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Energias limpas em debate

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Analisar limites e possibilidades econômicas e ecológicas das diferentes opções energéticas

Conteúdo(s) 
  • Fontes de energia,
  • matriz energética,
  • energias limpas (eólica, solar, hidrelétricas e biocombustíveis).
Ano(s) 
Tempo estimado 
4 aulas
Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução
Quando Bill Clinton encerrou seu segundo mandato como presidente dos Estados Unidos (1993-2001), ele deixou um legado considerável, apesar das polêmicas motivadas por indiscrições pessoais. Sua administração foi marcada, entre outros pontos, pela busca do equilíbrio das contas públicas - o ex-presidente deixou um notável superávit fiscal para seu sucessor - pelas políticas sociais contra a discriminação e pelas ações diplomáticas, em vez de intervenções armadas, em conflitos pelo mundo. Agora, chefiando uma fundação, Clinton se dedica a causas como o combate à AIDS e à pobreza. A Clinton Foundation também apoia iniciativas de microcrédito e incentiva o uso de fontes de energia limpa. É o que mostra a entrevista do ex-presidente nas páginas amarelas de VEJA desta semana. Convide a turma a examinar as posições de Clinton sobre a questão energética no mundo. A entrevista serve como mote para comparar e analisar prós e contras das diferentes opções de produção de energia.

Depois da leitura da entrevista, pergunte aos alunos o que já sabem sobre os impasses e as perspectivas com relação à questão energética no mundo. Em seguida, peça que destaquem a posição de Bill Clinton no campo das energias limpas e alternativas. Questione a turma sobre a avaliação que fazem dessa posição. Cabe notar que o ex-presidente não se pronuncia sobre o papel de seu país nas negociações em torno da renovação do Protocolo de Kyoto. Desde o início, os EUA se recusaram a integrar o acordo, apesar de serem os principais emissores de gases de efeito-estufa e terem sua matriz energética essencialmente apoiada em combustíveis fósseis. É bom lembrar também que o petróleo deverá continuar respondendo por cerca de 40% da demanda mundial de energia até 2020 - embora as fontes consideradas limpas estejam aumentando sua participação. Nesse quadro, a produção de energia responde por cerca de 30% da emissão de gases-estufa no planeta.

 

Vale lembrar, também, que as fontes fósseis não são renováveis, o que indica a necessidade urgente de sua substituição.


Ainda sobre as fontes fósseis, destaque o complexo jogo de interesses envolvendo países produtores (do Oriente Médio, Rússia, Venezuela), grandes consumidores (como os EUA) e grandes empresas produtoras, capazes de fazer lobbies poderosos e influenciar a agenda política dos Estados.

 

TEXTO DE APOIO

A energia eólica é uma fonte energética considerada limpa e renovável. Já é usada há milênios por diferentes sociedades e culturas, com os moinhos de vento e os barcos a vela. De custo relativamente baixo, ela demanda a construção de turbinas eólicas com torres e pás para gerar eletricidade. A Europa possui hoje liderança no setor - 13% da eletricidade gerada na Dinamarca vem do aproveitamento da força dos ventos. Há produção elevada na Alemanha e na Espanha e projetos em andamento nos Estados Unidos, China e também no Brasil. Mostre à garotada que é preciso existir condições naturais adequadas para gerar energia desta forma, como ventos constantes a até 50 metros de altitude e velocidade média dos ventos em torno de 7 a 8 metros por segundo.

A energia solar, por sua vez, supera com vantagens as demais por uma razão bastante simples: ao contrário das condições naturais exigidas para obter energia dos ventos, das marés ou de reservas existentes, a luz do Sol está em toda parte. Pode-se obter energia para aquecimento de água ou geração de eletricidade mesmo em locais com permanente nebulosidade - seja por meio de centrais energéticas e sistemas de células fotoelétricas ou por coletores individuais com placas planas. Nos últimos anos, é forte a expansão dessa fonte energética no Japão, na China e em países da Europa ocidental (especialmente Espanha e Itália), além dos Estados Unidos. Mas as iniciativas se multiplicam pelo mundo; muitos dos novos edifícios já contam com sistemas de captação da energia que vem do Sol.


As técnicas e tecnologias usadas para obter energia da força das águas também são muito antigas na história da humanidade. É o caso dos antigos moinhos de água para moer grãos e dos sistemas hidráulicos construídos na China antiga. Hoje, as usinas hidrelétricas respondem por cerca de 20% da eletricidade consumida no mundo - com destaque particular para o Brasil, considerando uma espécie de "Arábia Saudita" da hidroeletricidade. As hidrelétricas respondem pela quase totalidade da geração de eletricidade em nosso país. Há elevada produção hidrelétrica também na China, no Canadá e nos Estados Unidos, e o crescimento dessa produção em países da zona tropical úmida na África, como República Democrática do Congo, Tanzânia, Moçambique e Zâmbia. Mas esta opção energética também tem suas contrapartidas, como a supressão de áreas agrícolas e habitats naturais para diferentes espécies e a alteração dos regimes hídricos em função da construção de reservatórios e barragens. Não é por outra razão que usinas como a de Belo Monte, no rio Xingu, vêm sofrendo forte questionamento em nosso país.

A geração de energia da biomassa e dos biocombustíveis está em franco desenvolvimento. O Brasil novamente se destaca nesse campo, com a produção de etanol de cana. Menos produtivo e mais questionado, o etanol à base de milho vem sendo produzido nos Estados Unidos. Existem basicamente três formas de utilização das matérias nessa opção energética: a queima de madeira e de outros restos vegetais (a ser abandonada, já que suprime coberturas vegetais); a produção de biocombustíveis (etanol, biodiesel); e o aproveitamento da biomassa, se corretamente processada, para gerar eletricidade (palhas, cascas de arroz, fibras de coco, lixo doméstico, resíduos de animais etc.).

 

2ª etapa 

Proponha que a turma se divida em grupos para preparar um painel com um quadro comparativo ilustrado sobre as fontes de energia. Os alunos deverão anotar o modo de funcionamento e de implantação da fonte energética, os principais países produtores e consumidores, quais as maiores reservas, a capacidade instalada e os benefícios (tanto do ponto de vista ambiental, quanto social).


Destaque para a classe que o conjunto das fontes de energia primária de um país é a sua matriz energética. A fonte de energia, por sua vez, inclui as fontes naturais de energia primária (a matriz) e as fontes artificiais de energia secundária. Entre as fontes consideradas limpas ou alternativas estão a eólica, a solar, a hidrelétrica e à base de biocombustíveis.

3ª etapa 

Auxilie os grupos na montagem dos quadros ou paineis com os resultados dos trabalhos. Em seguida, peça a cada grupo que faça uma exposição oral dos resultados.

4ª etapa 

Organize uma discussão coletiva sobre a importância da diversificação da matriz energética de cada país - avaliando seus eventuais custos e benefícios. Aqui está em questão também analisar com a turma qual o significado do crescimento da demanda mundial de energia. Para finalizar o trabalho, encomende uma dissertação individual sobre o tema das energias limpas.

Avaliação 

Leve em conta os objetivos estabelecidos neste plano de aula, a produção escrita e participação de cada aluno nas tarefas individuais e coletivas. Na apresentação e na avaliação das opções energéticas, analise a pertinência dos argumentos favoráveis e contrários a cada uma delas. Valorize a apresentação visual e a correção conceitual e de informações dos paineis elaborados pelos alunos.

 

Quer saber mais?

Internet
Planeta Sustentável - artigos, entrevistas, dados e reportagens sobre a questão energética no Brasil e no mundo

Bibliografia
Energia Alternativa: solar, eólica, hidrelétrica e de biocombustíveis, Marek Walisiewicz (Publifolha, 2008).

 

Créditos:
Roberto Giansanti
Formação:
geógrafo e autor de livros didáticos.
Autor Nova Escola

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