Aqui você pode pesquisar e adaptar planos já existentes

 


As neves eternas estão virando nuvens. Investigue os motivos

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Discutir as causas do aquecimento global

Ano(s) 
Material necessário 

Reportagem da Veja:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

As fotos do Monte Kilimanjaro sem neve vêm causando impacto no mundo inteiro. Apesar dessa prova eloqüente das conseqüências do aquecimento da Terra, VEJA revela que ainda existe resistência entre alguns cientistas e governos a respeito do alcance do chamado efeito estufa provocado pelas sociedades industrializadas. A reportagem origina uma boa discussão sobre as formas usadas pelas ciências da natureza para dar suporte às conhecidas observações de aumento global de temperatura. Há indicadores estudados em Geografia, História, Biologia, Física e Química. Enfim, trata-se de uma questão ambiental e, como tal, merece um enfoque multidisciplinar.

Apresente um resumo sobre o Protocolo de Kyoto, as metas que devem ser atingidas até 2012 e o mercado de créditos de cotas de emissão previsto no documento, capaz de movimentar cerca de 20 bilhões de dólares por ano. Mostre que isso pode beneficiar o Brasil, graças às matas e florestas do país - desde que não sejam queimadas. Exponha o principal argumento das nações que se recusaram a assinar o tratado. Elas se dizem convencidas de que o desastre econômico advindo desse tipo de controle será maior que as incertezas da existência do fenômeno, cujas causas podem estar relacionadas a outros fatores - ciclos solares ou dinâmicas do relevo, por exemplo. O importante não é fechar a questão, mas apresentar os conhecimentos e técnicas que os cientistas usam para abordá-la, mostrando que o assunto, para ser comprovado, exige uma série complexa de dados. A maioria deles resulta da observação de períodos anormais de ondas de calor e temperaturas mais altas do que as médias históricas em vários lugares.

Destaque que em alguns lugares já há evidências de aumento do nível do mar. Geleiras de montanhas exibem um consistente recuo, assim como se nota menor quantidade de gelo em locais como a Groenlândia. Na Antártica, são detectadas enormes massas de gelo que se desprendem da calota polar de forma jamais vista.
Existem também alguns meios indiretos de perceber essa mudança climática: surtos epidêmicos de doenças transmitidas por mosquitos, mudanças no padrão das estações do ano nas regiões temperadas, tempestades atípicas e maior freqüência de queimadas em florestas. Todos esses fatores estão no domínio da climatologia.

Também a paleoclimatologia oferece provas do aquecimento global. Como pesquisar os dados do passado para entender os padrões climáticos? O professor de Química pode explicar como a taxa relativa de isótopos radiativos encontrados em rochas ou em bolhas retiradas de geleiras revela dados de temperatura. Ao professor de Biologia cabe ensinar que os anéis de árvores com milhares de anos revelam a atividade solar e a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera primitiva. Grãos de pólen fóssil servem como indicadores da distribuição relativa de plantas adaptadas ao calor em tempos remotos. O estudo dos recifes de coral informa sobre a atividade solar, a temperatura e o nível dos oceanos. Até mesmo as inscrições rupestres contêm informações sobre o paleoclima.

De que forma os seres vivos podem indicar alterações climáticas? Os organismos capazes de revelar tais mudanças são chamados bioindicadores e constituem o foco de um assunto relativamente novo em ecologia. Estimule a classe a relacionar as características gerais desses seres com suas reações às alterações climáticas. Os corais, por exemplo, perdem a cor quando a temperatura da água aumenta demasiadamente. Tornam-se brancos e morrem. O fenômeno é associado à relação simbiôntica que eles têm com algas unicelulares. Outro fato interessante é a diminuição das populações de anfíbios, animais sensíveis às alterações de temperatura e também aos fungos aquáticos, que proliferam em ambientes quentes e atacam seus ovos e larvas.

Também as plantas servem como indicadores. A distribuição das florestas subalpinas em montanhas pode recuar significativamente em resposta às alterações climáticas. Esse mesmo padrão é observável ao longo de altas latitudes. Na Península Antártica, existem apenas duas espécies de plantas e já se registram mudanças na distribuição delas.

Feitas essas explanações, proponha uma pesquisa sobre outros organismos indicadores, como mosquitos, vermes do solo, peixes e liquens.

Monte experimentos de laboratório usando a elodea, uma planta aquática que absorve o dióxido de carbono e o libera na respiração. Produza sistemas fechados em tubos de ensaio - com ou sem animais no interior - e meça a presença de dióxido de carbono por meio de marcadores químicos, como o fenol vermelho. Luz, biomassa e quantidade de dióxido de carbono podem ser controlados nesses experimentos. As atividades ajudam a reforçar os conceitos sobre o ciclo do carbono e podem gerar questões importantes relacionadas ao efeito estufa.

Organize uma discussão em torno das hipóteses sobre o fenômeno de aquecimento global. Forme grupos que concentrem seus estudos em cada uma das diferentes frentes: paleoclima, dados climáticos históricos e bioindicadores.

Depois, faça um resumo sobre o ciclo do carbono, procurando mostrar sua amplitude. Ela vai além da passagem desse elemento pelos seres vivos, como é mostrado mais à frente. Uma vez considerados os conceitos, examine a relação entre o efeito estufa e o aquecimento ou esfriamento do planeta. Essas discussões devem suscitar muitas tentativas de solução para o problema. O plantio de florestas é um bom exemplo. Vale mencionar o projeto Floram, aqui no Brasil. Lembre que muitas ONGs sérias, como o Greenpeace, são frontalmente contra soluções desse tipo, pois acreditam que não atacam a raiz do problema - o modelo econômico e tecnológico.

Organize um estudo de campo para obter os registros climáticos históricos da região onde moram os alunos. Outro objetivo é levantar dados obtidos por meio de entrevistas com pessoas idosas e consulta a documentos históricos. Essa pesquisa pode revelar, no mínimo, alterações climáticas locais.

Para ir mais longe
Alguns cientistas argumentam que, se ampliarmos nosso foco temporal para uma escala maior, a conclusão é que o clima do mundo está cada vez mais frio. A causa disso seria um efeito "iglu". Quando isso ocorre, há queda sensível nas emissões de dióxido de carbono devido à diminuição do vulcanismo e à elevação do seqüestro químico de carbono. Esta última é causada pelo aumento das chuvas orográficas nas grandes cadeias montanhosas geologicamente recentes, como Himalaia. Nesses locais, uma grande quantidade de carbono tem sido retirada da atmosfera na forma de ácido carbônico e depois é impregnada no solo, formando rocha carbonática - como o calcário. Alguns podem dizer que a emissão de dióxido de carbono pela queima de combustível fóssil é maior do que aquela liberada pelos vulcões. Isso deve ser levado em consideração, mas é preciso lembrar que em longo prazo a quantidade de carbono movida pelo vulcanismo e por fenômenos geoquímicos supera de longe o volume gerado pela atividade humana.

 

Veja também:

Internet
www.unep.org - Programa ambiental das Nações Unidas. Apresenta dados imparciais sobre a questão do aquecimento global
www.globalwarming.org - Defende interesses daqueles que acreditam que o aquecimento global não é uma certeza
www.climatehotmap.org - Site com dados sobre as questões do aquecimento global

 

Créditos:
Ricardo Vieira dos Santos Paiva
Formação:
Professor do Colégio Santa Cruz, de São Paulo
Autor Nova Escola

COMPARTILHAR

Alguma dúvida? Clique aqui.