Aqui você pode pesquisar e adaptar planos já existentes

 


Oficina de percurso

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 
  • Favorecer a construção e desenvolvimento do processo criador.
Ano(s) 
Tempo estimado 
4 aulas.
Material necessário 
  • Meios: Os meios podem ser secos e aquosos. Secos: giz de cera, giz pastel, lápis de cor, lápis grafite, giz de lousa, caneta hidrocor. Aquosos: guache, anilina, nanquim, tintas de terra e outros pigmentos naturais.
  • Suportes: papel (para ser utilizado como suporte e retalhos para recorte e colagem), papelão, tecido, madeira, lixa, revistas, jornais. Normalmente os suportes são retangulares, eles podem ser alterados e oferecidos em diversidade de tamanho, forma, cor, textura, gramatura. As esculturas também podem ter suportes diferentes, tais como papelão em diferentes formatos e cores, madeira, sucata.
  • Para produção tridimensional: o trabalho tridimensional pode acontecer segundo dois princípios - modelagem e construção. Para a modelagem, alguns materiais possíveis são a argila, o papel, o algodão, o arame. Já para a construção a madeira e a sucata.
  • Ferramentas: pincéis, rolo, tesoura, palitos, martelo, esponjas, escova de dente, furador, grampeador, etc.
  • Elementos de ligação e outros: cola, fita crepe, durex, fios, barbante, grampos de papel, prego.
  • Elementos da natureza: terra, folhas, flores, sementes, pedras, cascas de árvores, galhos.
Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução
O aprendizado da arte não se esgota na aquisição de respostas e de regras. A aprendizagem inventiva possui duas características. Em primeiro lugar ela não se esgota na solução de problemas, mas inclui a invenção de problemas. Em segundo lugar, ela não é um processo de adaptação ao mundo externo, mas implica na invenção do próprio mundo.
Virgínia Kastrup

O contato dos alunos com a produção artística e a autonomia em relação ao fazer são determinantes na hora de planejar. Quando o professor considera as características do lugar em que vive e de seu grupo, a atividade ganha muito mais sentido, pois favorece a continuidade do percurso de criação pessoal. Por exemplo, se o grupo vive perto de um leito de rio que tem argila como matéria prima, então este material, muito abundante na região, pode fazer parte da atividade.

No início, é importante que os participantes apreendam o espaço, apropriem-se dele. O espaço precisa ter uma estrutura fixa, que vai sendo aos poucos organizado numa parceria entre professor e alunos. Pode ser na própria sala, num pátio coberto, no refeitório a escola. O nome da atividade, oficina de percurso, parte da idéia de que a sala de aula seja transformada em um ambiente propício e estimulante para o trabalho artístico pessoal, inspirado em ateliês de artistas.

A regularidade é fundamental para este tipo de atividade, por isto é importante que a constância seja definida pelo professor e comunicada as alunos. Contar para eles qual é o dia da semana em que irá ocorrer, marcar em um calendário ou quadro de rotina as datas e horários, ajuda os alunos a se organizarem no tempo e projetar idéias.

Diferente das situações propostas pelo professor, na oficina de percurso são os alunos que pensam nas propostas, a modalidade e materiais que precisam para concretizar suas idéias.

Atividades
Organize uma bancada com materiais variados para que os alunos façam escolhas do que desejam realizar.

Para que as escolhas aconteçam de maneira autônoma, é necessário que os materiais oferecidos sejam conhecidos, que tenham sido utilizados em situações de propostas. Desta maneira, os alunos poderão aprofundar suas pesquisas em relação aos meios, suportes e ferramentas, de acordo com seu desejo, desenvolvendo pesquisas pessoais.

  • Selecionar materiais de pelo menos duas modalidades - desenho e colagem, por exemplo

Uma gama reduzida de meios, suportes e ferramentas pode ser selecionada segundo critérios de possibilidades de novas combinações e descobertas, favorecendo a familiarização e um movimento autônomo na criação.

  • Organizar a primeira oficina, para que sirva como referencia para as seguintes

Uma estrutura fixa pode ser organizada aos pouco e de modo compartilhado entre alunos e professor.

Professor e alunos podem pensar juntos:

  • Quais os materiais poderão estar disponíveis?
  • Como ficarão dispostos?
  • Como as carteiras podem ser reorganizadas?
  • Os bancos do pátio podem servir de bancadas?


Ver imagens de ateliês pode ajudar na concepção do espaço e organização dos materiais O professor vai orientando para que os materiais sejam organizados por tipos.

Assim, neste primeiro contato com a oficina de percurso, um longo tempo precisa ser dedicado à apresentação da atividade, mas os alunos também precisam experimentar o que significa estar em oficina, por isto é importante reservar pelo menos meia hora para a realização de trabalhos pessoais. Solicitar que conforme forem finalizando os trabalhos, pendurar em varal para que possam ser apreciados posteriormente.

É importante orientar para que peçam apoio dos colegas durante a produção, e se necessário, do professor.

O professor deve observar os alunos durante toda a atividade, fazendo intervenções individuais, conforme identifique a necessidade. Estas intervenções podem ser para dar apoio técnico, para conhecer mais o processo de cada um, para indicar caminhos e debater sobre idéias.

2ª etapa 

Apreciar os trabalhos realizados na oficina anterior pode ser um bom encaminhamento para a continuidade do processo iniciado.

Proponha aos alunos que compartilhem escolhas, conquistas e resultados. É importante que o professor analise antes da aula os trabalhos que serão apreciados, para planejar boas perguntas sobre eles. Não é necessário apreciar todos os trabalhos. Pode ser feita uma seleção dos que serão apreciados a partir de diferentes critérios, de acordo com o objetivo da apreciação.

Para uma primeira apreciação, uma sugestão é apreciar as modalidades que foram consideradas na oficina - desenho, pintura, colagem, escultura - e as possibilidades de combinação de modalidades e mistura de materiais, ou seja, o caráter experimental da atividade. Isto não significa que os alunos que preferem trabalhar única e exclusivamente com uma modalidade e material não possam realizar trabalhos de qualidade. Ao contrário, esta pode ser a idéias de uma próxima apreciação. Outra possível é debater sobre o tempo de realização de cada trabalho. Enquanto em uma oficina alguns alunos realizam mais de um trabalho, outros podem levar algumas aulas para finalização, o que precisa ser reconhecido entre os alunos como marca pessoal.

Outras sugestões de propostas para apreciação:

  • Diante dos trabalhos de todo grupo, conversar sobre o processo de cada um, como tiveram a idéia do trabalho, mudanças no percurso.
  • Selecionar um trabalho de cada modalidade, de alguns alunos, para debater sobre as suas características, os materiais utilizados, outras possibilidades.
  • Selecionar alguns trabalhos na mesma modalidade, de diferentes alunos, para observar semelhanças e diferenças, e trocar possibilidades dentro da mesma modalidade.
  • Selecionar vários trabalhos do mesmo aluno para observar marcas pessoais
  • Trazer imagens de trabalhos de diferentes procedências para estabelecer diálogos entre a produção dos alunos e de outros agrupamentos.


Sucessivas apreciações, quando cuidadosamente planejadas, ajudam os alunos a aprender a falar sobre o que fazem, para além de bonito, feio, gostei de fazer, legal. Além disso, as propostas de apreciação favorecem a valorização da própria produção e a de outros.

Após a apreciação, que pode ocupar aproximadamente 20 minutos da oficina de percurso, partir para a produção. A oficina já deve estar organizada, na mesma estrutura da aula anterior, apenas com as modificações necessárias para tornar o espaço e organização de materiais mais adequados. Munidos das informações que circularam durante a apreciação, cada aluno pode partir para sua pesquisa artística pessoal.

3ª etapa 

Conforme a aquisição de autonomia para a criação for crescendo a gama de materiais devem ser ampliadas e a freqüência das oficinas de percurso bem como o tempo de duração da atividade também.

Além do desenho e colagem, podem ser incluídos materiais para realização de pintura. Quando uma nova modalidade passa a integrar a oficina, os alunos precisam ser comunicados e o espaço reestruturado para comportar esta alteração sem prejudicar a organização e a autonomia dos alunos. Para a pintura, podem ser reservados diferentes espaços, por exemplo, sobre a mesa, no chão para grandes formatos e na parede para aqueles que preferem pintar na vertical. As diferentes possibilidades de posição do suporte implicam em diferentes gestos para pintar, por isto, é importante que os alunos conheçam estas possibilidades também na situação de propostas (seqüência didática).

Produto final 

Exposição de pelo menos 3 trabalhos de cada aluno que revelem suas marcas pessoais. Pode fazer parte da exposição um pequeno texto escrito pelo próprio aluno, para que conte aos visitantes algumas características de seu processo criador. As visitas podem ser acompanhadas pelos próprios alunos que podem fazer relatos sobre seu processo. Uma oficina de percurso pode ser oferecida aos visitantes, para que eles experimentem também esta estratégia.

Avaliação 

É importante que ao longo de quatro oficinas de percurso, todos os alunos possam ser observados durante o processo. Quanto mais o professor conhecer características do percurso de cada aluno, mais precisas serão suas intervenções.

Avaliações do grupo todo precisam ser realizadas periodicamente, uma vez que as oficinas de percurso revelam o que os alunos sabem e o que mais precisam saber. Por exemplo, se o professor observa que nas colagens realizadas por alunos que escolheram trabalhar nesta modalidade, que podem conhecer mais possibilidades e procedimentos, o professor pode planejar uma seqüência para todos os alunos que favoreça um aprofundamento em relação a modalidade.

Créditos:
Marisa Szpigel
Formação:
Formadora do Instituto Tomie Otake
Autor Nova Escola

COMPARTILHAR

Alguma dúvida? Clique aqui.