Aqui você pode pesquisar e adaptar planos já existentes

 


Ecoturismo no Brasil

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 
  • Entender a influência da mobilidade espacial no desenvolvimento do turismo
  • compreender o processo de turistificação
  • discutir as razões do aumento do ecoturismo e os prós e os contras dessa atividade.

 

Conteúdo(s) 
  • Mobilidade espacial
  • turistificação
  • ecoturismo
Ano(s) 
Tempo estimado 
3 aulas
Material necessário 

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução 

O Guia VEJA "Ecoturismo - Para onde vale viajar" constata: o Brasil é o paraíso do ecoturismo. Mas desde quando? As atrações que alimentam essa atividade econômica são criações recentes ou já existiam anteriormente? A pergunta é um bom ponto de partida para a discussão com a turma. Embora os paraísos naturais existam há muito tempo, só foram "turistificados" recentemente, passando por um processo que envolve diversos atores sociais. Mas o que caracteriza essa transformação de um local em ponto turístico? Aproveite o Guia VEJA e este plano de aula para sugerir aos alunos algumas reflexões e observações sobre como vem acontecendo o processo de turistificação de diversas áreas brasileiras.

 

Apresente à turma o Guia VEJA "Ecoturismo - Para onde vale viajar". Em seguida, pergunte aos alunos quais as principais razões do aumento do turismo no Brasil e no mundo. Dê um tempo para que eles apresentem suas observações e, em seguida, conclua com a turma que são várias as transformações sociais que estão na base da multiplicação das atividades turísticas. Entre elas, a principal é o aumento da mobilidade espacial dos grupos sociais. Por meio dela, cresceu o número de viagens - incluídas nesse total as viagens turísticas.

Pergunte à turma: é possível pensar-se o turismo sem o desenvolvimento tecnológico incorporado aos sistemas de transportes? A evolução dos sistemas de transportes não deve ser considerada como parte de uma verdadeira revolução geográfica na história da humanidade? Ao mesmo tempo em que as distâncias geográficas diminuíram, multiplicaram-se os contatos entre os povos dos mundos e os lugares por eles habitados?

Atualmente é possível fazer turismo em praticamente qualquer lugar. Há notícias de viagens para a "terceira idade" no deserto do Atacama no Chile, o mais seco (e antes, quase inacessível) do mundo. O que um fato desses indica? Quais os outros fatores que contribuem para acelerar ainda mais essa mobilidade espacial do ser humano?

Para ampliar a discussão com a moçada, apresente os pontos abaixo:

  1. O que acontece quando há o crescimento de volume de usuários de rotas de viagens, de rotas turísticas, por exemplo? Isso não permite que os investimentos sejam mais facilmente recuperados e, ao mesmo tempo, estimula novos investimentos? Vale refletir sobre isso.
  2. Com o aumento do volume de viagens, não haverá barateamento de custos de transportes em razão da economia de escala (comum a qualquer ramo econômico), multiplicando e estendendo o acesso a uma diversidade maior de grupos sociais? Não é por isso que quando se fala em "turismo de massas" está se falando em turismo mais barato?
  3. Não surgiram novas atividades humanas como produto direto desse aumento da circulação? O turismo é uma delas, e quem sabe a mais importante. O que são eventos como Olimpíadas, Copas do Mundo de futebol, exposições e feiras internacionais? Trata-se de eventos turísticos criados, entre outras razões, porque há mobilidade espacial. Sem pessoas dos mais variados lugares do planeta esses eventos existiriam? Essas ações não estimulam mais ainda a ampliação da mobilidade espacial humana?
  4. E como se inclui o ecoturismo nesse contexto? Podemos dizer que ele também é uma invenção da mobilidade espacial humana? Como chegar aos paraísos ecológicos? Aliás, só são paraísos conhecidos porque neles se pode chegar, conhecê-los e divulgar sua condição.
2ª etapa 

Há quem afirme que o ser humano no mundo moderno inevitavelmente seria turista. O que a turma acha disso? Vimos na aula anterior que o turista é um produto incontrolável do aumento da mobilidade geográfica individual. Mas será só isso? Certamente, não. Fatores como o aumento da renda e do tempo livre tiveram contribuição decisiva para o crescimento das atividades turísticas em diversas partes do mundo.

Pergunte à turma: o que mais é preciso para atrair e cativar esses turistas ávidos por novidades? Alguns alunos certamente falarão sobre a criação de estradas, hotéis, atividades de lazer etc. Explique a eles, então, que estamos falando de um fator chave denominado "turistificação".

Enfatize com a turma que nenhum lugar se torna um ponto turístico espontaneamente. Se não houver meios de transportes adequados para chegar lá, nem capacidade de hospedagem e assistência ao visitante, o lugar não será turístico - mesmo que seja lindo e pleno de monumentos naturais e humanos.

Aliás, será que tais monumentos e paisagens naturais eram atrações turísticas antes da cidade ser turistificada? O município de Brotas, no estado de São Paulo, por exemplo, sofreu uma intensa turistificação e hoje é apontado como um dos destinos mais desejados do país. É só ver o número de vezes que Brotas é citada no Guia de VEJA. A transformação da cidade em polo de ecoturismo surpreende até sua própria população. Afinal, tudo que hoje é atração estava lá, e nem por isso, o município e seu pequeno núcleo urbano eram objetos de visitação.

Finalize a aula perguntando à classe: quem transformou Brotas em um lugar turístico? Foram as atrações? Ou foi o trabalho de vários empreendedores que aproveitaram certas condições do lugar e mudanças culturais importantes no comportamento social, como uma nova forma de respeito e admiração pela natureza que antes não existia?

3ª etapa 

Diga à turma que as cidades foram os primeiros lugares a serem turistificados. Eles conseguem explicar por quê? Ouça as respostas e pontue com os estudantes que esses destinos têm mais meios de transportes e formas de hospedagem. Além disso, algumas cidades, como Londres e Paris, costumavam ser romantizadas e mitificadas pela literatura e pelo cinema ao longo do século 20. De que forma isso contribuiu para que as pessoas se interessassem por visitá-las?

Pergunte, então, quais os lugares que têm ganhado espaço nos últimos tempos nas aspirações dos viajantes? Conclua com os alunos que recentemente surgiu a figura do turismo alternativo. Alternativo a quê? Ao turismo dominante.

Cada vez mais, há uma série de fatores geográficos que atraem turistas além das cidades. Isso se deve, entre outros motivos, aos avanços dos transportes que permitem um acesso a locais outrora inalcançáveis. Deve-se também à revalorização de certas características do meio natural - como as áreas litorâneas, as paisagens montanhosas e também as paisagens insólitas, com marcas próprias, como a megafauna africana ou os desertos chilenos.

Diga à classe que há outro fator importante que contribui para o aumento do turismo alternativo. Eles sabem qual é? Dê um tempo para que sugiram opções e, em seguida explique que estamos falando da cultura ambientalista. Ela não é portadora de uma carga crítica à cidade, vista como um lugar enlouquecedor e destruidor do meio ambiente? O ambientalismo não propõe uma re-harmonização do ser humano com a natureza? Não seria essa pretensão a principal energia construtora de novos lugares turísticos? O ecoturismo se beneficia dessa cultura e ele próprio vem se modificando, introduzindo um novo elemento não associado à cultura ambientalista original: a aventura.

O que busca o turismo de aventuras? Para ajudar a encontrar as respostas, proponha à classe as reflexões abaixo sobre o ecoturismo e seu crescimento econômico (e sua capacidade de turistificar novos lugares):

  1. Qual a modalidade de turismo que muda mais os lugares turísticos: o turismo em cidades, ou o ecoturismo? Que lugar está mais diferente em razão do turismo: Rio de Janeiro ou Brotas?
  2. As formas alternativas de turismo não têm problemas de custo ambiental que estão sendo ignorados? Não são elas que agem sobre os paraísos ecológicos, dando acesso a volumes de visitantes em áreas em que antes não chegava ninguém? Não existe risco nisso?
  3. Por outro lado, esse tipo de turismo não consegue valorizar áreas (rios, formações e vegetais) que estavam sendo maltratadas e que agora viraram objetos de preservação, inclusive para mantê-las como atração turística? O risco aqui é matar a galinha dos ovos de ouro.
Avaliação 

Ao longo das três aulas, observe se os alunos entenderam a ideia de turistificação, as razões que levaram a um aumento do ecoturismo e os prós e os contras desse desenvolvimento.

 

Quer saber mais?

Bibliografia
GOLDNER, Charles R. et al. Turismo : Princípios, Práticas e Filosofias. Porto Alegre: Bookman, 2002. 8ª edição. 472 p. (Cap. 17 - Turismo e Meio Ambiente)
CAVACO, Carminda. "Turismo rural e desenvolvimento local" In: RODRIGUES, Adyr A. B. Turismo e Geografia. São Paulo: Hucitec, 1996. (p. 94-121)
KNAFOU, Rémy. "Turismo e território: por uma abordagem científica do turismo". In: RODRIGUES, Adyr A. B. Turismo e Geografia. São Paulo: Hucitec, 1996. (p. 62-74)

 

 

Créditos:
Fernanda Padovesi Fonseca
Formação:
Geógrafa, professora do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo e autora de livros didáticos
Autor Nova Escola

COMPARTILHAR

Alguma dúvida? Clique aqui.