uma ordem para as três partes a fim de organizarem um "parágrafo" coreográfico. Em seguida, sugira que registrem a ordem criada como fizeram com os movimentos.
Mais uma vez divida a turma para que se assistam. Desta vez, se possível, em grupos menores, de quatro a seis alunos. Após as apresentações não esqueça de pedir aos alunos que façam observações sobre o que acharam.

5ª etapa 

Peça aos alunos que, assim como no vídeo da coreografia "Rosas danst Rosas" que assistiram, trabalhem com a repetição da sua pequena coreografia propondo variações. As variações podem ser de velocidade (muito lento, muito rápido, ora lento e ora rápido entrecortado por pausas). Ou pode ter a ver com a disposição do corpo - que pode ficar mole, como se estivesse cansado, ou mais rigído. Os alunos poderão variar movimentos pequenininhos e perto do centro do corpo com outros mais amplos, que envolvam gestos amplos.

Novamente peça para que componham com estas variações escolhendo no mínimo 3 delas.
Questione com os alunos que área da escola eles acham que tem a ver com a sua coreografia. Divida os adolescentes pelas escolhas das áreas e peça que se organizem na ordem e no espaço eleito. Proponha também que ensaiem várias vezes para a próxima etapa, da apresentação.
Na hora das apresentações, procure filmar a atividade dos estudantes.

6ª etapa 

Passe a filmagem das apresentações para que os alunos se assistam dançando. Discuta sobre suas escolhas e, principalmente, sobre o resultado final. Questione o que eles acham que ficou bom, se há algo que poderia ter sido diferente e que outras possibilidades poderiam ser exploradas. Não esqueça de deixar clara a forma adequada de se referir à produção dos colegas para que não haja desrespeito.

Avaliação 

Analise a participação dos alunos na apresentação e nas reflexões feitas em aula. É importante que os estudantes terminem a sequência didática entendendo o que é a dança contemporânea e que retratar o momento que vivemos hoje é uma de suas principais propostas.

Créditos:
Sandra Cavalinni
Formação:
Professora na pós-graduação em Dança e Consciência Corporal da Universidade Gama Filho e da FMU e diretora da Companhia Giz de Cena de Dança Contemporânea.
Autor Nova Escola

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