Aqui você pode pesquisar os planos existentes

 


Ensine sobre a importância da solidariedade no tratamento de doenças

Publicado por 
novaescola
Ano(s) 
Material necessário 

Reportagem da Veja:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

Houve um tempo em que a lepra, a peste e outras moléstias contagiosas eram vistas como castigo divino. Muitos desses problemas estão hoje sob controle. Sabemos que os flagelos de nosso tempo não provêm da cólera do céu, mas da ação de vírus como o HIV. As doenças e a morte, no entanto, continuam a atemorizar. E isso ocorre mesmo no caso de males não contagiosos. O texto "Terapia da Alma" narra como muitas vítimas do câncer se deixam abater, entregando-se à angústia e à solidão. Para fazer frente à investida psíquica, não bastam sessões de quimioterapia: é fundamental a participação em grupos de apoio como o Re Vida, que inspirou a reportagem. Como observou o cineasta e ex-paciente de câncer Hector Babenco, citado no texto de VEJA: "A ajuda psicológica ensina a dividir a dor. Essa é também uma trajetória de cura".

A união contra a adversidade é uma característica de nosso tempo ou também se manifestava no passado, quando a medicina dispunha de muito menos recursos contra as enfermidades? Para responder à questão, peça que os estudantes examinem como os doentes ¿ e suas enfermidades ¿ foram vistos ao longo dos séculos. A turma vai perceber que, apesar da existência de males como a Aids, a sociedade vem aprendendo a respeitar a dignidade humana.

 

Como eram tratadas as vítimas das doenças contagiosas ao longo da história? Proponha pesquisas sobre a lepra ¿ associada na Bíblia à impureza e ao pecado ¿ e a Peste Negra (1347-1349), a maior epidemia medieval, que teria matado um terço da população européia. Informe que nos séculos seguintes, outros surtos de peste transmitidos pelas pulgas dos ratos atingiram o Velho Mundo. As pessoas infectadas eram abandonadas em suas casas, deixadas pelas estradas ou então mortas, para que não contaminassem os indivíduos sadios. Doença e pecado tinham relação íntima: a peste era tida como castigo de Deus.

Esse quadro se modificou na Idade Moderna? Lembre que a intensificação dos contatos entre os povos, decorrência da expansão marítima e comercial, facilitou a propagação de surtos de varíola, tifo, cólera e febre amarela. Proponha estudos sobre a situação da saúde no Brasil colonial. As condições sanitárias nas vilas e cidades favoreciam as epidemias? Conte que desde a chegada de Tomé de Souza à Bahia, em 1549, existem registros de epidemias que exterminaram milhares de indígenas. Na falta de tratamento, os doentes eram isolados, tinham seus pertences queimados e tentavam sobreviver até que a epidemia desaparecesse. Explique que nesse período as pessoas travavam um contato muito mais direto com a doença e a morte, pois não havia hospitais nem uma medicina eficaz. Os idosos geralmente morriam em casa, cercados pelos familiares. Em contrapartida, existiam rituais de morte, como os velórios e períodos de luto, que ajudavam no convívio com a dor.

Investigue com a classe a transformação dessas condições no século XIX, quando as cidades ganharam redes de água e esgoto ¿ o que ajudou a diminuir a mortalidade. A vacina, criada no final do século XVIII, passou a ser cada vez mais usada contra a varíola e outras doenças. Proponha que a turma examine a situação do Rio de Janeiro, cidade de epidemias e foco da febre amarela. Destaque as revoluções urbanísticas do início do século XX: demolição de dezenas de cortiços e abertura de largas avenidas no centro da então capital do país. Não esqueça as reformas sanitárias, com as ações de Oswaldo Cruz contra a febre amarela e a vacinação em massa contra a varíola. Em 1904, irrompeu a Revolta da Vacina, com barricadas e choques nas ruas entre a polícia, o exército e populares amotinados.

Que aspectos tornaram a saúde pública instrumento de luta política? A força era o único meio de realizar uma campanha de vacinação? Conte que, no Ceará, o farmacêutico Rodolfo Teófilo desenvolveu uma vacina própria contra a varíola e passou a inocular a população do centro e da periferia de Fortaleza. Ele foi atacado pelo governo e pelos jornais situacionistas, que o acusavam de ser um propagador de doenças. Mesmo assim, valendo-se de recursos particulares, Teófilo imunizou milhares de conterrâneos. E isso em uma cidade que, nos períodos de seca, recebia legiões de retirantes doentes, famélicos e subnutridos.

Encaminhe pesquisas sobre a conjuntura do Brasil contemporâneo, caracterizada pela melhoria do saneamento básico (água e esgoto tratados), a construção de casas de saúde e hospitais e as campanhas de vacinação. Pergunte que efeitos essas medidas tiveram sobre a mortalidade infantil e a extensão da vida da nossa população. Mostre que, paralelamente, passou a haver um respeito maior à situação do enfermo, visto como um cidadão que tem direito a recuperar a saúde. Sugira que os alunos analisem males como a dengue e a Aids. Organize discussões sobre a atuação de grupos de ajuda como os Alcoólicos Anônimos e a Fundação Viva Cazuza, que prestam auxílio, respectivamente, a dependentes do alcoolismo e vítimas da Aids (apresente à turma o quadro abaixo).

Para saber mais 


O tempo dos grupos de ajuda
Um grupo de apoio como o Re Vida pode ser visto como um descendente dos Alcoólicos Anônimos, instituição formada nos Estados Unidos em 1935. Os AA são fruto da vida urbana, ambiente que evidencia fragilidades psíquicas como a propensão ao alcoolismo. O cenário também permite que desconhecidos se reúnam em nome de um objetivo comum: o de permanecer sóbrios "só por hoje". Decorridos 67 anos, os AA estão implantados em 150 países e congregam mais de 3 milhões de homens e mulheres.

Com o tempo, a entidade inspirou a formação de outros grupos de ajuda, como os Narcóticos Anônimos, o Al-Anon (Familiares e Amigos de Alcóolicos), o Nar-Anon (Familiares e Amigos de Dependentes Químicos) e os Neuróticos Anônimos, que dão apoio a quem sofre de depressão, ansiedade e insônia. Um novo impulso ocorreu na década de 1980, quando a Aids assumiu dimensões de epidemia mundial. Hoje, entidades como o Gapa (Grupo de Apoio e Prevenção à Aids) e a Fundação Viva Cazuza, do Rio de Janeiro, dão testemunho da importância da solidariedade entre os portadores do vírus HIV para reforçar o desejo de viver.

 

Créditos:
Marco Antonio Villa
Formação:
Professor de História da Universidade Federal de São Carlos, SP
Autor Nova Escola

COMPARTILHAR

Alguma dúvida? Clique aqui.