Aqui você pode pesquisar e adaptar planos já existentes

 


A Inglaterra nos tempos da rainha Vitória

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Identificar aspectos socioeconômicos, culturais e políticos das primeiras décadas da era vitoriana

Conteúdo(s) 

 

 

Ano(s) 
Tempo estimado 
Três aulas
Material necessário 

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução 

A resenha do filme A Jovem Rainha Vitória focaliza o início da trajetória que levou uma jovem impulsiva a tornar-se um símbolo do poderio britânico no século 19. Use o texto como ponto de partida para examinar com seus alunos esse tempo de expansão capitalista e colonial e respeitabilidade burguesa: a era vitoriana.

Comece a aula pedindo que a turma leia a resenha A mulher sob a coroa, publicada em VEJA. Em seguida, explique que a chamada era vitoriana estende-se da coroação da jovem rainha Vitória, de 18 anos, em 1837, até a sua morte, em 1901. Em 1876, a rainha foi proclamada imperatriz da Índia, uma das colônias inglesas. Este plano de aula propõe a investigação das quatro décadas seguintes a essa proclamação.
Divida a turma em seis grupos e encarregue cada um deles de examinar, nesta e na próxima aula, um dos aspectos do mosaico vitoriano apresentados adiante. Para orientar o trabalho, forneça algumas informações sobre os grandes temas do período e discuta-os com cada grupo.

Economia. A era vitoriana assistiu à expansão capitalista iniciada no final do século 18. Um dos marcos desse novo tempo foi o surgimento da locomotiva, em 1803. Na década de 1830, elas já se multiplicavam pelo Reino Unido e se espalhavam pelo mundo. Coloque em discussão com o grupo algumas consequências da revolução nos transportes associada às locomotivas, com destaque para a queda no preço dos produtos agrícolas, o que diminuiu a ameaça da fome e contribuiu para o acelerado crescimento populacional britânico e europeu.

Sociedade. VEJA informa que a rainha Vitória e seu marido, o príncipe Albert, tiveram um casamento apaixonado. A rainha teve muitos filhos e, ao educá-los, mesclou padrões aristocráticos com os da respeitabilidade burguesa. De fato, a família burguesa tornou-se o modelo dominante na sociedade ao longo de toda a era vitoriana. Um de seus princípios era a total subordinação da mulher ao marido, provedor da companheira e dos filhos. O lar, por sua vez, tornou-se um abrigo contra os perigos do mundo exterior. Temas para investigação e debate: a família burguesa era o único modelo existente? Como se organizavam as famílias operárias, nas quais tanto o homem quanto a mulher trabalhavam? A família burguesa continua a prevalecer ou dá lugar a organizações mais flexíveis? Que fatores sociais contribuíram para eventuais transformações?

Complemente contando que, apesar de uma boa dose de hipocrisia no tocante às relações amorosas, a Inglaterra vitoriana era uma sociedade mais aberta que outras de seu tempo. O desenvolvimento capitalista favoreceu a manifestação de uma meritocracia: alguns empresários dotados de iniciativa e bem-sucedidos conseguiam enriquecer e se juntar aos setores social e politicamente dominantes. Pouco a pouco, a burguesia industrial ocupou posições ao lado da burguesia comercial e financeira.

O retrato dessa época foi traçado pelo escritor Charles Dickens em 1861, no romance Grandes Esperanças. Sugira a leitura do livro, que mostra como um garoto pobre consegue educar-se e enriquecer. Mas será que o caminho meritocrático estava aberto a todos? Segundo a trama, a ascensão do menino resultou em larga medida da ajuda de um benfeitor anônimo: um criminoso que ele, quando garoto, havia auxiliado. Ou seja, no reino de Vitória, um indivíduo raramente obtinha sucesso exclusivamente por seus méritos. A maior parte da população vivia à beira da miséria.
A era vitoriana foi também um tempo de migrações em larga escala: milhões de pessoas deixaram a Europa em busca de uma vida melhor em outros países, especialmente os Estados Unidos. Boa parte desses imigrantes era de irlandeses, pois a destruição das plantações de batatas devido a uma praga resultou em fome generalizada e êxodo em massa. Em decorrência de mortes e migrações, de 1844 a 1851, a população irlandesa decresceu de 8,4 milhões para cerca de 6,6 milhões de habitantes. Vale a pena pesquisar os fluxos migratórios dos súditos da rainha vitória para os Estados Unidos e territórios britânicos como o Canadá e a Austrália.

Guerras. Quatro décadas depois das guerras napoleônicas, franceses e ingleses voltaram aos campos de batalha, mas dessa vez como aliados, protegendo o decadente Império Otomano ameaçado pelo expansionismo czarista. Foi a Guerra da Crimeia, que se estendeu de 1853 a 1856. Anos depois, os combates deslocaram-se para os Estados Unidos, com a Guerra da Secessão (1861-1865). Opondo os estados industrializados do Norte ao Sul agrícola e escravista, esse foi o primeiro conflito armado a utilizar ferrovias para o deslocamento das tropas. As estradas de ferro também seriam utilizadas na Guerra Franco-Prussiana (1870-1871). Vitorioso, o rei da Prússia foi proclamado imperador de uma Alemanha unificada. Uma nova potência passou a competir com o Reino Unido pela hegemonia europeia e mundial.

Política. A "Primavera dos Povos", onda revolucionária que se estendeu por boa parte da Europa continental em 1848, teve reflexos na Inglaterra vitoriana. O exemplo francês deu novo impulso ao movimento cartista, criado em 1825, que exigia o sufrágio universal masculino e a representação de operários no Parlamento. O cartismo desapareceu por volta de 1854, mas seu programa subsistiu. Afinal, em 1867, o corpo eleitoral foi ampliado para 3 milhões de cidadãos, num passo decisivo para conceder o direito de voto ao operariado urbano.

O reforço da cidadania operária e a atuação das trade-unions (sindicatos), reconhecidas a partir de 1824, contribuíram para que a formação da Comuna de Paris - o governo operário organizado na capital francesa em 1871 em reação à derrota na Guerra Franco-Prussiana - não tivesse grande impacto no Reino Unido. Em sua maioria, a classe operária britânica manteve-se à margem do confronto ideológico no seio do socialismo europeu. É interessante observar as correntes que se degladiavam na Primeira Internacional, organizada justamente no Reino Unido em 1864.

Cultura. A primeira fase da era vitoriana assistiu ao lançamento de Origem das espécies (1859), de Charles Darwin, e o primeiro volume de O Capital (1867), de Karl Marx. Proponha uma discussão sobre essas duas obras imortais.

Expansão colonial. Depois de derrotar os chineses na chamada Guerra do Ópio (1839-1842), os britânicos passaram a dominar Hong Kong e ocuparam territórios da China continental, sendo logo imitados por outras potências europeias e pelo Japão. No entanto, naquele período, a mais bela joia da coroa britânica era o subcontinente indiano, administrado pela Companhia das Índias Orientais. Em 1857, a Revolta dos Cipaios (tropas indianas a serviço da Companhia) ameaçou por um momento esse domínio; a rebelião foi esmagada, mas a Índia foi colocada em 1858 sob a administração direta das autoridades britânicas.

A presença inglesa no Oriente foi reforçada pelo domínio do canal de Suez. Informe que, por volta de 1875, o primeiro-ministro britânico Benjamin Disraeli soube o governo egípcio pretendia colocar à venda quase metade das ações do canal de Suez. Mesmo sem ter autorização do Parlamento, Disraeli obteve um empréstimo do Banco Rothschild e adquiriu as ações egípcias. Com isso, de um dia para o outro, a Inglaterra tornou-se a potência hegemônica no Mediterrâneo. Encarregue a turma de comparar a rota tradicional entre a Europa e a Índia, ao longo do litoral africano, e o trajeto por Suez, que liga o Mediterrâneo ao mar Vermelho. Graças ao novo caminho, bem mais curto, a expansão comercial e colonial britânica recebeu um novo impulso.

2ª etapa 

Reserve a última aula para a apresentação e discussão dos trabalhos. Peça que cada grupo exponha as informações coletadas e debata com a sala os pontos principais, fazendo um balanço geral do período vitoriano. Coloque as informações em tópicos no quadro e peça para a turma anotar no caderno.

Avaliação 

Durante as duas aulas dedicadas à pesquisa, certifique-se de que os grupos se atentaram às informações solicitadas. Durante a apresentação e o debate, é importante checar se a turma conseguiu relacionar os diversos acontecimentos para ter uma visão geral do período vitoriano.

Créditos:
Carlos Eduardo Matos
Formação:
jornalista e editor de livros didáticos e paradidáticos.
Autor Nova Escola

COMPARTILHAR

Alguma dúvida? Clique aqui.