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Fios tecnológicos, conquista para a turma conhecer e vestir

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Examinar as características dos fios sintéticos e suas interações com o organismo humano

Ano(s) 
Material necessário 

Reportagem da Veja:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução 

As modernas tecnologias aplicadas à indústria têxtil vêm promovendo verdadeira revolução no setor. Não se trata mais de simples mudanças de padrões ou de produção de fios com características físicas diferentes. Os tecidos inteligentes de que fala a reportagem de VEJA incluem transformações químicas que ampliam as funções protetoras do vestuário. Confira com a classe o que ocorre entre as fibras quando adquirem tais características e as reações formadoras dos bactericidas. Vale a pena lembrar aos alunos a enorme contribuição das ciências nesse processo, suficiente para justificar a criação de um profissional especializado - o engenheiro têxtil.

Para a experiência abaixo, você precisará de tubos de ensaio, raspas de zinco metálico, óculos de proteção, luvas de borracha, ácidos bórico, salicílico e clorídrico (encontrado no comércio como ácido muriático), além de cloreto de zinco, talco qsp (quantidade suficiente para), bagueta, pires e frasco.

 

Verifique o nível de conhecimento dos jovens a respeito da transpiração, o que ela produz e para que serve. Depois, explique suas finalidades: permitir o controle da temperatura corpórea e limpar o organismo pela eliminação de toxinas prejudiciais à saúde. Ressalte que a composição química do suor - um produto do funcionamento das glândulas sudorais - é basicamente uréia, água, ácido úrico e cloreto de sódio. Seu pH situa-se na faixa de 6,2 a 6,8 (pode chegar a 8), ou seja, é bem próximo da neutralidade. Por isso, é um meio propício ao desenvolvimento de bactérias, responsáveis pelo odor desagradável.

Em seguida, passe para as formas de combater as inconveniências da transpiração. Destaque os dois tipos principais de desodorantes. Os bacteriostáticos, que evitam a proliferação de bactérias, são indicados para quem transpira normalmente e pretende apenas fazer um controle, evitando o desconforto. Os antiperspirantes, que regulam a secreção e o cheiro, são próprios para casos com excesso de transpiração. Ambos apresentam em sua formulação substâncias bactericidas e antissépticas - cloreto de zinco, cloreto de alumínio, sulfato de alumínio e outros - que impedem a proliferação de bactérias. Convém dizer à turma que as essências perfumadas são adicionadas apenas por seu efeito agradável e não para mascarar o odor. Somente a ação do germicida pode eliminá-lo.

Após a leitura da reportagem, mostre como os bactericidas são fixados ao tecido, qual a função dos íons metálicos e a vantagem de não se formar metais puros (veja o quadro).

Comente que os produtos bactericidas encontram-se em soluções, sólidos, líquidos ou pós e são adicionados à composição dos produtos têxteis por banho ou imersão dos fios ou tecidos; mistura homogênea com as matérias-primas utilizadas na fabricação do têxtil; diluição ou dispersão como um aditivo na solução de extrusão ou banho de fiação e aspersão sobre os fios ou tecidos, com adição de um fixador.
Em seguida, proponha a fabricação de um desodorante em sala de aula. Para tanto, siga as instruções do quadro à esquerda. Discuta com os alunos sobre as fórmulas das substâncias mencionadas no texto de VEJA e também as da composição do desodorante. Eles percebem semelhanças?

Explore a reação de simples troca envolvida no processo de obtenção do cloreto de zinco. Para isso, examine a reatividade química do metal, que o torna capaz de deslocar o hidrogênio. Ao conduzir a experiência, durante a comprovação do íon metálico zinco, ocorre uma reação química de dupla troca, pois há a formação de sal insolúvel. Debata o que realmente diferencia as reações da primeira e da segunda etapas.

Proponha que os alunos envolvam o professor de Biologia para discutir quais bactérias liberam odores durante a transpiração e o que acontece com elas se o pH do meio for alterado. Ele pode contribuir também explicando por que devem ser evitados alimentos excessivamente gordurosos e condimentados.

Como exercício complementar, sugira que a turma pesquise as funções do técnico e do engenheiro têxtil e as escolas que oferecem cursos nessa área.

Experiência

Preparo do bactericida
Ponha as raspas de zinco no tubo de ensaio e adicione cerca de 5 milílitros de ácido clorídrico.
1. Use os óculos de proteção e as luvas para essa operação. Chame a atenção para a reação química que ocorre: Zn(s) + 2HCl(dil) Ë ZnCl2(aq) + H2(g)
Há liberação de gás hidrogênio e no tubo a solução incolor resultante é de um sal - o cloreto de zinco.

2. Em seguida, coloque algumas gotas dessa solução num pires e deixe secar ao sol. Com a evaporação da água, ficará um pó branco e cristalino, o mesmo cloreto.

3. Na segunda etapa, comprove a presença do cátion metálico (Zn2+) na solução final. Adicione 3 milílitros de ferrocianeto de potássio à solução do tubo de ensaio.

4. Os alunos notarão o aparecimento de um precipitado branco - o ferrocianeto de zinco.

5. Mostre a equação dessa reação:
2ZnCl2(aq) + K4 [Fe(CN)6] Ë 4KCl(aq) + Zn2 [Fe(CN)6](s)

Depois, ensine a garotada a fabricar um pó desodorante. Para tanto, junte 4 gramas do cloreto de zinco, 3 gramas de ácido bórico, 1 grama de ácido salicílico e 100 gramas de talco. Misture tudo com o auxílio da bagueta até obter uma mistura homogênea. O produto é ideal para uso em tênis.

 

Para saber mais

Tratamento por banho
Para conferir resistência à proliferação de microorganismos, as fibras são imersas em uma solução apropriada. Ela contém íons metálicos - de prata, zinco ou cobre - que possuem características bactericidas de ação prolongada. Em solução não ocorre a formação de metal puro que poderia ser prejudicial ao ser humano ou ao ambiente. O detalhe da ilustração abaixo mostra o bactericida (manchas brancas) fixando-se à fibra. No quadro maior, ele já começa a preencher os espaços vazios entre os fios. Tratamentos desse tipo, mas com compostos químicos diferentes, são usados também para conferir outras características ao tecido, como impermeabilidade a água e gorduras e baixa capacidade de absorção.

 

 

 

Créditos:
Elisabete Rosa
Formação:
Professora de Química do Colégio Bandeirantes, São Paulo
Créditos:
Fábio Siqueira
Formação:
Professor de Química do Colégio Bandeirantes, São Paulo
Autor Nova Escola

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