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O revolucionário comunista que é ícone do capitalismo

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Analisar as condições que levaram à Revolução Cubana e à idolatria a Che Guevara

Conteúdo(s) 

 

Ano(s) 
Tempo estimado 
3 aulas
Material necessário 

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Nesta semana VEJA traz uma crítica ao filme Che, que estréia ainda neste mês nos cinemas brasileiros. O texto faz uma análise dos principais aspectos da obra e mostra como o mito de Che Guevara foi construído também em outro título, Diários de Motocicleta. Use a revista como ponto de partida para apresentar aos alunos um pouco da conturbada história do médico argentino e os fatores que levaram à Revolução Cubana e à implantação do socialismo na ilha.

Depois da leitura de VEJA, pergunte à moçada o que eles sabem a respeito da Revolução Cubana. Avalie se conhecem a situação do país antes da revolução e o papel dos Estados Unidos naquele contexto histórico. Conte a eles que Cuba, antes da tomada de poder por Fidel Castro, era uma ilha que funcionava como colônia de férias para turistas norte-americanos e europeus. Sua produção industrial era muito pequena e sua produção agrícola, pouco desenvolvida. A ilha era governada por Fulgêncio Batista, que chegou ao poder por meio de um golpe militar. Ele, na verdade, era um títere dos norte-americanos, com pouca autonomia política. Boa parte da população vivia na miséria e incontáveis doenças (algumas já amplamente superadas pela medicina da época) eram comuns no país. Além disso, o índice de analfabetismo era muito elevado.

Em 26 de julho de 1953 houve uma primeira tentativa de revolução. Foi quando Fidel Castro se destacou, atacando o quartel de Moncada, com um pequeno grupo de companheiros. O ataque fracassou e todos foram encarcerados. Fidel, após 22 meses de prisão, procurou exílio no México e lá preparou uma nova tentativa. Foi nessa época que conheceu o médico argentino Ernesto Che Guevara e o encontro selou o destino de ambos. Fidel escreveu sobre o jovem médico em seu diário: "O Che tinha uma formação revolucionária mais sólida que a minha, ideologicamente falando. Do ponto de vista teórico, estava mais bem preparado, era um revolucionário mais adiantado que eu".

Em 26 de novembro de 1959, o navio Granma tomou rumo à ilha de Cuba com uma carga não declarada. A sublevação popular estava prevista para o dia 30, em Santiago de Cuba. Mas, surpreendido por uma tempestade, o velho barco encalhou no charco de Beliz, longe da praia Niquero e do dispositivo de recepção que estava programado. Para escapar do massacre, só havia uma saída: a Sierra Maestra. Lá, juntaram-se aos camponeses simpáticos à causa revolucionária prometendo-lhes a tão esperada reforma agrária.

Após diversas batalhas, ganhas com o apoio dos campesinos e também daqueles que habitavam as cidades, em 3 de janeiro de 1959 Havana caiu nas mãos dos rebeldes. Os insurretos tinham vencido. A revolução estava em marcha. Proclamado "cidadão cubano de nascimento", Ernesto Che Guevara foi imediatamente nomeado para a direção do Banco Nacional de Cuba e, dois anos depois, indicado para o Ministério da Indústria.

Durante essa fase houve vários expurgos e assassinatos, muitos deles comandados pelo próprio Che. Isso o filme não aborda. Pergunte aos alunos: será que há uma manipulação do diretor para a construção do mito heróico de Che Guevara? Por que já foram feitos dois filmes sobre o argentino e nenhum deles aborda as violências cometidas por ele no poder? Encomende uma pesquisa sobre a vida e a obra de personagens históricos que viraram mito. Nessa relação podem estar figuras políticas - como Adolf Hitler e Mao Tsé-tung - e celebridades - como Marilyn Monroe e James Dean. Como a história e a mídia constroem esses mitos?

As cores da revolução: Andy Warhol foi fundamental para celebrizar a imagem de Che. Foto: reprodução
As cores da revolução: Andy Warhol foi fundamental
para celebrizar a imagem de Che. Foto: reprodução

 

2ª etapa 

Retome a questão de que Che Guevara é muito conhecido por suas façanhas heroicas, mas pouco se fala sobre sua participação no governo de Cuba ou os expurgos e assassinatos comandados por ele. Analise a lista de mitos trazida pela turma e espere para comentá-la.

Cite que, na obra Mitos e Mitologias Políticas, Raoul Girardet elabora um excelente ensaio de exploração do imaginário político dos séculos XIX e XX na França, inspirado nas ideias de Bachelard e Lévi-Strauss. O autor nos mostra como os grandes momentos de surgimento dos mitos corresponderam sempre a épocas de crise, de mutação ou de ruptura. Será que o mito de Che foi formado num desses instantes? E os personagens trazidos por seus alunos, foram produzidos em que momentos históricos e especificidades sociais e políticas?

Aproveite essa aula para falar sobre a obra de Andy Warhol. O artista mais importante da pop art caracterizou seus trabalhos por retratar celebridades ou objetos de consumo de uso diário. Apesar de ser fã de celebridades e de entender o caráter transitório da fama, seu interesse estava no público e em sua devoção a uma figura como um símbolo cultural de uma época, uma figura criada pela mídia. Deixe uma indagação no ar: não é irônico que o revolucionário comunista tenha virado um ícone do capitalismo, com o rosto estampado em milhões de camisetas, jaquetas, pôsteres e toda uma ampla gama de produtos?

Ícone pop: produtos com a estampa do revolucionário argentino são um sucesso de vendas. Foto: divulgação
Ícone pop: produtos com a estampa do revolucionário 
argentino são um sucesso de vendas. Foto: divulgação

 

3ª etapa 

Apresente à turma uma pequena pesquisa na mídia, com textos sobre a situação política, econômica e cultural da ilha hoje em dia. Explique que Cuba, gradativamente, está se abrindo ao mundo capitalista, mas mantém um rígido sistema político baseado em ideais socialistas e comandado por Raúl Castro, irmão de Fidel.

Não deixe de citar que o sistema de saúde é invejável. Por outro lado, há racionamento de gêneros alimentícios e de combustível. Até 2008, telefones celulares eram proibidos no país, assim como computadores, televisores de 19 e 24 polegadas, alarme de carro, fornos de microondas e outros aparelhos eletrônicos.

Com base nessas informações, encomende um texto em que os jovens avaliem os resultados da Revolução Cubana, passados 50 anos, e respondam à pergunta: se estivesse vivo, o que Guevara acharia do presente de Cuba?

Quer saber mais?

BIBLIOGRAFIA
Mitos e Mitologias Políticas, Raoul Girardet, Cia. das Letras, tel. (11) 3707-3500

FILMOGRAFIA
Diários de Motocicleta
, 2004, de Walter Salles, Buena Vista International, tel. (11) 5504-9400

 

Créditos:
Ricardo Barros
Formação:
Professor de História do Colégio Paulista, de São Paulo.
Autor Nova Escola

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