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Paquistão, um país que já nasceu dividido

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 
  • Compreender a formação da identidade de um país e como a intolerância cria impasses que afetam as fronteiras do mundo
Conteúdo(s) 
  • Paquistão, violência e intolerância
Ano(s) 
Tempo estimado 
6 aulas.
Material necessário 

Reportagem National Geographic

Desenvolvimento 
1ª etapa 
Introdução 
A reportagem da revista NATIONAL GEOGRAPHIC sobre o Paquistão apresenta uma "biografia" do país, criado há 60 anos, quando a Índia conquistou sua independência e se dividiu em dois territórios, separados por uma fronteira traçada às pressas. A trajetória paquistanesa é muito recente e todos os precedentes históricos estão ali presentes, quase em seu formato original, resistindo à dissolução e à transformação. Dividido entre moderados e extremistas, o país pode ser visto como microcosmo de um conflito planetário entre os muçulmanos. Mas o grande drama está longe de se reduzir à questão religiosa. Analise o problema com a turma.

Peça que os alunos leiam a reportagem e, em seguida, proponha um debate sobre o modo como se forma uma nação. O texto da revista informa que "o Paquistão ainda não se consolidou". O que essa afirmação quer dizer? Eis um sentido possível: as nações, os países tal como os conhecemos no mundo moderno, inclusive os asiáticos, são construções mais ou menos recentes. São produtos da reunião de grupos distintos (etnias) e da incorporação de seus territórios por um território maior, da nova nação. Como isso se aplica no caso do Paquistão? A arquitetura nacional de qualquer país contemporâneo foi marcada por dificuldades e por conflitos violentos. Nesse sentido, o Paquistão não é diferente. Mas há peculiaridades que valem ser destacadas:
  • No país, a construção da identidade nacional acontece sem sincronia com os ideais de democracia e liberdade individual;
  • Vivemos um momento em que até mesmo as construções nacionais mais consolidadas estão perturbadas com a uma nova força mundial que chamamos de globalização.
2ª etapa 

Pergunte por que não existe uma sociedade paquistanesa. O que dificulta que o Paquistão se estruture como um país coeso? Por que o povo não consegue coexistir bem? Será em razão da diversidade cultural? Por que sua população ainda não se tornou de fato uma sociedade com princípios gerais comuns (o que é uma redundância, que no caso precisa ser afirmada), com condições de decidir mais ou menos por um futuro consciente? Será que a construção nacional não é viável e nem desejável?

Na formação do país, vários grupos étnicos distintos foram reunidos num território único (punjabis, sindis, baluques, patanes etc.) e o que havia de comum entre eles era a condição de muçulmanos dispersos numa terra mais ampla, a Índia. Com a partição do território em dois países, um para os hindus e outro para os muçulmanos, nasceu o Paquistão. As etnias e o quadro religioso (uma dimensão cultural de muito peso no caso) comporiam os ingredientes para a construção da identidade paquistanesa, que seria superior às anteriores. É isso que significa o ser nacional. As outras identidades (étnicas e religiosas) não precisariam desaparecer, mas não seria concebível que cada uma organizasse um modo de vida que incluísse leis, regras, justiça própria etc. Aí seriam diversos países, diversas nacionalidades. Isso cabe à identidade maior, ao Paquistão, ao paquistanês. E o que se nota no país é um risco de fratura, divisões múltiplas com base nessas diversas identidades, que parecem encontrar dificuldades sérias de convívio. E uma fragilidade da identidade nacional. Esse é o pano de fundo, que não está tão no fundo, em que se deve discutir a situação desse país e seu papel no quadro mundial.

3ª etapa 

Ensine que um aspecto geográfico de importância compromete a coerência da constituição nacional. Os grupos sociais (etnias) que vivem ao norte e no oeste se identificam pouco com o paquistanês, visto que, entre outros motivos, vivem isolados do restante do país, ou seja, do leste e do sudeste. A integração geográfica é pequena. A influência do "Paquistão moderno" (leste e sudeste) sobre o território como um todo é precária. Uma construção nacional sem constantes relações sociais, econômicas, sociais e políticas entre os envolvidos é algo fadado ao fracasso. A tendência é que os grupos mais isolados aprofundem-se em suas culturas, cultivem a distinção e valores próprios, tão impermeáveis a mudanças, que o convívio com a diferença se torna bem difícil. Isso talvez explique a nossa perplexidade diante de certos hábitos dessas culturas excessivamente locais.

Conte que a construção nacional que busca coesão entre etnias distintas, de relações tensas, marcadas por conflitos armados, como é o caso do Paquistão, não será bem-sucedida se os valores de uma etnia ou de um entendimento religioso forem impostos.

Uma certa tolerância com valores diferentes (o que no Paquistão nem é tão elevado), um certo grau de liberdade de ação individual, um regime político forte, mas não autoritário, são condições necessárias para a construção nacional. E aí está tudo que não se configurou no Paquistão: a tolerância com o outro e o reconhecimento de valores individuais não prosperaram. Falar em regime democrático que tem como base grupos sociais que discriminam mulheres e grupos sociais "inferiores" de forma brutal, em que os casamentos são arranjados e as pessoas não namoram em público, inclusive nas grandes cidades, é algo que "não fecha. Daí que a política nacional se deformou: o autoritarismo militar é a "força coesiva" o que não indica um futuro razoável e comum. 

A inoperância para os problemas da vida prática (infra-estrutura urbana, saúde, educação, segurança, justiça, distribuição da renda etc.) por parte do governo é mais um fator de divisão. Como conseqüência, a discriminação de classes sociais se "soma à divisão". 

As opções à inoperância do segmento social que manda no país e se beneficia disso privadamente são a organização da sociedade civil (sempre às voltas com a repressão) e, para a população em geral, o comunitarismo religioso como alternativa de vida. Daí para a construção de uma identidade fechada em torno de valores religiosos e intolerantes é um caminho curto e já percorrido.

4ª etapa 

Faça ver que, somado aos impulsos arbitrários de governos que obtém "legitimidade" por meio da força, o Paquistão relaciona-se com as maiores potências do mundo, que adicionam ingredientes conflituosos a seu drama nacional. A virada islâmica do General Zia-ul-Haq, no fim dos anos 1970, por exemplo, era benéfica para os Estados Unidos. Agora, segundo os atuais interesses do mesmo país, ela deve ser freada e combatida.

Tal como o Iraque, o Paquistão é expressão dos desastres engendrados pela geopolítica americana. Tanto na ascensão de Saddam Hussein quanto na do fundamentalismo islâmico há a presença ianque. Nesse momento, o apoio da casa Branca ao governo paquistanês e a correspondência desse (em alguma medida, o segmento militar foi "abastecido" pelo ouro americano) é mais um elemento que dificulta a construção nacional. Algo a mais, como já não fosse o bastante o que existe, a dividir a nação que ainda não se consolidou.

5ª etapa 

Se as discussões propostas em aula forem proveitosas, seus alunos serão capazes de representar papéis distintos num debate final do qual você será o mediador.
Divida a garotada em dois grupos. O primeiro deve representar a população do Paquistão com posições mais modernas e o outro, defender as idéias mais extremistas. Esse choque de opiniões tão opostas se dá num conselho de coalisão fictício, reunido a fim de encontrar soluções para os problemas abordados nas aulas anteriores. Será que seus alunos vão chegar a um acordo?

Créditos:
Jaime Tadeu Oliva
Formação:
Geógrafo e autor de livros didáticos
Autor Nova Escola

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