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Guerra e conhecimento: analise esse intercâmbio com a turma

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Mostrar aos alunos que muitas as tecnologias cotidianas foram desenvolvidas para a guerra

Ano(s) 
Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

Ciência, tecnologia e guerra são práticas e conceitos mutuamente entrelaçados. A obra de um cientista, mesmo quando este é alheio às questões de aplicação bélica, pode influir decisivamente na criação de um aparato tecnológico ou no desenrolar de um conflito armado. Da mesma forma, o produto do trabalho de um técnico pode ser fundamental para o desenvolvimento de uma teoria científica ou para o sucesso em uma batalha. A própria guerra é, muitas vezes, um fator preponderante para o surgimento de processos e idéias científicas. Sob esse aspecto, as reportagens de VEJA - bem como a lembrança de disputas no passado mais longínquo - demonstram que a contribuição da ciência e das tecnologias aos confrontos armados é mais imediata, mais aguda. Convide a classe a refletir acerca do intercâmbio de influências entre as atividades militares e a construção do conhecimento.

Peça que todos relembrem as guerras medievais e imaginem a importância do aperfeiçoamento de arcos e flechas naquele contexto. A partir daí, e com a ajuda do professor de História, a turma pode desenvolver uma linha de tempo indicando os avanços técnicos associados aos conflitos mais marcantes da humanidade.

Ressalte como os conhecimentos acumulados de metalurgia podem ter sido empregados para a confecção de canhões mais resistentes, de maior alcance e precisão a partir do Renascimento. Lembre que as tecnologias - com ou sem embasamento na ciência - aplicadas à beligerância sempre tiveram efeitos imediatos. Assim aconteceu na I Guerra Mundial, em que proliferaram as armas químicas, e também no segundo conflito generalizado, quando o desenvolvimento e uso de aviões, mísseis, radares e sonares, computadores mecânicos e eletrônicos e mesmo de artefatos nucleares determinaram fortemente os rumos da história.

Por fim, destaque um aspecto que distingue a II Guerra das anteriores no que se refere ao emprego explícito da ciência e da tecnologia. Nunca, até então, os Estados nacionais haviam se dado conta - e de maneira tão contundente - da importância vital do progresso científico, mesmo teórico, em "ciência pura", para a obtenção e manutenção da supremacia bélica.

Desafie os estudantes a listar as contribuições no sentido inverso - ou seja, das guerras para a ciência e as tecnologias. Eles devem concluir que esse viés não é tão evidente. Provoque-os a fim de que encontrem uma justificativa para isso. Explique depois que a resposta está, provavelmente, no fato de que as influências dos conflitos nas pesquisas científicas ocorre em períodos mais extensos e, muitas vezes, de modo indireto. Tome como exemplo algumas teorias - a Gravitação Universal de Newton, a Evolução das Espécies de Darwin, o átomo de Rutherford-Bohr, as Relatividades de Einstein e a Quantização da Luz e da Matéria de Planck, Einstein e Bohr.

O universo referencial disponível a qualquer um dos protagonistas nas histórias dessas teses científicas não devia nada, em particular, a nenhuma guerra. A motivação deles e o ambiente cultural em que viveram também não mostram suscetibilidade particular a qualquer conflito armado. Por outro lado, analisando o que ocorreu durante e após a II Guerra, vemos o surgimento da eletrodinâmica quântica quase como decorrência direta dos enormes investimentos do governo e das empresas americanas no ensino de ciência e na pesquisa em ciência pura e aplicada e em desenvolvimento tecnológico. Richard Feynmann, Enrico Fermi, J. Robert Oppenheimer, Murray Gell-Mann e John von Newman fizeram parte do Projeto Manhattan, assim como muitos outros físicos, químicos, matemáticos quase que exclusivamente teóricos. Desse esforço coletivo resultou a bomba atômica. Quanto às tecnologias, não há dúvida de que a guerra é um celeiro de idéias e práticas ímpares.

Com base nisso, encomende um levantamento dos principais artefatos tecnológicos desenvolvidos após 1945, quando fica evidente a influência quase direta e instantânea da guerra na ciência e, de maneira extrema, nas tecnologias. Realce que os tempos da Guerra Fria podem ser pensados como a continuação desse conflito, um embate científico-tecnológico bipolar, vencido finalmente pelos Estados Unidos com o Projeto Guerra nas Estrelas.

Discuta com os jovens um conceito mais amplo de guerra tomando como base a afirmação do general chinês Sun Tzu e o ensinamento do filósofo florentino Nicolau Maquiavel mencionados no quadro "A arte de vencer a guerra" (abaixo). Podemos dizer que a II Guerra nunca acabou de fato - apenas transfigurou-se da luta bélica numa acirrada disputa científico-tecnológica entre as nações?

Para ler e pensar

A arte de vencer a guerra
"Um chefe que está bem instruído em operações militares faz com que o inimigo se renda sem lutar, captura as cidades do inimigo sem atacá-las violentamente e destrói o Estado do inimigo sem operações militares demoradas. O prêmio maior de uma vitória é triunfar por meio de estratagemas, sem usar as tropas."
A Arte da Guerra, Sun Tzu, Ed. Record, tel. (21) 2585-2000

"Deve, pois, um príncipe não ter outro objetivo nem outro pensamento, nem tomar qualquer outra coisa por fazer, senão a guerra e a sua organização e disciplina, pois que é essa a única arte que compete a quem comanda. E é ela de tanta virtude, que não só mantém aqueles que nasceram príncipes, como também muitas vezes faz os homens de condição privada subirem àquele posto; ao contrário, vê-se que, quando os príncipes pensam mais nas delicadezas do que nas armas, perdem o seu Estado. A primeira causa que te faz perder o governo é negligenciar dessa arte, enquanto a razão que te permite conquistá-lo é o ser professo da mesma."
O Príncipe, Nicolau Maquiavel, L&PM Editores, tel. (51) 3225-5777

 

Créditos:
Renato da Silva Oliveira
Formação:
Professor de Física e coordenador do planetário AsterDomus, de São Paulo, SP
Autor Nova Escola

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