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A importância do ouro na Economia

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Reconhecer aspectos da produção e da comercialização do ouro no Brasil e no mundo e avaliar suas repercussões

Conteúdo(s) 

Ouro: origens e distribuição - Produção e comercialização do ouro

Ano(s) 
Tempo estimado 
Duas aulas
Material necessário 

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

VEJA desta semana traz uma reportagem sobre uma iniciativa original de uma empresa alemã: vender pequenas barras de ouro em máquinas similares às de venda de refrigerantes ou salgadinhos. A medida está associada às turbulências causadas pela crise financeira mundial em 2008 e 2009. Nesses casos, marcados pela insegurança e pela incerteza, investidores buscam aplicações mais seguras, como o metal precioso. A reportagem suscita um debate sobre a atual produção e comercialização de ouro no mundo e no Brasil - com papel geográfico-histórico marcante no período da mineração nos séculos 17 e 18. Convide a turma para examinar o tema.

Feita a leitura da reportagem, peça que os alunos examinem os gráficos que a acompanham. Eles devem verificar que há progressiva valorização do ouro em relação a outras aplicações, como o dólar e fundos de renda fixa. Nesse caso, trata-se do ouro como ativo financeiro e não como matéria-prima para outros usos, como o industrial. Lance algumas questões para debate: como se forma o precioso metal? Quem são os principais produtores? Qual é o seu papel na economia real? Em uma aula expositiva, apresente à turma as informações contidas no texto abaixo.

Texto de apoio ao professor

O ouro tem ampla distribuição, surgindo em várias partes do mundo em rochas ígneas e metamórficas ou em aluviões - depósitos formados pelo desgaste, transporte e deposição de sedimentos pela ação das águas superficiais. Em muitos casos, encontra-se associado a depósitos de quartzo e piritas. No caso do Brasil, conforme o geólogo Fabio Andrade e outros, o naturalista André Antonil utilizou o termo ouro preto no início do século 18 para se referir a pepitas escuras encontradas na antiga Vila Rica, em Minas Gerais. A cor escura deve-se ao recobrimento das pepitas por compostos de platina, paládio, ouro, cobre, ferro, oxigênio e manganês.

Ao longo do século 19, a corrida do ouro provocou grande mobilidade populacional e expansão de fronteiras econômicas em países como os Estados Unidos (em especial na Califórnia), Austrália e no continente africano. Entre os principais produtores mundiais hoje estão a África do Sul (no antigo Transvaal, a nordeste, e Orange, hoje Estado Livre, na região central), China, Austrália, Estados Unidos e Peru. Também são produtores a Rússia, Canadá e Indonésia. A descoberta de novas jazidas na China pode levar o país ao posto de principal produtor mundial.

E o Brasil? Conforme o Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM), o país já ocupou a posição de maior produtor mundial ao longo do século 18, declinando nos séculos seguintes em função do esgotamento dos depósitos aluvionares e problemas técnicos na exploração de jazidas subterrâneas. A descoberta de novas jazidas pontuais, como a de Serra Pelada, no Pará, provocou uma nova corrida do ouro, até o esgotamento dos veios existentes.

No Brasil e em outros países a produção divide-se entre a indústria extrativa e a produção artesanal, levada adiante por garimpeiros. No primeiro caso, no Brasil, as empresas operam com tecnologias modernas, concessão de lavras e controle do Estado; a produção garimpeira opera com tecnologias mais simples, em regra com índices mais baixos de produtividade e de segurança no trabalho. Há potencial para o crescimento da produção, em especial na Amazônia, o que coloca desafios de ordem social e ambiental para as novas lavras. A extração mineral pode conflitar com a proteção ambiental e das populações tradicionais.

O ouro se presta a diversos usos como matéria-prima. Desde a antiguidade, a relativa facilidade para trabalhar com o metal levou à sua utilização para cunhar moedas e adornos diversos em diferentes culturas. Não por acaso, a descoberta de um metal precioso e a promessa de enriquecimento fácil trouxe consequências devastadoras para muitos povos e culturas, caso dos povos nativos do continente americano. Hoje o metal tem inúmeras aplicações, como na indústria da joalheria, nos sistemas de conexões elétricas, nas ligas metálicas e em tecnologias da saúde (incluindo a odontologia). Mas é no mercado financeiro que ele exerce o seu principal papel, o de ativo financeiro.

 

2ª etapa 

Explique à turma que a importância do ouro no passado levou à instituição do padrão-ouro, mecanismo que definia o valor de uma moeda nacional com base na posse de reservas fixas do metal. A partir de então, foram criados os sistemas cambiais em que um país fixava o valor de sua moeda tendo como parâmetro outra, cuja cotação era determinada pelo ouro (caso do dólar). Esses sistemas foram sendo substituídos depois por padrões cambiais baseados na paridade com as chamadas moedas fortes.

Retome a reportagem de VEJA. Em seguida, proponha que os alunos avaliem a iniciativa de dispor a compra do metal em caixas instalados em hotéis, shoppings, aeroportos e outros pontos. Pergunte à classe:

- A quem se destina essa iniciativa?
- Ela atende a demandas de elevação da renda dos mais pobres em países como o Brasil ou tem como alvo os investidores do mercado financeiro?
- Como a iniciativa poderia funcionar para diversificar investimentos para boa parte da população se muitos sobrevivem apenas com a renda do salário, sem excedentes para poupança?
- No caso do Brasil, como sua extração e processamento podem se inscrever na economia real, acima da corrida pelo enriquecimento fácil?
- Que cuidados devem ser tomados para conter efeitos nefastos da exploração e abertura de novas lavras?

Com base nessas questões discutidas em sala, encomende uma dissertação sobre o tema. Proponha a redação de textos individuais e discuta os resultados com a turma.

Avaliação 

Leve em conta a participação dos estudantes nos debates e na redação da dissertação. Verifique o domínio de dados, conceitos e noções em jogo e a clareza e organização dos textos.

Quer saber mais?

Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM)
Atlas National Geographic Brasil. São Paulo: Ed. Abril, 2008.
Wilson Teixeira e outros. Decifrando a Terra. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 2009.

 

Créditos:
Roberto Giansanti
Formação:
geógrafo e autor de livros didáticos
Autor Nova Escola

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