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A importância de uma alimentação balanceada

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Informar os alunos sobre a importância de uma alimentação balanceada

Conteúdo(s) 

 






 

Ano(s) 
Material necessário 

Reportagem da Veja:

 

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

Os apreciadores do churrasco já podem se sentir menos culpados. A reportagem de VEJA revela alguns aspectos que redimem a carne da sua posição de vilã. A discussão sobre os benefícios e malefícios do consumo desse alimento oferece várias possibilidades para abordar questões do programa de Biologia, tais como a evolução do homem e a fisiologia do sistema digestório. Além disso, permite trabalhar aspectos específicos de nutrição. Apesar da amplitude do tema, é muito provável que predomine um acalorado debate a respeito da dieta mais adequada para o nosso organismo - vegetariana ou mista.

2ª etapa 

Após a leitura da revista, é provável que algumas vozes mais extremistas se levantem para defender ou atacar o consumo de carne. Proponha que os jovens, antes de tirar conclusões definitivas, se organizem para o debate, buscando informações que complementem seus argumentos. Prepare a classe para fazer as pesquisas abrangendo várias frentes: a história evolutiva, a anatomia comparada, a nutrição etc. Uma linha de investigação válida implica tentar estabelecer o que seria a dieta natural da espécie humana. Conte que existem evidências anatômicas e fisiológicas do tipo de alimentação ao qual nos ajustamos. Quais são elas e onde podem ser encontradas? A fonte mais interessante de dados está no crânio humano. O formato da mandíbula e a inserção dos músculos podem sugerir a capacidade de produzir uma mastigação poderosa. O formato dos dentes também denota razoável potencial para furar, roer, cortar ou macerar. Exiba imagens de arcadas dentárias de mamíferos com dietas bastante especializadas - roedores, carnívoros e ruminantes, por exemplo - e depois compare com uma arcada humana. Os alunos devem perceber que essa última se distingue das demais, mas compartilha alguma característica de cada uma delas. A conclusão é que, definitivamente, as pessoas são onívoras. Isso, no entanto, não encerra a discussão, pois afinal o ambiente está em constante mudança e a linhagem humana evolui.

As oportunidades de dieta representam uma força evolutiva importante. Levante alguns questionamentos estimulando a classe a pesquisar o assunto. Estamos nos tornando nutricionalmente menos especializados? Do ponto de vista evolutivo, nós nos encontramos numa transição? De que consistia a alimentação dos nossos antepassados ao longo dos tempos? O que nossa história evolutiva como hominídeos nos revela sobre a dieta? Ensine que nossos ancestrais arborícolas de cerca de 6 milhões de anos atrás eram claramente adaptados para comer frutos macios e folhas frescas. Um passo importante na evolução humana foi a mudança para o bipedalismo e a exploração dos ambientes abertos, em razão das alterações climáticas ocorridas na África nesse período. Se possível, apresente arcadas dentárias fósseis dessa época, destacando as cúspides e o formato geral dos dentes, que parece estar relacionado a alimentos mais rígidos. Contudo, há também características associadas a outros tipos de comida. A conclusão é que as arcadas dentárias, nesse caso, indicam adaptação a uma variedade maior de fontes de nutrientes, entre as quais não se descarta a carne. Marcas de dentes humanos em fósseis deixam claros nossos primitivos hábitos carniceiros, provavelmente iniciados como coletores e depois caçadores.

Mencione, em seguida, que também o tubo digestório dos herbívoros e carnívoros serve de referência para o confronto. Mostre imagens desse órgão de espécimes dos dois grupos e compare com o nosso. Nos humanos, o tubo é curto em relação ao dos herbívoros e comprido em relação ao dos carnívoros, o que confirma menor especialização, típica de uma dieta generalista.

3ª etapa 

Examine as vantagens e desvantagens de determinados tipos de nutrição. Os vegetais em uma floresta estão mais disponíveis no tempo e no espaço, mas talvez possuam substâncias químicas tóxicas como alcalóides, taninos e outros. A digestão desses alimentos pode ser penosa e até requerer "ajuda" de microorganismos, que no fim levam parte dos nutrientes. Humanos não possuem essa capacidade de consumir e digerir consideráveis quantidades de vegetais - cujo papel acaba sendo de reguladores intestinais, e não de nutrientes. Assim, humanos aproveitam melhor frutos maduros e raízes. Por outro lado, a dieta de carne é altamente energética por causa do teor de gordura e oferece uma variedade de nutrientes muito grande em menor volume ingerido. Entretanto, não somos capazes de competir com eficiência com os carnívoros especializados. Os alunos devem chegar à conclusão de que, em seu processo evolutivo, o homem se tornou uma espécie onívora e bastante tolerante às flutuações da disponibilidade dos alimentos.

Divida a turma em grupos, que defenderão cada tipo de dieta - rica em carne, vegetariana e variada.

Promova o debate em turnos, abordando o tema inicialmente sob o ponto de vista evolutivo. Em outra fase, as equipes vão defender o valor nutricional. Um grupo pode descobrir que a carne possui uma variedade de aminoácidos essenciais que nos vegetais é rara. Outro deve traçar uma linha de argumentação baseada nos efeitos colaterais de uma dieta carnívora, em que o excesso de lipídios acarreta risco de problemas cardiovasculares. O terceiro grupo fica encarregado de relacionar os perigos de obesidade e diabete provocados por uma alimentação vegetariana, rica em carboidratos. Se o debate levar a uma posição de inclusão da carne, pondere com os estudantes sobre a quantidade desse alimento considerada razoável.

4ª etapa 

Proponha exercícios breves que podem se incorporar à pesquisa geral e se tornar uma fonte de argumentação. Peça que façam uma comparação entre os nutrientes de uma quantidade igual de carne (alcatra) e de vegetais como semente de cereal, semente de leguminosa, uma raiz, uma fruta e uma folha. Há bancos de dados bastante completos na internet.

Depois, encomende um levantamento sobre os danos à saúde produzidos por uma dieta rica em carne vermelha. Aí devem entrar informações como o excesso de gordura saturada, colesterol ruim (LDL), além de uma substância, até agora desconhecida, chamada ácido n-glicolilneurimínico (Neu5Gc), presente em grandes concentrações na carne suína, bovina e ovina.

Avaliação 

Sugira uma comparação entre as formas alimentares de alguns povos, como os hindus, predominantemente vegetarianos, os mediterrâneos, os do norte da Europa e os esquimós. Os dados podem ser facilmente obtidos na internet. Os alunos vão se surpreender com a dieta fundamentalmente carnívora e o baixo índice de problemas cardiovasculares dos habitantes do Pólo Norte. A explicação para isso é a alta taxa de ácidos graxos, chamados ômega-3, que agem diminuindo os níveis de colesterol total e de triglicérides. À diminuição do índice de triglicérides corresponde um aumento do HDL, o colesterol bom. Esse assunto é importante para examinar com os adolescentes, também sujeitos hoje em dia a tais problemas, como anuncia a reportagem de VEJA, "Um Novo Bicho-Papão". Por outro lado, a dieta estritamente vegetariana dos hindus, embora mais pobre sob o aspecto nutricional pela falta de alguns aminoácidos, favorece o estado geral de saúde por ser hipocalórica.

Créditos:
Ricardo Vieira dos Santos Paiva
Formação:
Professor de Biologia do Colégio Santa Cruz, de São Paulo
Autor Nova Escola

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