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Mudanças políticas e econômicas que interferiram nas moedas brasileiras

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Reconhecer como mudanças políticas e econômicas se refletiram em tantas alterações do nosso dinheiro.

Ano(s) 
Material necessário 

Reportagem da Veja:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

Há quem diga que ele não passa de papel sujo - ou vil metal. O certo é que causa desavença entre os povos, além de erguer e destruir coisas belas. Por ele muita gente já perdeu a cabeça, vendeu a alma ao diabo e até traiu os amigos. Para consegui-lo, nações e corporações se digladiam, comerciantes sem escrúpulos submetem vidas humanas à escravidão e megainvestidores acompanham os altos e baixos do mercado financeiro 24 horas por dia. O que há por trás do dinheiro, esse elemento intermediário das transações econômicas que parece tão natural ao cotidiano de todos nós? VEJA noticia que, perdido o valor monetário, algumas cédulas apresentam outro atrativo: o de objeto de desejo dos colecionadores e numismatas. Eis um bom mote para você examinar as apresentações gráficas e os valores monetários que as cédulas e moedas nacionais adquiriram ao longo do tempo.

Peça que os alunos tragam para a escola exemplares de cédulas e moedas antigas, nacionais e estrangeiras. Providencie cópias da letra da canção transcrita neste plano de aula e distribua para os alunos.

Explore as informações sobre as cédulas brasileiras mostradas por VEJA. Pergunte se os adolescentes já viram algumas delas ou se só conhecem o dinheiro usado hoje. Conte que não é fácil lembrar com precisão a que época pertence cada "família" monetária que circulou no país. Afinal, somente no último século os nomes e a quantidade de zeros da nossa moeda mudou oito vezes, como mostra o quadro abaixo. Explore os modelos. No primeiro, o país ainda se chamava República dos Estados Unidos do Brazil! E de quem é a efígie que estampa a nota de 50 cruzeiros reais?

 

Reformas monetárias

Parece um complicado quebra-cabeça. Ou um truque de mágica, no qual zeros e nomes como mil-réis, cruzeiro, cruzado, cruzeiro real e até URV surgem, desaparecem ou mudam de lugar num piscar de olhos. Mas essa é a história do sistema monetário brasileiro, pelo menos até 1994, quando foi lançado o real. Muitas vezes, como no caso do cruzeiro novo, em 1989, nem dava tempo de imprimir novas cédulas; o carimbo era o recurso utilizado para informar o novo valor do dinheiro.

Até outubro de 1942 - Mil-Réis ($000)


1942 - Cruzeiro (Cr$)


1965 - Cruzeiro Novo (NCr$) 


1970 - Cruzeiro (Cr$)


1986 - Cruzado (Cz$) 


1989 - Cruzado Novo (NCz$)


1990 - Cruzeiro (Cr$) 


1993 - Cruzeiro Real (CR$)


1994 - Real (R$) 


Criado em 1994, o real foi primeiro URV (unidade real de valor), um indexador determinado diariamente pelo governo. Na época de seu lançamento, cada real equivalia a 1 URV, ou 2.750 cruzeiros reais.

 

2ª etapa 
Instigue os jovens a falar das razões de tantas mudanças no nosso dinheiro. Ajude-os a perceber que todas estão relacionadas às alterações políticas e econômicas vividas em cada período. Revele que essas variações nos nomes e padrões gráficos não são expedientes comuns. No mundo inteiro, por sinal, são poucas as nações nas quais esse tipo de fenômeno foi tão intenso quanto no Brasil. Por isso, é notório o nível de adaptação do nosso sistema bancário a tamanhas flutuações.


Lance mão dos modelos de notas e moedas trazidos pelos alunos. Examine a estética, a quantidade de zeros e os rostos de figuras históricas impressos. Qual a representação predominante: homens ou mulheres? Por que negros e mulatos raramente ilustram as cédulas? A nota de 20 reais reproduz o busto da República, um personagem feminino. Quando e por que essa versão foi adotada?

Algum estudante trouxe para a classe algum exemplar de dinheiro estrangeiro? Em caso positivo, incentive uma comparação com o nosso real. Demonstre como até nas cédulas de papel moeda é possível identificar a opção por certas ideologias. Por que o autógrafo de um presidente do Branco Central é usado como parâmetro de raridade? Aponte para a inscrição "Deus seja louvado" e ensine que ela é um detalhe relativamente recente nas notas brasileiras. Será que nos exemplares estrangeiros há textos similares? Discuta os efeitos políticos dessa frase. Lembre que Igreja e Estado são separados, no Brasil, desde a Constituição de 1891. A inclusão do nome Deus de alguma forma impõe uma visão particular sobre os ateus ou crentes de religiões politeístas?

 

Pecado Capital

Paulinho da Viola


Dinheiro na mão é vendaval
É vendaval
Na vida de um sonhador
De um sonhador
Quanta gente aí se engana
E cai da cama
Com toda a ilusão que sonhou
E a grandeza se desfaz
Quando a solidão é mais
Alguém já falou
Mas é preciso viver
E viver não é brincadeira, não
Quando o jeito é se virar
Cada um trata de si
Irmão desconhece irmão
E aí, dinheiro na mão é vendaval
Dinheiro na mão é solução
E solidão

 

3ª etapa 

Peça que a classe cite exemplos de músicas brasileiras cujo tema central é o dinheiro. Se possível, promova a audição de Pecado Capital e discuta os valores que o compositor Paulinho da Viola atribui ao vil metal (vendaval, solução, solidão etc.). Analise também a relação entre moeda e inflação. Será que mais dinheiro colocado em circulação pode causar a alta generalizada de preços? Por quê? O texto do quadro "Moeda, Objeto Raro" fornece subsídios para o debate. Oriente pesquisas sobre a Casa da Moeda, órgão que desenha e imprime nossas cédulas (e cunha as moedas), e sobre as atribuições do Banco Central.

 

Para saber mais

Moeda, objeto raro 

Apesar da ampla exploração do ouro brasileiro pelos portugueses nos séculos XVIII e XIX, a circulação do metal precioso em forma de moeda era muito restrita por aqui. Durante o período colonial, a maior parte do ouro encontrado em nosso território seguia rumo à Europa, principalmente para a metrópole e seu principal aliado, a Inglaterra. Mesmo com a Independência, o dinheiro continuou escasso. Em parte porque o regime de trabalho escravo excluía as trocas monetárias, pois não havia pagamento de salário à força produtiva. Somente após a libertação dos negros, em maio de 1888, é que houve um aumento da circulação de papel moeda. Esse crescimento foi ainda mais sensível nos primeiros anos da República. Nos governos de Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, o fluxo monetário quadruplicou. A escalada sem controle dos preços das mercadorias ajuda a explicar o fato.

 

Veja também:

Este site tem informações históricas e detalhes sobre a impressão do dinheiro brasileiro.

Créditos:
Marco Antônio Villa
Formação:
Professor de História da Universidade Federal de São Carlos (SP)
Autor Nova Escola

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