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Guinadas e rupturas

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Perceber a sucessão de pontos de ruptura na evolução histórica de diversos países 

Conteúdo(s) 

Evolução histórica

 

Ano(s) 
Tempo estimado 
2 aulas
Material necessário 

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução 

Exercícios de futurologia são perigosos, especialmente quando conduzem ao terreno movediço da política. Outros, vagos e imprecisos, dissolvem-se em afirmações genéricas. Não é o caso de Millennial Makeover (sem título em português), livro escrito por Morley Winograd e Michael Hais. A dupla não hesita em afirmar que a eleição presidencial de 2008 marcará o início de uma virada na vida dos Estados Unidos, com a formação de um governo voltado para a justiça social e mais ativo no estímulo à economia. No máximo, admitem os autores, a virada histórica poderá ser adiada por quatro anos.

 

Esse enfoque pode parecer propaganda a favor de Hillary Clinton e Barack Obama, pré-candidatos democratas à presidência ¿ não por acaso, os autores são velhos militantes do Partido Democrata. Mas o livro vai além da futurologia e do engajamento eleitoral ao oferecer um instigante esquema para a análise da política e da sociedade dos Estados Unidos segundo uma sucessão de ciclos de quarenta anos. Tais ciclos podem ser observados em cenários distintos? Examine com os estudantes a história do Brasil e de outros países latino-americanos, com base no esquema proposto por Millennial Makeover.

 

Peça que os alunos identifiquem os pontos de inflexão da história dos Estados Unidos indicados na reportagem. Ressalte, para cada período, as transformações econômicas, sociais e políticas. O ponto de partida é a década de 1820, quando a jovem república lança a Doutrina Monroe: "A América para os americanos". A imigração começa a crescer. Vem a seguir a década de 1860, da presidência de Abraham Lincoln e da Guerra Civil (1861-1865). Para Barrington Moore, a Guerra Civil é a revolução burguesa americana. A derrota do Sul consolida o capitalismo e favorece ainda mais a imigração (com realce para a conquista do Oeste). Surge a ideologia do Destino Manifesto, justificativa para a expansão territorial rumo ao Pacífico.

No final do século XIX, a Guerra Hispano-Americana (em 1898) assinala o começo do expansionismo dos EUA, com a ocupação de ex-colônias espanholas, como Cuba, Porto Rico e as Filipinas. Mais de três décadas depois, a pior crise da história do capitalismo inicia-se com o crash da Bolsa em 1929. Dessa crise nasceu um outro tipo de Estado, mais intervencionista do que o anterior; as mudanças também ocorreram no campo partidário, com a guinada do Partido Democrata para posições liberais e a aproximação com o eleitorado negro. Quatro décadas depois, o país estava envolto na Guerra do Vietnã, no movimento hippie, no assassinato de líderes como Robert Kennedy e Martin Luther King (ambos em 1968). E em 2008 encontra-se de fato numa encruzilhada histórica, com a forte possibilidade de pela primeira vez um negro, ou uma mulher, se eleger presidente.

Esses dados devem fazer parte de um quadro sinóptico a ser apresentado à classe. Abra uma discussão sobre os vários ciclos e depois encomende redações individuais com uma reflexão sobre o que foi mostrado.

2ª etapa 

Agora é o momento de testar a hipótese de Millennial Makeover em relação à trajetória do Brasil. A trajetória começa com a chegada da família real, há duzentos anos, e a abertura dos portos. Conte que, com a ruptura do pacto colonial, que dava aos portugueses o monopólio da exploração das riquezas brasileiras, a independência passou a ser uma questão de tempo. Posteriormente, proponha que a turma desloque sua atenção para 1850, quando foi extinto o tráfico de escravos. Nesse instante, a substituição da mão-de-obra, com a vinda dos imigrantes, passou a ser um dos principais temas políticos. Quatro décadas depois, tivemos a mudança do regime de trabalho (a Abolição, em 1888) e da forma de governo (proclamação da República, em 1889). O início do ciclo seguinte foi marcado pela Revolução de 1930, que derrubou a república oligárquica e começou a estruturar o moderno Estado brasileiro. Em seguida, veio o milagre econômico dos anos 1970, que trouxe profundas modificações econômicas e políticas, como o desenvolvimento da classe operária nas regiões industriais, caso do ABC paulista (Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul). Mais para o final da década, o movimento sindical do ABC lançou grandes greves que desgastaram o regime militar, abrindo as portas para a redemocratização. O último salto é para a atualidade. Na opinião da moçada, quais são as principais mudanças em curso no Brasil?

Todos esses momentos podem ser expostos num quadro sintetizando as mais importantes transformações nos campos econômico, político, social e cultural. Também vale a pena testar a hipótese para a América Latina. Nas décadas de 1810 e 1820, os quatro vice-reinos da América espanhola fragmentaram-se em mais de uma dúzia de países. Proponha que os jovens pesquisem como estavam esses países em meados do século XIX e na virada para o XX. Pode ser enfocada a Argentina, que em 1853 promulgou sua primeira constituição. Nas últimas décadas do século XIX, o país era o principal destino dos imigrantes europeus na América do Sul e tinha uma profunda vinculação com o capitalismo britânico. No ciclo seguinte, sugira o exame da crise da República Argentina, com a sucessão de golpes militares que começou em 1930. Depois pode ser analisado o início dos anos 70, quando Juan Domingo Perón ¿ que tinha sido presidente entre 1946 e 1955 ¿ retornou ao cargo (1973). Um tema obrigatório de pesquisa é a situação atual e seus dilemas, destacando a rebelião popular que depôs Fernando de La Rúa e o "novo peronismo" com o casal Kirchner.

Os resultados das investigações devem ser organizados em um quadro resumido. Depois que os dados sobre o Brasil e a Argentina forem apresentados ao conjunto dos estudantes, abra um debate sobre os pontos similares e discordantes na história dos dois países nesses momentos de ruptura.

Créditos:
Marco Antônio Villa
Formação:
Professor de História da Universidade Federal de São Carlos, SP
Autor Nova Escola

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