Aqui você pode pesquisar os planos existentes

 


O jazz na sala de aula: trabalhe com improvisação e repertório

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 
  • Propor uma abordagem musical para estudar elementos do gênero jazz.
  • Oferecer atividades de apreciação e criação musical relacionadas ao jazz.
  • Promover um momento de improvisação musical em sala de aula.
Conteúdo(s) 

Apreciação musical ativa, forma musical, imitação rítmica, cânone rítmico, criação musical, improvisação.

Ano(s) 
Tempo estimado 
1 aula
Material necessário 

Gravações de obras consideradas emblemáticas do gênero jazz; aparelho de som de boa qualidade; desenhos ou fotografias de instrumentos musicais utilizados nas canções de jazz e de artistas famosos do gênero; quadro de giz ou similar; espaço físico amplo (por exemplo, sala de aula com carteiras encostadas nas paredes).

Reportagens: 

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

O jazz é um gênero musical norte-americano em constante transformação. Ao longo do século 20, bebeu de várias fontes, como o blues, o ragtime, as canções de trabalho e o negro spirituals dos trabalhadores de New Orleans, Chicago e New York. Teve fases de popularização, outras de culto ao gênero "clássico"; de moderação e  agressividade. Como apresenta a reportagem E o jazz, quem diria, virou pop, o jazz passa por uma revitalização, disseminado entre os jovens com muita criatividade e inquietude. Permanecem, porém, dois princípios do gênero: a improvisação, técnica das mais características; e o repertório, matéria-prima para improvisar. Já a reportagem É a maior! trata de um ícone desse estilo musical, Billie Holiday. Ela é considerada uma das maiores cantoras de jazz de todos os tempos, com sua voz frágil e de pequeno alcance. Esse ano, comemora-se o centenário de seu nascimento. Aproveite as reportagens e este plano de aula para discutir o jazz com a turma.

Comece a aula com uma obra característica de jazz como "pano de fundo", para suscitar a curiosidade sobre o assunto do dia. Apresente aos alunos dados sobre a conturbada história deste gênero musical, enfatizando a não-linearidade de sua evolução. Aproveite os dados do site ejazz, em que a história e os elementos musicais fundamentais do jazz estão publicados de forma concisa, com base em uma série de livros sobre o assunto. Destaque que o jazz é um gênero musical norte-americano em constante transformação. Ao longo do século 20, bebeu de várias fontes, como o blues, o ragtime, as canções de trabalho e o negro spirituals dos trabalhadores de New Orleans, Chicago e New York. Teve fases de popularização, outras de culto ao gênero "clássico"; fases de moderação, ou de agressividade.

Apresente à classe a reportagem E o jazz, quem diria, virou pop,  sugerindo a leitura coletiva. Promova uma discussão em sala sobre a continuidade do processo de mudanças na história do jazz nos dias de hoje, procurando evidenciar a vitalidade do gênero. Peça que os alunos procurem no texto algumas palavras-chave sobre o jazz: termos que, ao longo da reportagem, ajudam a definir o gênero e as suas mudanças frente ao trabalho dos artistas citados. A partir do resultado, aponte duas das palavras que podem ter sido destacadas pelos alunos: improvisação (que aparece diversas vezes no texto) e repertório (também considerando a quantidade de artistas, bandas, compositores e outros gêneros musicais citados). Proponha a realização de atividades musicais para trabalhar estes dois conceitos - afinal, nada mais apropriado para uma aula sobre jazz.

Em seguida, trabalhe com a reportagem É a maior!. Faça uma leitura em voz alta e peça que os alunos prestem atenção sobre a importância dada à voz humana nesse gênero musical.

Proponha a realização de atividades musicais para trabalhar improvisação e repertório.

 
2ª etapa 

Imitação rítmica

Para dar início às atividades, proponha um exercício em que todos os alunos devem ficar em pé, em roda, junto com o professor.

Os objetivos da atividade são:

1) exercitar a concentração dos alunos, que precisam prestar atenção aos gestos do professor (ou de um aluno voluntário);

2) proporcionar a experiência do fazer musical em conjunto, respeitando uma hierarquia: enquanto o "solista" toca, os outros apenas ouvem, em silêncio, esperando a sua entrada;

3) promover uma experiência musical em grupo;

4) explicar o que é um cânone rítmico.

Para começar a atividade, bata palmas, como quando se canta o "Parabéns a você". Mas não bata várias vezes: faça apenas quatro batidas. Em seguida, mantendo o pulso, os alunos devem repetir as quatro batidas. Tudo isso deve ser realizado sem combinações verbais prévias; no máximo, avise que os alunos deverão repetir o que você fizer. Então, bata as palmas quatro vezes e simplesmente dê um sinal que indique que a sua parte acabou, e que a deles deve começar.

Após as oito batidas (quatro suas e quatro dos alunos), continue batendo em ritmo constante, mas troque a parte do corpo "tocada". Por exemplo, bata com as duas mãos nas coxas (quatro vezes, depois imitação dos alunos). Prossiga, sempre no ritmo, trocando novamente: experimente utilizar barriga, peito, estalos de dedo, pequenas batidas dos dedos indicadores na cabeça, pés no chão etc. Se houver tempo e disposição da turma, peça a um voluntário que tome a dianteira da atividade, compondo uma nova sequência, explorando diferentes timbres do corpo.

Como variação, dificulte a atividade: enquanto os alunos repetem o primeiro conjunto de quatro sons, inicie já um segundo, com outro timbre corporal. Quando os alunos começarem a repetir o segundo conjunto, inicie um terceiro, e assim sucessivamente. Por fim, um aluno pode ser convidado a propor uma nova sequência, desde que domine a lógica da atividade. O esquema desta variação pode ser resumido da seguinte forma, sendo +, _, > e # diferentes timbres corporais:

JAZZ

 

Ao final da atividade, explique a estrutura desta breve composição: em música, chama-se isto de "cânone". Um cânone se caracteriza justamente por uma sequência de elementos musicais emitidos por um instrumento, uma voz ou um grupo instrumental ou vocal, repetidos da mesma forma por outro, mas com uma defasagem de tempo. Ou seja, o segundo grupo inicia sua participação quando o primeiro já está na segunda parte da sequência.

 
3ª etapa 

Apreciação musical

Com os alunos sentados no chão, proponha um momento de escuta musical. Leve para a sala de aula uma peça característica do gênero jazz e ouça com os alunos. De preferência, procure uma música que não seja muito longa, pois cortá-la no meio seria prejudicial para o objetivo da atividade.

Terminada a música, peça que os alunos identifiquem os instrumentos que ouviram. Se possível, mostre fotografias ou desenhos dos instrumentos e/ou de músicos emblemáticos do gênero, sempre os contextualizando de forma histórica.

Pergunte aos alunos quando ouviram cada instrumento: soando sozinhos ou ao mesmo tempo, em conjunto? A partir daí, ouça a música uma segunda vez e apresente o esquema abaixo, utilizando dois termos musicais, tutti (todos os instrumentos) e solo (destaque para um instrumento).

JAZZ

Esta planificação é uma forma de "enxergar" a canção. A utilização de formas geométricas, como os retângulos (e eventualmente de traços para representar as partes de solo) é bastante eficiente.

Explique que, em música, esse conjunto de pequenas partes que compõe uma peça recebe o nome de forma musical. Identificar a forma de uma obra ajuda a entender aquilo que é a característica mais fundamental da música: sua subordinação ao tempo (afinal, acabando a onda sonora, acaba a música). A única forma de fazer com que o cérebro interprete e ponha ordem aos estímulos ouvidos é organizá-los em alternância de trechos de repetição e contraste de material sonoro. No caso da forma musical acima, há uma repetição de partes musicais de tuttiinstrumental, intercaladas a momentos de solo. Procure mostrar esses princípios aos alunos, destacando que a alternância de solistas é a base para a atividade seguinte.

 
4ª etapa 

Criação musical - improvisação em grupo

Os alunos devem estar novamente em pé, em roda. Lentamente, balance o corpo batendo os pés no chão com suavidade, marcando um ritmo regular (em média, na velocidade de sessenta batimentos por minuto, ou seja, com duração de um segundo). Conte de um a oito e então recomece. Peça aos alunos para que contem juntos, mas falando com intensidade de voz fraca.

Todos devem contar de um a oito enquanto você, batendo palmas, cria uma sequência rítmica livre com duração de oito tempos. Voltando ao exemplo do "Parabéns a você": é como se os alunos estivessem batendo o ritmo constante nos pés, e, você, com as palmas, estivesse reproduzindo o ritmo das palavras: "Parabéns a você, nesta data querida (...)". Atenção: isto deve durar apenas oito tempos. Quando acabarem os oito tempos, deixe que os alunos contem oito tempos "em branco", ou seja, sem tocar nada mais. Depois, repita o exercício, duas ou três vezes, utilizando outros timbres corporais (palmas com as mãos em forma de concha, dois dedos abertos contra a outra palma etc.). Verifique sempre o andamento da batida dos pés, ou seja, não deixe que o grupo acelere os batimentos.

Proponha uma composição coletiva com alguns trechos de oito tempos, em que todos serão o tutti, e você, o solista. Desta vez, todos baterão palmas durante oito tempos, criando uma seção de tutti, alternando a trechos com oito tempos de batidas improvisadas do professor. Introduza o termo improvisação ao falar com os alunos, insistindo que improvisar é criar instantaneamente no momento da execução, isto é, sem planejamento prévio, mas de acordo com certas regras.

Organize o exercício de composição coletiva. Desta vez, a música começará com uma seção de tutti. O primeiro solista será você, tocando durante oito tempos. Em seguida, durante a segunda seção de tutti, você deverá olhar fixamente para um dos alunos, que será o segundo solista. No terceiro tutti, o segundo solista olhará fixamente para um colega, que será o terceiro solista. A música prossegue até que um dos alunos solistas crie um gesto que claramente indique a finalização da música naquela seção.

Retomando o conceito de improvisação, reflita com a turma sobre a prática que acaba de acontecer. Qual foi a regra que permaneceu durante os momentos de improvisação? Para este exercício, a resposta é a duração: as seções de solo tiveram a uniformidade de oito tempos.

Por fim, apresente aos alunos uma última audição da peça escutada anteriormente, e solicite que eles relacionem o exercício coletivo em sala com a música, identificando seções de tutti e solo.

Observações

Pense nas possíveis relações desta aula com outros momentos de aprendizado musical. Por exemplo, aproveite os conceitos de solo e tutti para estudar outros gêneros musicais e/ou estilos - como os concerti grossi do período barroco. Voltando ao primeiro texto de VEJA, mostre aos alunos a necessidade que os instrumentistas de jazz têm de conhecer muito material musical para conseguir fazer boas improvisações, e mesmo o quanto o conhecimento de diferentes gêneros e estilos musicais é o que acabou transformando o próprio jazz. Evidencie a importância de se conhecer outros repertórios, sempre levando exemplos diferentes para a sala de aula.

Outra opção é, a partir do importante conceito de forma musical, promover outros momentos de apreciação, execução e criação musical utilizando diferentes organizações de seções musicais - como a chamada "forma ABA", em que há uma sequência musical (espécie de "refrão") - parte A -, em seguida uma sequência intermediária contrastante -  B -, e por fim um retorno ao refrão - A. Procure utilizar diferentes métodos de planificação da forma (escrevendo no quadro, ou usando recortes de papel) para tornar possível a visualização da música.

 
Avaliação 

A proposta para esta aula é que os conceitos de cânone, improvisação, forma musical e repertório sejam definidos não por meio de explicações expostas em livros de teoria musical, mas sim por meio de uma experiência musical. Desta forma, deve haver um comprometimento dos alunos na medida em que é necessário participar e concentrar-se nas atividades para que estas definições apareçam naturalmente no decorrer das discussões. A partir daí, avalie o desempenho dos alunos em termos de concentração e participação.

 
Créditos:
Tiago Madalozzo
Formação:
Consultoria Mestre em Comunicação e Linguagens pela Universidade Tuiuti do Paraná e professor assistente do curso de Música - Educação Musical da Universidade Federal do Paraná.
Autor Nova Escola

COMPARTILHAR

Alguma dúvida? Clique aqui.