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Explique por que os corais são os viveiros do mar

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Compreender a função dos corais no ecossistema marinho e os impactos dos desequilíbrios ambientais

Ano(s) 
Material necessário 

Reportagem da Veja:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

Ao fazer um importante alerta sobre a devastação dos recifes de coral, a reportagem de VEJA traz à baila alguns assuntos que podem ser reveladores para seus alunos. Poucos vêem essas formações calcárias dos mares como seres vivos, do qual dependem tantas outras formas de vida marinha. A leitura da reportagem desvendará para a turma muitos segredos desse ecossistema oceânico. Ela vai permitir também a compreensão de fatores que têm concorrido para o branqueamento dos corais. É uma oportunidade imperdível para estender o assunto e mostrar como vivem esses seres.

Um bom começo é perguntar aos alunos se os corais são plantas ou animais. Peça, em seguida, que eles descrevam a estrutura do corpo de um coral e comparem as diferenças e as similaridades entre esses organismos e as plantas. O quadro abaixo vai ajudá-lo a mostrar a estrutura deles e suas semelhanças com as anêmonas-do-mar, que pertencem à mesma classe biológica.

2ª etapa 

Uma vez reconhecido que o coral é um animal invertebrado, do filo Cnidários ou Celenterados e da classe dos Antozoários, você pode discutir com a turma a forma como esses animais obtêm alimentos da água do mar. Aproveite para esclarecer de que modo a matéria orgânica é filtrada no organismo do bicho. Destaque a relação existente entre eles e as zooxantelas - as algas unicelulares com as quais se associam simbioticamente. A alga aproveita a proteção do coral e, em contrapartida, fornece a ele alimento e oxigênio.

3ª etapa 

Sabendo que o coral é um filtrador de matéria orgânica, pergunte aos alunos os motivos que tornam a erosão continental nociva para ele. Considere que em princípio esse fenômeno natural leva mais recursos para o ambiente marinho.

4ª etapa 

Depois que a turma tiver bem claro que o coral é um organismo sem sistema circulatório nem excretor, com sistema nervoso difuso e sistema digestivo incompleto, discuta o que essa simplicidade estrutural acarreta. O desenvolvimento deles é menos complexo que o de um animal vertebrado triblástico (formado por ectoderma, mesoderma e endoderma, como o peixe ou o homem). A colônia de corais é proporcionalmente maior, isto é, apresenta um grande número de pólipos. Além disso, os pólipos regulam a temperatura do corpo de acordo com a do ambiente.

5ª etapa 

Uma atividade interessante que você pode propor aos alunos é o levantamento das áreas onde os corais podem ou não se desenvolver. Para tanto, eles devem levar em conta a sensibilidade do bicho às variações de temperatura e saber que as condições ideais para eles ocorrem quando a massa de água está entre 24 e 25 graus centígrados. Para a indicação dessas áreas, será necessário usar um mapa-múndi com as distribuições de massa de águas tropicais, subtropicais e polares.

6ª etapa 

Ainda quanto à variação da temperatura da água do mar, você pode propor uma série de discussões dentro do tema Ecologia. Sugira que a turma relacione problemas como o desmatamento (as queimadas promovem grande liberação de gás carbônico, o que facilita a ocorrência do efeito estufa) com o desequilíbrio da vida marinha. O aumento da temperatura média da atmosfera atinge também as águas oceânicas. Além disso, o corte da madeira, principalmente das áreas de manguezais e restingas, remove a cobertura vegetal e permite maior erosão do solo, que acaba chegando ao mar.

Também convém salientar o fenômeno El Niño - periódico, com ciclo em torno de quatro a seis anos - que tem se intensificado com o efeito estufa. Destaque ainda as conseqüências devastadoras do despejo cada vez maior de poluentes no mar: os hidrocarbonetos de petróleo vindos das embarcações; os fertilizantes organoclorados e organofosforados, utilizados na atividade agrícola; os detergentes e o excesso de matéria orgânica, trazidos dos esgotos domésticos; além dos metais pesados e dos produtos químicos das indústrias.

Recifes brasileiros
Após as atividades, você pode ainda mostrar aos alunos as principais regiões de nossa costa em que aparecem notáveis recifes de corais.

O Brasil possui áreas com grande desembocaduras de rios, o que provoca uma considerável entrada de matéria orgânica no mar. São exemplos a foz do Rio Amazonas, o delta do Parnaíba, a foz do São Francisco e o complexo estuarino-lagunar de Iguape-Cananéia e Guaraqueçaba. Apesar disso, nosso país tem águas costeiras consideradas oligotróficas. Onde essas desembocaduras não têm influência direta sobre a composição de nutrientes da água do mar aparecem formações coralíneas (algas calcárias, esponjas, briozoários e corais).

Temos algumas áreas protegidas por lei, como o Parque Nacional Marinho (Parnamar) de Abrolhos, na costa sul da Bahia; o Atol das Rocas, na costa do Rio Grande do Norte; e Fernando de Noronha, arquipélago cuja administração pertence a Pernambuco. Existem vários outros bancos, no litoral do Espírito Santo, da Bahia, de Pernambuco e do Maranhão. Embora apresentem baixa diversidade (por volta de doze espécies ao longo de toda a costa brasileira), eles possuem algumas espécies endêmicas (que só existem em um local no mundo). São dignos de nota os chapeirões (recifes em forma de cogumelo) de Abrolhos e do Parcel das Paredes, na Bahia.

Um oásis no deserto salgado

O esqueleto calcário dos corais dá origem aos recifes que se espalham pelas águas tropicais ao redor do planeta. Esses animais têm características que permitem seu crescimento em águas consideradas pobres em nutrientes (oligotróficas). São, por isso, comparados a um oásis no deserto. Em torno deles desenvolve-se uma intensa e variada vida marinha. A garoupa e a moréia escondem-se entre os corais para atacar outros peixes. Ali, a abundância de animais atrai o cação e o barracuda, dois ferozes predadores.

A estrela-do-mar, cujo estômago sai pela boca, alimenta-se dos pólipos. Os corais e as anêmonas-do-mar se alimentam de pequenos animais e de algas unicelulares. Ambos possuem um ferrão que usam para capturar suas vítimas.

A anêmona-do-mar, que também é um pólipo, difere dos corais principalmente porque não forma exoesqueleto. Os Cnidários são os primeiros animais na escala zoológica que apresentam sistema nervoso. Trata-se de uma rede de células espalhadas pelo corpo que, acoplada às células musculares, garante movimentos complexos ao animal.

Os corais são formados por duas camadas de tecido e um sistema digestivo incompleto (com apenas uma abertura bucal por onde o alimento entra e sai após ter sido digerido). Na base do corpo dos corais pétreos, o pólipo secreta e acumula as substâncias calcárias que compõem seu exoesqueleto.

 

 

Créditos:
Ricardo Lopes Crispino
Formação:
Oceanógrafo e professor de Biologia do Colégio Vera Cruz, de São Paulo
Autor Nova Escola

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