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O potencial econômico do extrativismo na Amazônia

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Informar sobre os problemas associados ao extrativismo vegetal na floresta Amazônica

Conteúdo(s) 

 

 

Ano(s) 
Tempo estimado 
2 Aulas
Material necessário 

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Reportagem de Veja

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

Balas e cremes para a pele, sabonetes, xampus, sucos, bebidas energéticas e antienvelhecimento, produtos mencionados pelo texto da reportagem de VEJA, são fabricados nos Estados Unidos e têm como matéria-prima principal o açaí. A frutinha amazônica, de sabor amargo e com mais caroço do que polpa, é pivô de uma megaoperação de marketing na terra do Tio Sam. Mas, para os brasileiros, não passa de alimento alternativo. Por que o país não aproveita o potencial comercial do produto? Esta lição pode ajudar os estudantes a encontrar a resposta.

Antes da leitura da reportagem, forneça dicas sobre o objeto da aula. Diga que ele possui cálcio, ferro, vitaminas A, B1 e E, carboidratos, proteínas e fibras. Seu consumo regular contribui para o fortalecimento de músculos e ossos e melhora a oxigenação do sangue. Como cultura, gera milhares de empregos em vários estados da Amazônia. Ninguém sabe ainda do que se trata? Acrescente que esse produto pode ser colhido e transportado pelas populações ribeirinhas sem prejuízo ambiental para a maior floresta tropical do planeta. Enfim, não são poucas as vantagens associadas ao cultivo e à extração do açaí.

Partilhe os conteúdos de VEJA e provoque a turma com algumas questões: o que representa a coleta e o processamento do açaí para as populações da Amazônia? Existem outros recursos da flora da região com potencial para seguir a mesma trilha de sucesso da frutinha roxa? O açaí pode ser considerado mera "bola da vez" de nosso destino de exportador de bens primários agrícolas e agroflorestais?

Mostre que a extração e o beneficiamento do açaí, assim como de outros produtos da mata - caso do guaraná, do cupuaçu, da pupunha, do bacuri, e da castanha-do-pará, entre tantos - representam hoje uma opção econômica viável e sustentável. Talvez alguns alunos desconheçam parte dessas plantas e seus frutos. Se for o caso, encomende breves estudos a respeito de cada um.

GUARANÁ E CASTANHA
Não é difícil associar essas frutas nativas da Amazônia a exemplos de sucesso entre os consumidores brasileiros. Mas o que falta para que o mundo inteiro os descubra?

Fotos Ronaldo Kotscho; Alfredo Franco; Fabio Castelo; Alex Moreira e Arnaldo Klajn

Fotos Ronaldo Kotscho; Alfredo Franco; Fabio Castelo; Alex Moreira e Arnaldo Klajn

Lembre a todos que, sobretudo entre as décadas de 1960 e 1980, a Amazônia foi alvo de um grande conjunto de projetos de desenvolvimento econômico fundamentados em forte intervenção estatal (não por acaso, a época se confunde com a ditadura militar que assolou o país). Num primeiro momento, foram postos em prática planos de integração da região ao território nacional, com a construção de diversas rodovias - como a Transamazônica -, a concessão de incentivos fiscais a empresas e a criação de ambiciosos projetos de colonização agrícola - muitos dos quais configuraram fiascos retumbantes.

Converse sobre a estratégia seguinte. Mais seletiva, ela foi marcada pela implantação de pólos regionais de desenvolvimento agrícola, mineral e industrial (Carajás, no sudeste do Pará, e a Zona Franca de Manaus são bons exemplos). A hidrelétrica de Tucuruí e a ferrovia Carajás-Itaqui estão entre os principais investimentos do período.

Estimule a classe a refletir sobre esse aspecto do tema. Por que tal modelo de progresso não vingou? Quais são os novos contextos surgidos a partir daí que levaram a uma revalorização dos recursos amazônicos? Encomende estudos em grupo. Diga que os resultados serão examinados de forma coletiva na aula seguinte.

JABUTICABA, MARACUJÁ e CAJU
Que tal desafiar a classe a criar planos de marketing simulando uma entrada triunfal dessas frutas no supercompetitivo mercado americano? Que qualidades de cada uma merecem ser exaltadas?

Fotos Ronaldo Kotscho; Alfredo Franco; Fabio Castelo; Alex Moreira e Arnaldo Klajn

Fotos Ronaldo Kotscho; Alfredo Franco; Fabio Castelo; Alex Moreira e Arnaldo Klajn

Fotos Ronaldo Kotscho; Alfredo Franco; Fabio Castelo; Alex Moreira e Arnaldo Klajn

 

2ª etapa 

Busque conclusões consensuais para o exercício iniciado na primeira aula. Em seguida, ressalte que, nos últimos anos, a forte pressão em esfera nacional e internacional pela preservação da Amazônia, aliada aos parcos benefícios sociais dos modelos econômicos anteriores, impulsiona a busca por alternativas econômicas. Uma delas é a exploração de produtos florestais - basicamente, a coleta, o beneficiamento e a comercialização de incontáveis bens. Além das frutas tropicais, óleos vegetais, pescado e ecoturismo passaram a fazer parte de uma "cesta" de opções que se valem da rica biodiversidade regional.

Duas das características que permitem explicar a força comercial do açaí são a extrema versatilidade e a alta produtividade. Tudo dele pode ser aproveitado: a polpa (pra fins diversos), as sementes (em artesanato e no fabrico de adubos), as folhas do açaizeiro (em habitações) etc. Apesar das inegáveis vantagens socioambientais e da rentabilidade potencial de determinados bens florestais, falta avançar muito nos investimentos em pesquisa sobre biotecnologia, regulamentação de marcas e patentes (leia e comente o quadro ao lado) e combate à biopirataria. Num cenário de baixa incidência desses mecanismos de proteção, proliferam empresas estrangeiras com acesso a grandes mercados.

Avaliação 

Sugira a realização de uma pesquisa enfocando o aproveitamento sustentável de bens agroflorestais da Amazônia. Cite o açaí como ponto de partida. As fotos que ilustram este roteiro também podem aguçar a curiosidade geral. Finalize encomendando dissertações individuais sobre o tema.

Marca registrada

"Como alguém pode roubar o nome de uma fruta?", perguntavam-se em 2002 os caboclos da cooperativa Doces Tropicais, do interior do Amazonas, ao saber que não poderiam exportar para a Alemanha as guloseimas que fabricavam à base de cupuaçu. Tudo porque, em 1998, as empresas japonesas Asahi Foods e Cupuaçu Corporation haviam registrado o nome da fruta brasileira como marca comercial de alcance global. Uma campanha contra a biopirataria liderada pelo Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), rede que articula mais de 500 entidades não-governamentais, culminou com a abertura de um processo administrativo contra o registro, efetuado pelo Escritório de Marcas e Patentes do Japão. A denúncia argumentou que o nome não era um diferencial de identidade comercial, e sim uma palavra de origem indígena que caracteriza a própria fruta para a população brasileira. Em 1º de março de 2004, após intensa mobilização de ONGs e governos de várias partes do mundo e a promoção de debates de âmbito supranacional, a iniciativa do GTA surtiu efeito: o gabinete nipônico cancelou o registro da marca cupuaçu.

Fotos Ronaldo Kotscho; Alfredo Franco; Fabio Castelo; Alex Moreira e Arnaldo Klajn

Fotos Ronaldo Kotscho; Alfredo Franco; Fabio Castelo; Alex Moreira e Arnaldo Klajn

 

Créditos:
Roberto Giansanti
Formação:
Geógrafo e autor de livros didáticos
Autor Nova Escola

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