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El Niño e La Niña: entenda as diferenças

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 
  • Reconhecer as características climáticas de um inverno atípico em território brasileiro
  • Entender a dinâmica das massas de ar em território brasileiro
  • Compreender o que são os fenômenos do La Niña e do El Niño e seus efeitos sobre as condições meteorológicas de nosso país em cada estação do ano
Conteúdo(s) 
  • Dinâmica atmosférica
  • Massas de ar e estações do ano
  • Interações oceano-atmosfera
  • Efeito El Niño e La Niña
Ano(s) 
Tempo estimado 
2 aulas
Material necessário 

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Desenvolvimento 
1ª etapa 
Divida a turma em grupos de no máximo cinco alunos e distribua fotocópias da matéria de Veja acima, de forma que possam ler em duplas. Peça para que façam uma leitura silenciosa da matéria, anotando os principais fatos relatados no texto. Oriente os alunos a listar as características climatológicas que, segundo a reportagem, estariam fora do padrão para a estação do inverno. Neste caso teríamos:
  • estiagem prolongada, principalmente, nos estados do Nordeste, Sul e Sudeste;
  • e chuvas com enchentes, sobretudo, no estado do Amazonas.

Em seguida, questione os alunos buscando identificar a impressão deles sobre as características climáticas vivenciadas nestas últimas semanas de inverno: eles realmente acharam os dias muito quentes e secos? Como isso influenciou em seu dia a dia? Por que acham que tivemos um dos invernos mais secos e quentes dos últimos tempos? Peça para que os grupos anotem as opiniões dos componentes em uma folha de caderno.


Explique para os alunos que, para vários especialistas (climatologistas e meteorologistas), não existe nada de anormal nessas particularidades do inverno deste ano. Ocorre que, o fenômeno atmosférico pelo qual atravessamos é decorrente da grande intensidade de atuação da massa de ar tropical continental, a qual tem como características principais a baixa umidade relativa do ar e as temperaturas relativamente elevadas, e que impediu o avanço das frentes frias sobre a região Centro-Sul e Nordeste, que trariam chuvas, o que seria a condição climatológica mais normal para essa época do ano.

2ª etapa 

Leiam juntos o artigo da revista Veja, O El Niño bate à porta. Convide os alunos a levantarem, dentro de seus grupos, os principais indicios a serem observados no clima para saber se está acontecendo o El Niño. Eles devem apontar os seguintes indicadores:

  • Aumento da temperatura do Pacífico Equatorial de ao menos 0,5 grau
  • Enfraquecimento dos ventos, com intensidade menor que o padrão
  • Índice de Oscilação do Sul negativo, com a pressão em Darwin maior que no Taiti


Em seguida, peça para destacarem do texto o trecho que explica os efeitos mais extremos desse fenômeno climático, conforme apresentamos abaixo:

"O cenário mais trágico já pintado pelo El Niño ocorreu entre 1997 e 1998. As águas do Pacífico que banham a América do Sul chegaram a se aquecer 5 graus. Nos Estados Unidos, os dois primeiros meses de 1998 foram os mais quentes e chuvosos em 104 anos. No Brasil, a seca no Norte deu início a um incêndio florestal em Roraima que destruiu 40 000 quilômetros quadrados de terra, ou o equivalente ao Estado do Rio de Janeiro. No Rio Grande do Sul, choveu o dobro da média histórica, deixando 15 000 pessoas desabrigadas. O efeito global foi devastador, com a morte de 2100 pessoas e prejuízo de 33 bilhões de dólares."

 

3ª etapa 

Questione os alunos: o que são as massas de ar? Explique que as massas de ar apresentam-se como gigantescos "bolsões" de ar atmosférico, com características próprias de temperatura, umidade e pressão. Sobre o Brasil atuam três tipos diferentes de massas de ar:

  • As massas equatoriais, que se formam na região do Equador; por isso, são quentes e, em geral, úmidas.
  • As massas tropicais, que também são bolsões quentes, originam-se nas áreas próximas
  • ao trópico de Capricórnio. Quando se formam sobre os oceanos, geralmente apresentam bastante umidade; quando provêm de áreas continentais são, sobretudo, secas.
  • As massas polares, que têm origem no polo Sul do planeta; por isso, são muito frias. Também podem ser secas ou úmidas, conforme a área (continental ou oceânica) por onde se deslocam.


Para que os alunos compreendam melhor a atuação das massas de ar sobre o território brasileiro, exiba no datashow o mapa abaixo, que mostra esse fenômeno em dois meses diferentes do ano, ou seja, em um mês de alto verão (janeiro) e um mês de alto inverno (julho):

massas de ar america

Boligian, Levon; Boligian, Andressa Alves. Geografia Espaço e Vivência: Ensino Médio. São Paulo: Atual, 2011

 

O que explicar para a turma

É sempre importante identificar as denominações e as variações das características das massas de ar, se continentais ou marítimas. Exemplo: Em (massa de ar equatorial marítima) - é uma massa de ar equatorial mais úmida, pois tem sua origem sobre o oceano; Tc (massa de ar tropical continental) - é uma massa de ar quente, já que é tropical, porém mais seca, já que tem sua origem sobre o oceano. Em seguida, explique também que o comportamento das massas de ar, assim como o avanço ou o recuo das frentes de transição, muda de acordo com as estações do ano. No Brasil, por exemplo, que tem seu território localizado quase totalmente na zona tropical do planeta, predominam durante o verão as massas de ar equatorial e tropical. Por tanto, durante essa estação, os dias são mais quentes que em outras épocas do ano. Já no inverno, a massa de ar polar ganha força e proporciona o surgimento de várias frentes frias, que avançam sobre o território brasileiro, tornando as temperaturas mais amenas, sobretudo na região Centro-Sul do país.

 

4ª etapa 

Verifique se não existem dúvidas na turma sobre a dinâmica das massas de ar sobre o nosso país. Em seguida, explicando que, de acordo com parte dos especialistas, o que intensificou a atuação da mTc sobre o Centro-Sul do país, ou seja, o bolsão de ar quente e seco, foi a interferência de um outro evento que tem sua origem na interação entre o oceano e atmosfera, denominado La Niña.

Ele consiste no fenômeno de resfriamento das águas do oceano Pacífico, o que, interfere na direção dos ventos atmosféricos, interferindo nas características das massas de ar e, consequentemente, das condições meteorológicas em escala regional, continental e global. Explique que em outros períodos ocorre o fenômeno inverso, ou seja, de aquecimento das águas do Pacífico, o que dá origem ao evento do El Niño. Para auxiliá-lo nas explicações, acesse o link abaixo, onde existem infográficos animados que caracterizam o mecanismo dos períodos de La Niña e de El Niño:

Em seguida, acesse o link que segue para que os alunos vejam os efeitos de cada um dos fenômenos em diferentes partes do planeta.

Nele você também encontrará as animações de maneira individualizada:

 

el nino

 

Foque nas características de alteração mostradas pelo planisfério e pelo mapa do Brasil:

clima

 

mapa regioes

 

Avaliação 

Peça para que os grupos comparem as informações divulgadas pela reportagem de Veja e a lista de impressões registradas por eles, com as informações fornecidas pelo mapa acima, região a região. Oriente-os a responder a seguinte questão: é possível dizer que este inverno foi influenciado pelos efeitos do La Niña? Por fim, peça que um representante de cada grupo exponha para os demais grupos a conclusão a que chegaram.

Observe a participação dos alunos, averiguando o nível de interesse dos mesmos nas discussões desenvolvidas em grupo e o espírito colaborativo de cada integrante no desenvolvimento da atividade final proposta. Verifique se, por meio de suas respostas eles conseguiram reconhecer as características climáticas de um inverno atípico em território brasileiro, entender a dinâmica das massas de ar no nosso país e compreender os fenômenos do La Niña e do El Niño e seus efeitos sobre as condições meteorológicas de nosso país em cada estação do ano. Avalie se o grupo conseguiu incorporar os novos conceitos e as novas informações trabalhados, aplicando-os na elaboração da resposta à questionamento final.

 
Créditos:
Levon Boligian
Formação:
Professor de metodologia do ensino de Geografia e Autor de livros didáticos
Autor Nova Escola

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