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Panorama do Egito Antigo

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Compreender a importância da religião, das questões culturais e dos trabalhos de irrigação no desenvolvimento do Egito Antigo

Ano(s) 
Material necessário 

Reportagem da Veja:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

Se uma múmia fascina muita gente, sobretudo se for a múmia do faraó Tutancâmon, recoberta de ouro ou a protagonista de filmes de terror, 10.000 múmias fascinam muito mais. Arqueólogos e historiadores, em especial, estão entusiasmados com a fantástica descoberta abordada na reportagem de VEJA: o encontro, no Egito, de mais de 10.000 corpos dos séculos I e II da Era Cristã, preservados segundo técnicas de mumificação que se desenvolveram milênios antes. Para mostrar a seus alunos o que significam essas escalas temporais, peça-lhes para imaginar que uma "perua" brasileira de hoje morre e é enterrada, coberta de jóias e de maquiagem, numa urna funerária segundo rituais indígenas antiqüíssimos, não da idade do Brasil, 500 anos, mas de "seis brasis": 3.000 anos. Em seguida, peça-lhes para imaginar que os restos mortais da velha dama só serão encontrados daqui a quase 2.000 anos, isto é, "quatro brasis"!

Que mecanismos asseguraram o surgimento e continuidade da civilização às margens do Rio Nilo, há cerca de 5.000 anos - "dez brasis"? O plano de aula pode ajudá-lo a examinar, na sala de aula, os segredos da longevidade dessa cultura que afirmou, entre os homens, a crença na imortalidade do espírito.

A civilização do rio-deus
A história do Egito sempre carregou consigo uma mistura de fascínio e exotismo, particularmente devido a sua preocupação permanente com a imortalidade, o renascimento e a eternidade. Essa característica presente no imaginário religioso da sociedade egípcia foi muito importante para seu desenvolvimento, pois proporcionou, por exemplo, o avanço de técnicas de embalsamamento (para a mumificação), de engenharia (para a construção das pirâmides, que eram túmulos dos governantes) e da escrita (o hieróglifo, que significa escrita sagrada). O calendário de 365 dias, a astronomia e a matemática também evoluíram vinculadas com a religião, mas envolveram igualmente preocupações com a sobrevivência material da sociedade. Para as populações do vale do Nilo, era vital prever a extensão das cheias do grande rio - que era considerado um deus -, controlar as enchentes, calcular as vazantes e colheitas, realizar e conservar grandes grandes obras de irrigação, para a distribuição de água. Esse tipo de tarefa dependia do trabalho organizado, racional e coletivo, em geral realizado mediante uma espécie de prestação de serviços obrigatória dos camponeses e, principalmente, pelo trabalho compulsório dos escravos.

Essa necessidade de criar uma grande estrutura hidráulica em uma região desertificada serviu durante muito tempo como explicação central para o desenvolvimento do Egito (e de outras civilizações antigas como as da Mesopotâmia). Na realidade, neste momento a evolução e desenvolvimento social, econômico e cultural das sociedades denominadas de "regadio" foram bastante expressivos, tornando a sociedade humana mais complexa e variada. Por isso, a tentação em explicá-la a partir de uma "hipótese causal hidráulica": em tese, as "sociedades hidráulicas" tinham necessidade de organizar a distribuição da água, e a partir daí aldeias uniram-se para formar Estados, organizou-se hierarquicamente a sociedade, a religião evoluiu etc. Já há algum tempo essa hipótese esquemática foi abandonada, dando lugar a uma explicação mais diversificada, que leva em conta fatores demográficos, políticos, ecológicos, religiosos, culturais etc. Mas, de qualquer maneira, não há como negar que a religião e as obras públicas de irrigação deixaram os mais importantes registros para se conhecer e compreender o passado da sociedade que se desenvolveu às margens do rio-deus.

Leia com os alunos o trecho abaixo do hino religioso de glorificação ao deus Aton (reverenciado como deus único pelo faraó Akhenaton) e discuta com eles a importância do rio Nilo na vida dos egípcios:
"(...) Fizeste o Nilo abaixo do solo. Trouxeste-o à luz quando desejaste/ Para alimentar o povo do Egito/ Conforme o fizeste especialmente para ti/ O senhor de todos, cansando-se com eles (...)/ O Nilo no céu é destinado aos povos estrangeiros/ E aos animais de todos os desertos, que caminham sobre seus próprios pés/ Enquanto o verdadeiro Nilo surge do subterrâneo para o Egito (...)".

2ª etapa 

Leia com a turma o trecho abaixo da reportagem de VEJA e discuta como as formas de sepultamento e mumificação evidenciam as fortes características hierárquicas da sociedade egípcia:
"Os pesquisadores catalogaram as múmias em quatro categorias, de acordo com o tipo de sepultamento que receberam. No mais simples, o morto tinha apenas o corpo mumificado envolvido em linho e depositado numa tumba. Numa segunda classe, o cadáver era colocado dentro de um caixão, com o rosto do morto esculpido em cerâmica. O terceiro grupo era o das múmias que tinham enfeites e desenhos ligados aos deuses egípcios. Já o último era composto de múmias cobertas com uma fina camada de ouro."

3ª etapa 

A milenar civilização egípcia influenciou e sofreu a influência de diversas culturas. Leia os trechos abaixo da reportagem e discuta com os alunos essa questão:
"[...] a múmia de uma mulher cujo cabelo está arrumado em estilo claramente romano (...) [Em Bahariya] há um templo grego, logo na entrada, mas o lugar é guardado por uma imagem de Anubis, um deus egípcio".

O filho de Hórus viaja até Osíris
A religião egípcia era politeísta (adoravam-se vários deuses) e antropozoomórfica, ou seja, suas inúmeras divindades eram representadas por figuras meio humanas (antropo) e meio animais (zoo). Essas entidades tinham uma forte vinculação com aspectos do cotidiano como o crescimento da produção, o período da colheita, a fecundação, a família etc. E com um aspecto central do cotidiano: os meticulosos cuidados para que o espírito passasse pelas provas após a morte e fosse acolhido por Osíris, deus dos mortos, esposo de Ísis e pai do poderoso Hórus, o deus-falcão, protetor dos faraós. A mumificação, etapa essencial dessa preparação, era praticada nos cadáveres dos poderosos e dos humildes, pois todos tinham o direito de ter sua essência mesclada a Osíris. Mas havia outras, igualmente importantes, como a colocação de amuletos mágicos e de trechos do Livro Egípcio dos Mortos junto ao cadáver, com as respostas corretas para vencer os perigos e chegar ao "outro lado".

O túmulo e a múmia do faraó Tutancâmon, descoberta em perfeitas condições em 1922, mostram esses preparativos para a última viagem. As paredes estão recobertas de hieróglifos com trechos do Livro Egípcio dos Mortos e outros textos sagrados, e também imagens dos deuses e do faraó com seus familiares. A múmia tem o rosto coberto por uma esplêndida máscara mortuária de ouro e traz sobre o peito o Olho Sagrado, amuleto que protegeria contra as doenças e asseguraria e ressurreição; está no interior de três esquifes dourados, um de ouro e os outros de madeira dourada, e de um sarcófago de pedra.

Créditos:
José Geraldo Vinci de Moraes
Formação:
Historiador e professor da UNESP
Autor Nova Escola

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