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O poder e a influência de Roberto Marinho

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Conhecer processos de implantação de meios de comunicação de massa e suas implicações na vida social e na integração territorial do Brasil ao longo do tempo

Ano(s) 
Material necessário 
Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

Todo grande jornal é, à sua maneira, influente. O Globo é apenas um grande jornal. , O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo! Essas frases ajudam a definir o papel e o significado das Organizações Globo no imaginário do povo brasileiro. A primeira, de autoria do recém-falecido Roberto Marinho, revela o poder e a influência que o jornalista e empresário angariou, ampliou e exerceu no país nas últimas sete décadas por meio de seu império das comunicações o maior da América Latina. A outra assertiva foi criada nas grandes manifestações populares do início da década de 1980. Transformou-se em bordão durante a luta pela volta das eleições diretas para a presidência da República e pelo fim da ditadura militar. Nesta edição, VEJA radiografa a figura desse empresário bem-sucedido, fundador da vênus platinada do Jardim Botânico (apelido jocoso da TV Globo) e de suas relações com a política, a cultura e a história brasileiras. Use a reportagem como ponto de partida para discutir a influência dos meios de comunicação no nosso cotidiano e analisar como Roberto Marinho contribuiu para a formação de uma certa identidade nacional.

Pergunte que imagem a turma tem da Rede Globo. Liste, entre os programas da emissora carioca, os favoritos da moçada. Vale lembrar que a maior parte dos estudantes nem havia nascido quando se deu a campanha das Diretas Já, nos anos 1980. Muitos ainda engatinhavam quando a controvertida edição do debate entre Fernando Collor e Luis Inácio Lula da Silva, então candidatos à presidência, veio a público pelo Jornal Nacional, em 1989. Isso justifica uma revisita a esses episódios com o grupo.

Oriente a leitura da reportagem e incentive comentários sobre o papel dos meios de comunicação de massa no Brasil. Qual a opinião dos adolescentes sobre a qualidade da programação das nossas emissoras de televisão? De forma geral, ela é ruim ou digna de orgulho, se comparada com a de outros países? Há diferença entre o que é exibido pelas redes comerciais e públicas e os canais por assinatura? O que isso significa para a vida cotidiana do povo brasileiro e quais são as conseqüências para a formação da nossa auto-imagem? Apresente o artigo "Rosebud!", de Roberto Pompeu de Toledo, e questione em que medida Roberto Marinho pode ser confrontado com outros magnatas da mídia, como o americano William Randolph Hearst (que inspirou o filme Cidadão Kane) e o brasileiro Assis Chateaubriand.

Informe que a Rede Globo conta hoje com 115 emissoras afiliadas e seu alcance é de 99% do território brasileiro. Lembre que o conglomerado nasceu com um jornal, em 1925, e consolidou seu poder de penetração em três frentes: um acordo com o grupo americano Time-Life, na década de 1960; o vácuo deixado pelas TV Tupi e Excelsior, fortes concorrentes que faliram; e a colaboração, nem sempre implícita, que prestou aos governos militares entre 1964 e 1985 por meio de sua programação. Ressalte que um dos maiores ícones desse poderio é o Jornal Nacional, primeiro programa noticioso da TV brasileira levado ao ar em rede nacional, alvo de críticas constantes por causa da forma como divulgou alguns episódios da nossa história recente. Nesse sentido, pergunte quem já ouviu falar do chamado padrão Globo de qualidade, baseado no apuro técnico de programas de dramaturgia, entretenimento e jornalismo. De que modo ele se diferencia daquele apresentado pelas emissoras concorrentes?

Enfatize que a atuação das Organizações Globo envolve a publicação de revistas e livros, a produção de filmes, vídeos, conteúdo para a internet, discos e a administração de uma TV por assinatura. Isso mudou o tratamento com a opinião pública? De onde vêm os recursos para tantos investimentos? A turma deve fazer referência ao mercado publicitário do qual a Rede Globo detém a maior parte dos investimentos, justificados pela audiência média, geralmente superior a 60% no horário nobre.

Exercícios
Peça que a turma faça um levantamento da programação das emissoras locais em seu estado. Qual é a porcentagem de tempo dedicada às notícias locais e regionais? Lembre que muitas estações de TV limitam-se a retransmitir a programação gerada na sede das grandes redes nacionais.

Leia para o grupo o texto do quadro abaixo e depois proponha que todos escrevam uma dissertação relacionando os conteúdos da programação produzida no Sudeste e seus efeitos na formação de identidades culturais em outras regiões do Brasil.

Cite outros dados. Quando a TV chegou ao Brasil, havia poucas antenas de transmissão por aqui. Os receptores captavam a programação num raio de apenas 100 quilômetros. Na década de 1960, o desenvolvimento tecnológico, que propiciou o surgimento do videoteipe, das transmissões por microondas e dos satélites, permitiu a construção das redes nacionais. Os contratos entre as estações regionais e as geradoras (chamadas de cabeças de rede) passaram a exigir a "afiliação", ou seja, o compromisso de só exibir nas retransmissoras o que é produzido pelas matrizes. Sugira que ao criar a redação, a turma aborde também o mercado de câmaras e vídeos, a presença das TVs públicas e a segmentação da TV por assinatura. Esses elementos abrem espaço para a produção local e regional e impedem a mera difusão do sotaque e dos gostos de cariocas e paulistas?

Texto de apoio
Branca, elitista e européia

Se são muitas as identidades nacionais, nem todas passam pela TV. Os diversos atores sociais nem sempre surgem como protagonistas, vivendo as próprias histórias e proclamando seus valores culturais. A TV brasileira, assim como o próprio país, é controlada por uma elite majoritariamente branca, radicada no Sudeste mas exógena, voltada para a Europa e os Estados Unidos, de onde acredita provir todo o progresso e a civilização que a espécie humana pode almejar.
Extraído do artigo Antenas de Brasilidade, de Gabriel Priolli

BIBLIOGRAFIA
A TV aos 50
, Eugênio Bucci (org.), Ed. Fundação Perseu Abramo, tel. (011) 5571-4299
Dicionário da TV Globo, Jorge Zahar Editor, tel. (021) 2240 0226

INTERNET
O site Veja na Sala de Aula oferece um plano de aula sobre a força dos meios de comunicação em nosso país. Acesse o texto "Avalie com a Turma a Trajetória do Rádio e da Televisão no Brasil", publicado na edição 23, ano 6, do Guia do Professor

 

Créditos:
Roberto Giansanti
Formação:
Geógrafo e autor de livros didáticos
Autor Nova Escola

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