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O impacto dos símbolos no imaginário coletivo

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Analisar como os símbolos, metáforas e alegorias ideológicas fazem parte do imaginário coletivo

Ano(s) 
Material necessário 

Reportagem da Veja:

 

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

O texto de VEJA esclarece como a abelha se tornou um dos símbolos do império de Napoleão Bonaparte. No entanto, muito antes de esses insetos voarem sobre os campos da batalha da Europa, acompanhando os vitoriosos exércitos franceses, outros bichos já se haviam incorporado ao imaginário social. Um exemplo bem conhecido é o do peixe, símbolo dos primeiros cristãos. No século XVI, surgiram representações da América como terra de selvagens semelhantes aos animais - a exemplo dos personagens da tela Dança Tapuia, de Albert Eckhout, pintor do Brasil holandês. Aprofunde essas idéias, fundamentadas na reportagem "A Grande Colméia Humana", para discutir com os estudantes a utilização de alegorias, metáforas e símbolos ao longo da história, em referência à vida política e social.

Leia para a turma a seguinte afirmação de um pensador medieval: "Tripla é pois a casa de Deus que se crê una: uns rezam, outros combatem, outros ainda trabalham". Proponha algumas questões para discussão: a frase pode ser vista como uma "justificativa arquitetônica" da ordem feudal? O edifício continuou estável quando teve de ser ampliado para abrigar "moradores" mais dinâmicos - os burgueses?

Conte que, durante o processo de ocupação da América, vários livros ilustrados acabaram criando uma versão visual da conquista européia e das populações indígenas. Essas sempre foram representadas de forma caricata, que as aproximava dos bichos, como uma justificativa não só para a conquista material e territorial, como também para o domínio espiritual. Proponha que a turma examine tal processo observando imagens como a pintura Dança Tapuia. Lembre que a desqualificação do "outro", do estrangeiro, daquele que vive numa civilização com valores muito distintos dos nossos, está presente até os dias atuais.

2ª etapa 

Informe que durante o período absolutista na Europa (séculos XVI a XVIII) foram criados vários símbolos reais. O mais forte é o que identificou a monarquia francesa durante o longo governo de Luís XIV, o Rei Sol. Ele passava a idéia de que todo o país gravitava em torno do monarca, tal qual os planetas do nosso sistema orbitam o Sol. Mostre os trajes requintados do soberano francês, na imagem que ilustra este plano de aula, e proponha uma análise do papel do luxo como alegoria do absolutismo real.

Ensine que a Revolução Francesa, iniciada em 1789, criou símbolos poderosos que derrotaram, no plano ideológico, as representações monárquicas. Um desses ícones republicanos foi a bandeira tricolor, conservada no império de Napoleão Bonaparte. Peça que a moçada identifique alguns símbolos presentes na tela A Liberdade Guiando o Povo, de Delacroix (acima). Conte que a bela jovem que personifica a liberdade era uma militante das barricadas parisienses na Revolução de 1830. Pergunte se esse movimento e os levantes de 1848 - conhecidos como Primavera dos Povos - podem ser tidos como desdobramentos da Revolução Francesa.

Conte que, nas últimas décadas do século XIX, intelectuais das potências européias, identificados com a partilha da África e a dominação da Ásia, procuraram justificar o processo de expansão capitalista. Um momento marcante dessa legitimação ideológica foi a defesa do imperialismo inglês feita por Rudyard Kippling no poema O Fardo do Homem Branco. Leia para a turma os seguintes versos do autor britânico:

"Toma o fardo do Homem Branco, as guerras selvagens da paz. Enche o estômago da fome e faz com que cesse a doença. E quando estiver mais próximo nessa busca em favor de outrem, vê como a indolência e a loucura pagã arruínam tuas esperanças".

Abra a discussão: de que modo os alunos analisam essa defesa do imperialismo?

Ensine que o movimento socialista, surgido em torno das idéias de Karl Marx e Friedrich Engels, marcou a política dos séculos XIX e XX. Socialistas e comunistas criaram símbolos de forte impacto, como o hino A Internacional e a bandeira vermelha. Proponha um exame sobre a permanência do estandarte rubro como símbolo de rebeldia e de uma sociedade igualitária (recorde que vários partidos políticos o utilizam até hoje). Explique que os movimentos de direita trataram deliberadamente de criar uma simbologia de forte apelo visual: a bandeira vermelha e negra com a suástica do nazismo é um bom exemplo.

3ª etapa 

Proponha a seguir um estudo sobre alguns símbolos presentes na vida política brasileira. Conte que, durante o período populista (de 1945 a 1964), o maior ícone foi a vassoura, utilizada por Jânio Quadros em suas campanhas eleitorais. Ele foi vereador e prefeito da capital paulista, governador de São Paulo, deputado federal pelo Paraná e depois presidente da República - sucessivas vitórias nas urnas em pouco mais de dez anos. Analise a simbologia da vassoura, facilmente compreensível por um eleitorado em rápido crescimento e com baixo nível de escolaridade (que, portanto, não era suscetível a discussões complexas no campo político e administrativo). Lembre que a vassoura "para varrer a corrupção" permaneceu presente na última vitória eleitoral de Jânio - no pleito para a prefeitura paulistana em 1985.

Avaliação 

A linguagem do futebol como metáfora está presente tanto nos discursos políticos quanto no dia-a-dia. Lugares-comuns como "Em time que está ganhando não se mexe" ou "Você embolou o meio de campo" são ditos a toda hora. Encaminhe uma pesquisa sobre o sentido de outras frases oriundas do universo dos boleiros e que são usadas em nosso cotidiano.

Créditos:
Marco Antonio Villa
Formação:
Professor de História da Universidade Federal de São Carlos (SP)
Autor Nova Escola

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