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Introdução à gramática com o texto "Os porquês do porquinho"

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 
  • Ensinar os aspectos gramaticais
Ano(s) 
Tempo estimado 
5 aulas.
Material necessário 
  • Texto escrito tendo como suporte fichas ou a tela do computador.
  • Caderno para registro das aulas.
Desenvolvimento 
1ª etapa 
Introdução 

Estudamos gramática para desenvolver nossa capacidade expressiva como usuários da língua, para podermos empregá-la nas mais variadas situações de uso.
Uma das tarefas do professor, quanto ao ensino da língua portuguesa,deve ser a de ensinar os alunos a interrogar os textos, aqueles de outros autores e os escritos por eles - estratégia esta que o leitor faz para extrair o significado de um texto.

A interrogação dos textos pode ser realizada mediante atividades de investigação: como "avança" um texto, como ele progride, como as estruturas da língua estão ligadas à sua superestrutura? Que aspectos gramaticais estruturam esses textos? A partir da reflexão sobre os aspectos gramaticais de um texto, pode-se chegar à sistematização.
Importante: Deve-se evitar o estudo de estruturas gramaticais como uma habilidade isolada.

Desafio aos alunos 
O professor vai ler um texto e eles terão que prestar bastante atenção para registrar a palavra mais repetida

Os porquês do porquinho

Aconteceu na Grécia!
Era uma vez um jovem porquinho, belo e bom, muito pequenino, cuja vida foi dedicada à procura dos porquês da floresta. Tal porquinho, incansável em sua busca, passava o dia percorrendo matas, cavernas e savanas perguntando aos bichos e aos insetos que encontrava pelo caminho todos os tipos de porquês que lhes viessem à cabeça.
- Por que você tem listras pretas se os cavalos não as têm ? - perguntava gentilmente o porquinho às zebras.
- Pernas compridas por quê, se outros pássaros não as têm? - indagava às siriemas, de forma perspicaz.
- Por que isso? Por que aquilo?
Era um festival de porquês, dia após dia, ano após ano, sem que ele encontrasse respostas adequadas aos seus questionamentos de porquinho.
Por exemplo, sempre que se deparava com uma abelha trabalhando arduamente, ele perguntava por quê. E a pergunta era sempre a mesma:
- Saberias, por acaso, por que fazes o mel, oh querida abelhinha?
E a abelha, com seus conhecimentos de abelha, sempre respondia assim ao porquê:
- Fabrico o mel porque tenho que alimentar a colméia.
Mas a resposta das abelhas não o satisfazia, porque eram os ursos os maiores beneficiados com aquela atividade.
- Alguma coisa deve estar muito errada, porque eram os ursões que ficavam com quase todo o mel, sem ter produzido um pingo.- pensava o porquinho.
Então, valente como os porquinhos de sua época, seguia pela floresta à procura de ursões, fortes e poderosos, ansioso por que eles soubessem a resposta. Quando encontrava um, perguntava:
- Senhor, grande e esperto ursão, poderias me dizer a razão e solucionar o porquê da questão?
E alguns ursos, mais exibidos, até tentavam responder, porque de mel eles entendiam muito, mas sobre trabalho... as respostas eram sempre do senso comum de ursão e não resolviam a questão.
- Elas fabricam o mel porque ele é muito gostoso. - diziam uns.
- Elas o fabricam porque o mel é delicioso. - diziam outros.
Havia aqueles que se limitavam a olhar feio e, ainda, aqueles que até ameaçavam o pobre porquinho e iam embora, sem dizer por quê. Apesar disso, o porquinho seguia em frente.
Um dia - porque toda história têm um dia especial - o porquinho encontrou um oráculo em seu caminho e resolveu elaborar o seu mais profundo porquê. Afinal, oráculo é para essas coisas. Então, ele perguntou com sua voz fininha, mas de modo firme e sonoro
- Por que existo?
Houve um profundo silêncio na floresta e o porquinho pensou que aquele porquê nunca seria respondido, afinal.
Mas de repente, o oráculo falou, estrondosamente, porque era oráculo.
- Procure o Sr. Leão, rei da floresta, e pergunte a ele por que você existe. Só ele lhe dará uma resposta adequada.
Então, feliz, animado e saltitante, lá se foi o porquinho à casa do grande e sábio rei da floresta, carregando o seu também grande e sábio porquê.
Ao chegar à casa do leão, o porquinho bateu à porta e, quando foi atendido por sua realeza, tratou logo de lascar o seu porquê mais precioso:
- Sr. Leão, rei dos reis, sábio dos sábios, poderia Vossa Alteza me dizer por que existo?
E o leão, porque era leão, respondeu mais que depressa.
Nhac.
Porque é o da história!
Fim

Clóvis Sanches

 

2ª etapa 
Converse com eles sobre "fábulas" (histórias em que os animais falam, sua origem na Grécia com Esopo, entre outras informações).
3ª etapa 

Faça o levantamento das respostas; estas ficarão entre "porque" e "porquinho". Discuta a semelhança na grafia de ambas as palavras e pergunte qual teria sido a intenção de seu autor ao fazê-lo (por que não escreveu "os porquês do coelhinho, por exemplo"). Levante o sentido de alguma palavra que possam desconhecer para facilitar a compreensão global do texto.

 

4ª etapa 

Distribua o texto escrito. Levante a questão do emprego dos diferentes porquês. Descubra com eles as regularidades em cada construção das frases: "por que" em perguntas -diretas ou indiretas- "porque" explicativo; o porquê- substantivo; por que= para que. Anote as ocorrências e registre, sistematizando, as reflexões que forem sendo feitas.

 

5ª etapa 

Durante a leitura compartilhada, na seqüência, comece a questionar o emprego dos pronomes (como elementos coesivos): a quem se refere o pronome "lhes" na construção "perguntando aos bichos e aos insetos que encontrava pelo caminho todos os tipos de porquês que lhes viessem à cabeça".

 

6ª etapa 

Faça o mesmo com:"Por que você tem listras pretas se os cavalos não as têm ? - perguntava gentilmente o porquinho às zebras. "Era um festival de porquês, dia após dia, ano após ano, sem que ele encontrasse respostas adequadas aos seus questionamentos de porquinho" e outras tantas. Aproveite para registrar o conceito de pronome. Se desejar, trabalhe apenas com os pessoais, caso sua turma acompanhe bem, aborde outros que ocorrem no texto (demonstrativos, indefinidos, possessivos...) Faça isso apenas com as ocorrências do texto, sem se preocupar com listas, mas sim com seu emprego e o efeito de retomada (de elemento coesivo- sem a repetição do termo a que se referem).

 

7ª etapa 

Peça para repararem nos termos que retomam alguns elementos da narrativa como: o leão, "grande e sábio", "sábio da floresta", "rei dos reis", "sábio dos sábios". São os hiperônimos que utilizamos para retomar palavras que já apareceram no texto, podem ser cognomes, epítetos, apelidos são, portanto, elementos coesivos também. Registre outras ocorrências das quais eles se lembrem por terem visto em outros textos.
Ao trabalharmos esses elementos é importante salientar que, graças a eles, o texto fica mais fluente, mais interessante, pois evitam determinadas repetições de termos.

 

8ª etapa 

Caso o nível de sua turma já consiga acompanhar, observe com eles, também, a presença do acento grave antes de certas palavras. Procure registrar as ocorrências e as palavras ou expressões que vieram depois de seu uso.
Sistematize apenas os casos que ocorrem no texto lido.
Conceitue o fenômeno da crase: fusão de dois A( preposição + artigo ou pronome).
Em seguida poderão relacionar as fusões ocorridas no texto e de que formas apareceram.

 

9ª etapa 

Trabalhe com o procedimento "close" como forma de ativar os esquemas cognitivos dos alunos. Apresente um texto breve, com conteúdo completo, no qual um certo número de palavras será substituído por uma lacuna; o aluno deverá deduzir que palavra falta ali e completá-lo com as omitidas. Esse procedimento é interessante para se trabalhar diversos conteúdos gramaticais (preposições, conjunções), no caso, podem ser omitidos pronomes, palavras com acento grave.
Depois os alunos terão o texto integral para conferirem suas respostas.

 

10ª etapa 

Estimule os alunos a comparar diferentes tipos de estruturas oracionais com pronomes em colocações também diferentes. Pergunte, por exemplo: Por que essas frases foram escritas assim e não de outra forma? ("Por que você tem listras pretas se os cavalos não as têm? - perguntava gentilmente o porquinho às zebras"." Só ele lhe dará uma resposta adequada".
A tendência na língua portuguesa do Brasil é fazermos a próclise (pronome antes de verbo), por isso dizemos "Me empreste o lápis", enquanto a norma gramatical recomenda "Empreste-me o lápis" (ênclise).

Quando falamos, usamos estruturas linguísticas que nem sempre correspondem às da norma culta da língua ( que é a das escritas convencionais). Assim, trata-se de uma atividade enriquecedora comparar os diversos registros da fala e da escrita, tanto para a linguagem oral, quanto para a prática da escrita.
Ao final, registre as variações de uma mesma estrutura de frase, alterando a posição do pronome em relação ao verbo. Faça com que percebam as alterações na forma e não no conteúdo dos enunciados.

Observação: Os registros devem ser feitos com certo destaque, como conseqüência das reflexões realizadas sobre a língua. Podem ser anotados no "caderno das descobertas", em um fichário especial ou até em um arquivo no computador.

Avaliação 

A avaliação se dará coletivamente, em todos os momentos em que os alunos estiverem participando das discussões sobre os aspectos gramaticais e individualmente, quando os empregarem em produções escritas.

Quer saber mais?

BIBLIOGRAFIA
KAUFMAM, Ana Maria e M. Elena Rodriguez,
 Escola, leitura e produção de textos, Porto Alegre: Artes Médicas,1995
MOURA & Faraco: Gramática- São Paulo-Ática, 1999
CONDEMARÍN, Mabel , Viviana Galdames e Alejandra Medina: Oficina de Linguagem, São Paulo, Moderna:1997
MATA, Francisco Salvador: Como prevenir as dificuldades na expressão escrita, P. Alegre: Artes Médicas, 2003
SCHNEUWLY, Bernard e Joaquim Dolz e colaboradores: Gêneros orais e escritos na escola, Campinas, Mercado dos Letras, 2004 

 

 

 

Créditos:
Odonir Araújo de Oliveira
Formação:
Professora de português, especialista em projetos de língua e literatura, assessora de escolas públicas e privadas.
Autor Nova Escola

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