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Era uma vez na América

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Conhecer aspectos da ocupação da América, discutir a construção do conhecimento da História e da pré-história

Conteúdo(s) 
  • Ocupação da América;
  • Construção do conhecimento da História e da pré-história
Ano(s) 
Material necessário 

Reportagem da Veja

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução
A descoberta, no Chile, de vestígios humanos de 33 mil anos de idade torna mais complexo o quebra-cabeça da presença humana no continente. Os pesquisadores admitem que as Américas constituíram a última etapa da jornada do homo sapiens sobre a Terra, iniciada na África há 100 mil anos, mas ainda não têm respostas para várias questões. Que caminhos esses grupos humanos utilizaram? Quais as etapas de seu percurso? Quando chegaram? Houve uma única migração ou levas sucessivas, separadas por milhares de anos, como parecem sugerir as mais recentes descobertas arqueológicas e a própria disparidade cultural dos povos pré-colombianos? O plano de aula aponta para esses aspectos cruciais - e mostra como é difícil chegar a conclusões definitivas a respeito deles.

 

Tradicionalmente, os estudos sobre a pré-história e, em especial, a pré-história americana são complicados e polêmicos. O fato de focalizarem sociedades que desapareceram há milhares de anos e que deixaram poucos registros, sobretudo por não conhecerem a escrita, é um primeiro complicador. Além disso, o pesquisador trabalha com fósseis, esqueletos, pedras manuseadas, pedaços de madeiras queimadas e outros objetos pouco comuns que exigem técnicas e procedimentos diferentes (escavações, prospecções, datação pelo carbono radioativo etc.) para sua compreensão e análise. Atualmente, a Biologia, a paleoparasitologia, estudos de DNA e variações dentárias, etc. vêm ajudando a desvendar o processo de ocupação humana do planeta - um terreno movediço, no qual um novo achado arqueológico ou uma hipótese afinal confirmada pode colocar em xeque uma teoria até então inquestionável. Por isso, a arqueologia e as disciplinas próximas seguem sinuosos e arriscados caminhos, traçados por escavações cuidadosas e conclusões sempre relativas.


Todas essas dificuldades e polêmicas são reproduzidas nos estudos relacionados ao povoamento do continente. A maioria dos pesquisadores admite que o homem veio da Ásia para a América através do Estreito de Bering. Esse caminho terrestre surgiu no período glacial, quando o congelamento da água expôs o fundo do oceano nos trechos mais rasos e criou "pontes" de gelo; como a última glaciação terminou há 12 mil anos, os homens teriam chegado por essa época. Todavia, há indícios de presença humana anterior, a exemplo dos restos fósseis de Meadowcroft (Pensilvânia, EUA), que têm aproximadamente 19 mil anos. Além disso, alguns estudiosos consideram que os homens podem ter vindo pelo Estreito de Bering, mas em sucessivas glaciações. E há os que discutem rotas alternativas como um caminho terrestre pelas ilhas Aleutas, entre a Ásia e a América, ou a partir da Polinésia.

Nos últimos anos, a multiplicação das descobertas tem delineado um quadro cada vez mais complexo. No Chile, no México e no Brasil encontram-se importantes vestígios e sítios arqueológicos, que talvez indiquem uma presença do homem na América bem anterior à que se admite atualmente. No Brasil, por exemplo, a antropóloga Niède Guidon procura provar à comunidade científica internacional que os vestígios encontrados em São Raimundo Nonato, no Piauí, são indicações de presença humana que teria ocorrido entre 40 e 48 mil anos atrás. Tudo isso ultrapassa em muito os 12 mil anos atribuídos aos restos humanos encontrados no sítio de Lagoa Santa, em Minas Gerais, considerados os mais antigos do Brasil.

No Chile ocorre a mesma situação. Apesar dafirmação do pesquisador chileno, corroborada pelo texto de VEJA, quanto aos vestígios arqueológicos de 33 mil anos, a descoberta ainda depende de confirmação para ser aceita - o que pode reembaralhar as cartas sobre o povoamento do continente. Por enquanto, a interpretação desses vestígios continua em aberto, pois se a datação já foi confirmada, não se sabe ainda se os vestígios encontrados nos pedaços de madeira carbonizados são mesmo humanos. Contudo, se qualquer um desses aspectos for confirmado, as teorias sobre as rotas de imigração e a antigüidade humana no continente sofrerão alterações radicais, e o quebra-cabeça americano ficará mais complicado e mais rico.

Divida os alunos em grupos e encarregue-os de pesquisar, em livros e mapas, elementos para recriar as ondas de migração humana para a América, dando destaque à ocupação da América do Sul e, em especial, do Brasil.

Para alcançar esse objetivo, os alunos devem elaborar um grande mapa do continente americano e preenchê-lo com os seguintes elementos:
as correntes de povoamento da América, procurando diferenciar aquelas que já estão cientificamente provadas e as que são hipóteses esperando confirmação;
a identificação dos sítios arqueológicos nos quais ocorreram descobertas importantes, que ajudaram a delimitar e quantificar a idade humana no continente.

No mapa do Brasil, os alunos devem identificar os sítios arqueológicos mais significativas, mencionados no texto de apoio, e a colaboração que deram para a arqueologia americana de maneira geral e para a brasileira de modo especial.

2ª etapa 

A partir de suas pesquisas, os alunos devem fazer um texto curto sobre as escavações de São Raimundo Nonato.

 

3ª etapa 

Aproveite a polêmica sobre as recentes descobertas arqueológicas para retomar com seus alunos as discussões sobre as características e especificidades da construção do conhecimento histórico.

 

Para saber mais

Carbono 14, o relógio cósmico
Quando os pesquisadores verificaram que a cada 5700 anos a quantidade de átomos radiativos de carbono na matéria orgânica cai pela metade, a arqueologia ganhou um relógio cósmico relativamente preciso, capaz de apontar a idade de materiais de até 50 mil anos. Esse relógio baseia-se na ocorrência dos átomos radiativos de carbono 14, que surgem na atmosfera quando os raios cósmicos reagem com o nitrogênio do ar e acabam impregnando todos os restos de plantas e animais. Hoje, a precisão nas medições é aumentada usando-se curvas de compensação: o conteúdo de carbono 14 da amostra sendo examinada é comparado ao de objetos de idade conhecida, compensando-se desse modo eventuais desvios. Também foram desenvolvidas técnicas para evitar a contaminação das amostras, o que falsearia o resultado das datações. Atualmente, a contaminação de amostras de menos de 25 mil anos é relativamente rara.

A criação do acelerador espectrômetro de massa transformou o carbono 14 num relógio cósmico ainda mais preciso. Esse instrumento permite operar com amostras de apenas 1 mg de carbono, enquanto o método mais antigo exigia pelo menos 25 g de material. Além disso, o espectrômetro permite a contagem de todos os átomos de carbono de massa 14, enquanto antes era contada apenas a radiatividade dos átomos que decaíam no período examinado. São avanços científicos promissores para os estudiosos da história e da pré-história do homem.

Pesquisa
Caminhos da expansão humana pelo planeta

Os antepassados do homem surgiram na África, há milhões de anos, e o mesmo aconteceu ao homo sapiens moderno, há cerca de 100 mil anos. A partir dali, a espécie humana iniciou sua expansão, povoando a Europa e a Ásia, para afinal chegar à América através do Estreito de Bering e ocupar o continente desde o Alasca até a Terra do Fogo e a Patagônia. Mas será que foi esse o único caminho? O mapa ao lado traz elementos importantes para seus alunos identificarem as principais rotas da ocupação da América e os aplicarem no mapa elaborado por eles. Aqui, as setas vermelhas indicam o povoamento a partir da África, e também o principal caminho migratório da Ásia para a América e os sentidos migratórios internos reconhecidos, confirmados por sítios arqueológicos como os de Meadowcroft (EUA), de 19 mil anos. As setas amarelas, por sua vez, indicam rotas propostas por alguns pesquisadores. Assim, a América também teria sido povoada por navegadores vindos da Polinésia e de outros arquipélagos do Pacífico.

Finalmente, grupos australianos teriam chegado à Antártida quando este continente ainda não estava totalmente coberto de gelo e mais tarde atingiram a Terra do Fogo.

 

Veja também:

Bibliografia
Dossiê Surgimento do Homem na América
, Revista USP 34, Edusp, fone: (11) 3091-4156
A América Pré-Colombiana, Ciro Flamarion Cardoso, Ed. Brasiliense, fone: (11) 2098-1488

Filmografia
A Guerra do Fogo
, Jean-Jacques Annaud, Canadá
Evolução, Michael Mills, Canadá

 

Créditos:
José Geraldo Vinci de Moraes
Formação:
Professor de História da UNESP
Autor Nova Escola

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