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Organize uma pesquisa sobre a China: um dos berços da civilização oriental

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Perceber os laços entre os aspectos físicos, a política de crescimento adotada e a destruição ambiental no território chinês

Ano(s) 
Material necessário 

Reportagem da Veja:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

O líder comunista chinês Mao Tse-tung (1893-1976) certa vez escreveu que "o revolucionário deve estar no seio do povo como um peixe dentro d'água". Se ele conhecesse a nova conjuntura de sua terra natal, talvez utilizasse uma imagem mais forte, tipo "um porco em meio à lama". A reportagem de VEJA informa que os rios da China transformaram-se em esgotos a céu aberto. Além disso, o país é o segundo maior emissor de poluentes do mundo, superado apenas pelos Estados Unidos. Por que isso ocorre? Será que a antiqüíssima civilização chinesa ainda não tomou consciência dos prejuízos decorrentes dos atentados ecológicos? O progresso a qualquer custo é imposto pela gigantesca população local ou por um modelo de crescimento em vigor no mundo inteiro, alheio ao regime político de cada nação? Discuta essas questões com os alunos. Eles perceberão que certos negócios da China, como o menosprezo dos aspectos ambientais, não compensam. Para a aula, providencie um mapa que destaque o relevo do território chinês.

 

Explique aos estudantes que a civilização chinesa existe há mais de 4.000 anos - e sem interrupções. Tal continuidade decorre, entre outros fatores, das características do território: o poder do Estado se desenvolveu cedo devido é necessidade de coordenar obras coletivas, indispensáveis é sobrevivência. Por exemplo, há mais de 2.400 anos iniciou-se a construção do grande canal entre Beijing (ex-Pequim) e Hangzhou, utilizado para irrigação, como via de transporte e abastecimento de água. Os 1.794 quilômetros de extensão fazem dele o mais longo curso d'água aberto pela mão humana. Mostre à classe que, passados dois milênios e meio, a necessidade de controlar os recursos hídricos para irrigação, transporte, geração de energia e redução dos efeitos de inundações periódicas continua prioritária. Os 50.000 rios da China dão a ela um fluxo anual de 2.600 quilômetros cúbicos, menos da metade do brasileiro. Não é pouco, mas em função do enorme contingente populacional o uso dessas águas é intenso. Elas servem, por exemplo, para alimentar hidrelétricas. A China conta com mais de 35% dos reservatórios do planeta, que geram cerca de 680 milhões de quilowatts, e constrói atualmente a usina de Três Gargantas, no Rio Yangtze. Quando estiver pronta, será a maior do mundo. Já o Brasil, primeiro lugar em potencial hídrico, tem água armazenada para gerar em torno de 50 milhões de quilowatts. Mostre como o uso dos recursos naturais na China ocorre num limite muito mais elevado e, por isso, o risco de um desastre ambiental nas mais diversas esferas é potencialmente maior.

Após a leitura de VEJA, apresente o mapa da China e chame a atenção para as características do relevo, com montanhas ao norte e grandes rios que correm do oeste para o leste. Que relação tem essa distribuição hidrográfica com o fato de a maioria da população chinesa, assim como boa parte das atividades econômicas, concentrar-se no litoral do Pacífico?

Pergunte aos estudantes por que a reportagem relaciona a expansão dos rebanhos com o processo de desertificação. Aponte no mapa as áreas de deserto da China, situadas a nordeste (Gobi) e a noroeste (Taklamakan), correspondentes a cerca de 12% do território. Embora sejam regiões de aridez natural, o uso intenso de áreas próximas pode acelerar a desertificação. O processo costuma ser agravado, por exemplo, pela compactação do solo resultante do pisoteio dos rebanhos. Por isso, o governo fazia restrições à pecuária nos chamados ecossistemas frágeis - as estepes próximas aos desertos. A reportagem informa que essa precaução foi abandonada. Com a multiplicação dos rebanhos e a maior compactação do solo, os poucos recursos hídricos advindos de baixas precipitações não são aproveitados, desequilibrando esses ecossistemas e favorecendo a expansão dos desertos.

Destaque o fato de que a China é a primeira produtora mundial de arroz, trigo, algodão e suínos. Mas a agricultura chinesa ocupa uma superfície limitada, que não ultrapassa 12% do território. Além disso, a enorme produção concentra-se nas áreas meridionais. Peça que a garotada observe o mapa e cite os aspectos que dificultam uma distribuição mais homogênea do plantio. Vale mencionar questões associadas ao relevo marcado por montanhas e planaltos, que são áreas de baixa densidade populacional, e também os desertos do norte. Explique que, por mais cuidados e técnicas que os chineses tenham desenvolvido ao longo de milênios, o risco de aumento da erosão e perda de solo nas zonas agricultáveis é grande.

Saliente em seguida que, na China contemporânea, o ingresso de capital estrangeiro destinado a atividades modernizadoras acelera o emprego dos recursos e contribui para o aumento da demanda de produtos de consumo nas cidades. Em vista disso, peça que a turma imagine como era a situação do país nos anos do "socialismo fechado" de Mao, comparando-a com a situação presente. Será que a abertura semicapitalista vem contribuindo para o agravamento da questão ambiental?

É comum associar as dificuldades da China à sua população imensa, de 1,3 bilhão de pessoas. Faz sentido atribuir aos grandes contingentes demográficos os problemas ambientais? Sugira uma comparação com os Estados Unidos, cuja população é um quinto da chinesa (num território de dimensões similares): qual dos dois países sobrecarrega mais o meio ambiente? Quem polui o ar: as bicicletas chinesas ou os carros americanos?

Para saber mais

Na década de 1990, a queda do socialismo na ex-União Soviética e no chamado bloco oriental foi interpretada como um prenúncio do que estaria por vir para a China. No entanto, com uma combinação de abertura e modernização econômica (sem abrir mão do sistema político), o país entrou numa espiral de produção extraordinária e sem tamanho. Isso possivelmente acarreta a sobrecarga que incide nos recursos ambientais. A busca de mercados internacionais com produtos de preços muito baixos pode estar custando caro em termos ecológicos. Como se dá essa mudança de perfil? Chame a atenção para o caso da indústria, que se ressente da falta de insumos energéticos, capital, tecnologias modernas e, sobretudo, da excessiva concentração em apenas uma área do país: 66% das fábricas estão no leste e na região costeira.

Atualmente, o governo chinês e a iniciativa privada procuram uma melhora na produtividade das fábricas existentes (o fraco desempenho tem sido compensado com o uso intensivo de mão-de-obra barata), assim como uma abertura para o mercado interno, visando é satisfação das enormes e reprimidas necessidades da população local. Isso tem levado a uma diversificação do parque industrial. Além dos esforços na formação de um mercado interno mais moderno, a China se abre ao mundo exterior. As nações capitalistas são convidadas a investir, notadamente nas catorze áreas livres abertas para estrangeiros. Cai por terra um dos princípios de Mao Tse-tung, fundador da República Popular da China: o de "contar apenas com as próprias forças."

Créditos:
Jaime Tadeu Oliva
Formação:
Geógrafo e autor de livros didáticos
Autor Nova Escola

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