Aqui você pode pesquisar e adaptar planos já existentes

 


Lixo bem tratado, planeta reciclado

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Reconhecer os impactos ambientais causados por resíduos sólidos

Conteúdo(s) 

Impacto ambiental dos resíduos sólidos

Ano(s) 
Material necessário 

Reportagem de Veja

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

"Jogue o lixo no lixo", pedem as campanhas educativas. Saber que uma pessoa gera em média 25000 quilos de detritos ao longo da vida assusta qualquer um. Estaria a Terra condenada a tornar-se um colossal depósito de refugos? O texto de VEJA abre uma boa perspectiva para você examinar, em sala de aula, o impacto ambiental causado pelas formas de disposição do lixo.

Prós e contras
Lixões, aterros sanitários, incineradores, usinas de compostagem e de reciclagem. Eis alguns destinos dos resíduos sólidos que descartamos. Todas essas formas de disposição do lixo oferecem prós e contras para o ambiente.

Os lixões, embora de baixo custo, expõem os dejetos a céu aberto. Sua estrutura precária permite a disseminação de baratas, ratos, pernilongos e outros animais transmissores de doenças como leptospirose, febre tifóide e micoses. Além do mau cheiro, a decomposição de materiais orgânicos exsuda um líquido ácido conhecido como chorume, que pode penetrar o solo e contaminar lençóis freáticos (veja infográfico).

Os aterros sanitários são instalações mais seguras, pois pressupõem a proteção do subsolo pela colocação de uma enorme manta plástica impermeável sobre o terreno onde será posto o lixo. Canaletas fazem escorrer o chorume e pequenas chaminés liberam o gás metano, fruto da decomposição promovida por bactérias anaeróbicas. Os detritos são dispostos em camadas que se alternam com camadas de terra e não ficam em contato com o ar. A manutenção dos aterros é cara e há o despedício de metano e de lixo potencialmente reciclável.

Os incineradores reduzem em mais de 90% o volume do lixo e o calor da queima pode ser convertido em energia térmica. No entanto, os modelos antigos emitem gases como dioxinas e furanos, comprovadamente cancerígenos. Os ambientalistas recusam o argumento de que são confiáveis os filtros instalados nos equipamentos mais modernos.

Usinas de compostagem transformam o resíduo orgânico em adubo. O produto, dependendo da composição do lixo, pode ter um alto teor de metais pesados, substâncias tóxicas que contaminam o solo e impregnam plantas. Uma vez consumido por animais herbívoros, o veneno das plantas pode chegar à nossa mesa.

Usinas de reciclagem processam uma parte do lixo, que vira novas matérias-primas. A solução parece adequada porque devolve ao ambiente produtos reutilizáveis. Os investimentos para implementar e operar essas usinas é alto. Sua viabilização depende da coleta seletiva, cujo sucesso está ligado à educação da população e à vontade política.

Elabore com a classe um projeto de disposição de lixo para a sua cidade. Divida o trabalho em etapas. Primeiro, levante na prefeitura os seguintes dados locais: composição dos detritos (proporção de matéria orgânica, papel, vidro, plástico, metal etc.), produção por habitante, população total, número de casas atendidas pela coleta, formas de disposição de lixo e custos do poder público para realizar o processo. De posse dessas informações, peça aos estudantes que avaliem os riscos ambientais apresentados pela situação atual e que proponham soluções para o problema. Atente para as idéias simplistas, imediatistas e/ou inviáveis. Mostre à turma que certas estratégias ultrapassam o âmbito técnico, envolvendo aspectos políticos e financeiros. Após as fases de elaboração e correção, exponha os projetos para as outras turmas e - por que não? - para a comunidade.

2ª etapa 

Incentive os alunos a criar um plano de coleta seletiva do lixo na escola, visando à reciclagem. O exercício inclui a criação de uma campanha para conscientizar os colegas da importância de se jogar papéis na lata azul, plásticos na vermelha, metais na amarela e vidros na verde. Recipientes diferenciados devem comportar o material orgânico. A classe perceberá como é difícil mudar hábitos coletivos, mas terá uma oportunidade sem igual de exercer sua cidadania.

Lixo contado
Quanto mais rico, mais lixo o país produz. O que acontecerá então com o Brasil, neste ano em que se prevêem redução no Produto Interno Bruto (PIB) e expectativa de vida aumentada? E nos próximos anos? A reportagem de VEJA pode ser usada para propor em classe um exercício de Matemática com o objetivo de mostrar aos alunos como montar uma equação baseada em dados reais, embora aproximados. Os americanos, com renda per capita - PIB dividido pelo total de habitantes - de 28000 dólares, são os que produzem mais lixo.

Se o mesmo acontecer com o Brasil quando nossa renda per capita anual, que hoje é de 5000 dólares, for igual à dos americanos, cada brasileiro passará da média atual de 1000 g de lixo para 3200 g por dia. Peça aos alunos que considerem uma proporcionalidade direta entre o aumento da quantidade de lixo produzida por habitante e o crescimento da renda per capita . Isso significa estabelecer a relação, em que é a constante de proporcionalidade da relação citada. Ou seja, caso houvesse o hipotético crescimento de 23000 dólares na renda anual dos brasileiros, o aumento de lixo seria de 2200 g diários. A constante de proporcionalidade k é, nesse caso, 2200 4 23000 = 0,09 g de lixo para cada dólar de renda. Os alunos podem converter a relação acima numa fórmula mais geral. Para tanto, devem considerar um determinado ano com renda per capita e uma produção de lixo genéricas:

 

 

Assim, em gramas diários de lixo por habitante.


Saliente que essa equação é uma aproximação e se restringe aos intervalos de renda per capita considerados. Com a redução de 4% estimada para o PIB deste ano, a renda per capita ficará 0,96 vezes menor - será 0,96 . 5000. Por outro lado, o aumento populacional previsto de 1,4% vai dividir o PIB por 1,014. Ou seja, a renda per capita final será 0,96 . 5000 4 1,014 = 4733 dólares.


Os alunos chegarão ao valor da produção de lixo diária por pessoa: por dia.


Uma redução diária de 4 gramas.

Com procedimento semelhante, eles podem estabelecer uma equação para calcular o lixo produzido em cada cidade ou Estado.

 

Veja também:

BIBLIOGRAFIA
A Sociedade do Lixo - Os Resíduos, a Questão Energética e a Crise Ambiental
, Paulo J. Figueiredo, Ed. Unimep
Do Nicho ao Lixo - Ambiente, Sociedade e Educação, F. Scarlato e Joel Pontín, Ed. Atual

FILMOGRAFIA
Viravolta e Viraplástico
, 5 Elementos Instituto de Educação e Pesquisa Ambiental, Brasil

 

Créditos:
José Manoel Martins
Formação:
Professor de Biologia nos colégios Logos e Oswald de Andrade, de São Paulo
Autor Nova Escola

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