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Diversidade nos ambientes litorâneos

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Conhecer a origem da diversidade nos ambientes litorâneos; entender o processo de formação de uma espécie biológica; desenvolver trabalho de campo.

Ano(s) 
Material necessário 

Reportagem da Veja:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

A reportagem de VEJA aponta uma característica fundamental do mar brasileiro: "nosso trecho do Atlântico é fértil em diversidade mas não em estoques. Tem peixes de muitas espécies, mas, no total, poucos peixes". Por que isso acontece? Para dar uma resposta a seus alunos, use este plano de aula.

Você poderá desenvolver a aula a partir da leitura da reportagem e de perguntas sobre alguns conceitos-chave. Os alunos, divididos em grupos, farão pesquisas sobre cada tema, buscando respostas e explicações que mais tarde serão comentadas em sala de aula.

O que é biodiversidade? E espécie biológica?
Podemos definir biodiversidade como a quantidade de espécies biológicas em determinado ambiente. Espécie biológica, por sua vez, é uma população de organismos cujos membros são capazes de se cruzar livremente em condições naturais, gerando filhos férteis.

O que é ecossistema?
É o conjunto de interações entre componentes vivos e não vivos de um determinado ambiente, que envolvem troca de matéria e de energia. Um ecossistema pode ser pequeno como uma poça d'água ou grande como o oceano.

Quais fatores determinam a maior ou menor biodiversidade de um ambiente?
Entre as hipóteses levantadas, destacam-se a incidência de grandes perturbações num ecossistema, a capacidade de produção de energia, a estabilidade climática, a competição por alimento e a atividade predatória entre as populações.

Perturbações naturais - As glaciações - a última delas ocorrida há 11 mil anos - castigaram os mares temperados, contribuindo para o extermínio de milhares de espécies. Já os mares tropicais, menos atingidos, abrigam comunidades com maior número de espécies.

Luz - A grande incidência de luz nos trópicos favorece a produção do fitoplâncton. Estes microrganismos capazes de fazer fotossíntese estão na base da pirâmide alimentar dos oceanos. Nos trópicos, eles fornecem energia abundante (isto é, comida) para muitas espécies. Ao contrário, nas zonas temperadas e frias, com menor incidência de luz, a produção de fitoplâncton é menor. No entanto, há menos espécies participando das cadeias alimentares, o que resulta em maior número de indivíduos por espécie e, portanto, em grande estoque pesqueiro.

Estabilidade climática - As grandes variações climáticas dos ambientes temperados e frios favoreceram algumas poucas espécies tolerantes a essas mudanças. Ao contrário, nos mares tropicais, o ambiente estável durante quase todo o ano contribuiu para aumentar o número de espécies. Para atenuar a competição, os organismos foram se especializando e acumularam modificações genéticas que os favoreceram.

Relevo - As irregularidades do relevo submarino cri-am ambientes diversos, nos quais os indivíduos de uma espécie se isolam. Paralelamente, mutações acarretam uma constituição genética diferente daquela da população original. Chega um momento em que a população geneticamente alterada não pode mais cruzar com a população original, passando a formar uma nova espécie. Quanto mais irregulares a topografia e o relevo, maior a possibilidade de as populações se isolarem e darem origem a novas espécies.

Temperatura - Ao se chocar com o relevo submarino, a água impulsionada pelas correntes marinhas tende a subir, arrastando consigo os nutrientes depositados no fundo. Mas a presença de águas mais quentes perto da superfície age como barreira, dificultando a chegada desses nutrientes às camadas superiores. Por exemplo, a Corrente do Brasil, um "rio" submarino de águas mornas (entre 23º e 28º C) acompanha todo o litoral brasileiro, mas no Sudeste e Sul sua ação é neutralizada pelas águas frias vindas do Atlântico Sul. Por isso, as águas mais frias encontradas do litoral fluminense até o gaúcho são as mais favoráveis à pesca.
Além disso, camadas de água de temperaturas diferentes criam ambientes diversos. Elas agem como "barreiras térmicas", impedindo que muitas espécies de fundo interajam com as espécies que vivem nas águas superficiais. Ou seja, cada faixa dos mares é um ambiente.

2ª etapa 

A brincadeira do telefone sem fio pode dar a seus alunos uma idéia da origem das espécies em um ambiente. Separe a classe em dois grupos e passe uma frase simples a um aluno de cada grupo. Eles deverão passá-la a um colega sem que os outros ouçam, até que o último aluno de cada grupo a receber a informação escreva a frase na lousa. Estas, com certeza, vão ser muito diferentes da frase original. Faça uma analogia com o que ocorre com as espécies quando se isolam. Assim como a frase original se modifica no decorrer da brincadeira, a informação genética sofre mutações ao longo do tempo.

3ª etapa 

Pode-se usar a técnica dos quadrados para mostrar aos alunos a diversidade ambiental. A idéia é contar o número de organismos presentes em quadrados de 1 m2 . Se a escola ficar perto do litoral, será possível visitá-lo e traçar os quadrados num costão rochoso, fazendo contagens em diferentes alturas da rocha. Os quadrados, porém, podem ser traçados no próprio jardim da escola.

Vida costeira
Embora os oceanos cubram 71% da superfície terrestre, a maior diversidade das formas de vida marinha concentra-se no litoral dos continentes, graças à riqueza de nutrientes trazidos pelos rios, à ação da luz solar nos trópicos e aos movimentos do mar em direção à terra. Ao longo da costa brasileira há diversos ecossistemas que podem ser pesquisados (in loco ou através de livros) por seus alunos. Veja os principais ecossistemas litorâneos do Brasil:

Mangues
Ocorrem do Amapá até o sul de Santa Catarina, ocupando 2.900 dos 8.000 km da costa. Formam-se onde o rio encontra o mar em regiões planas, recortadas ou em baías. São ricos em nutrientes trazidos pela água do rio (folhas e materiais decompostos). Poucas espécies vegetais vivem nessa área alagada, devido à água salobra e ao solo compacto e pouco oxigenado. As plantas típicas desse ambiente apresentam raízes-escoras, que permitem uma melhor fixação no solo movediço de lama negra, ou raízes respiratórias, que saem verticalmente do solo em busca de oxigênio. Caranguejos, ostras, aves e pequenos mamíferos habitam o mangue, onde boa parte da fauna costeira passa pelo menos uma fase da vida: para se reproduzir ou atingir a idade adulta.

Costões rochosos
Os trechos do litoral formados por rochas podem ser divididos em quatro categorias. A primeira está constantemente submersa e abriga algas verdes, pardas e vermelhas e animais como esponjas, poliquetos (pepinos-do-mar), ostras, mexilhões e peixes. Outra parte do costão sofre ação intensa das ondas e reveza períodos de alagamento e exposição devido ao movimento das marés.

Nela vivem poucas algas, resistentes à batida das ondas, além de poliquetos, mariscos, caranguejos e ouriços. Na parte do costão atingida apenas por borrifos do mar ou por marés muito altas encontram-se algas resistentes à desidratação e moluscos, caranguejos, cracas e baratinhas.

Acima da faixa de ação marinha existem líquens, que decompõem a rocha criando condições para o estabelecimento de vegetação terrestre.

Praias arenosas
Formam-se a partir da decomposição das rochas litorâneas e sofrem a influência das marés. Na área imersa, o solo não permite a fixação de algas. A fauna ali é constituída por organismos que vivem enterrados ou semi-enterrados e que se nutrem do plâncton (minúsculos seres vivos, animais e vegetais) suspenso na água. Em função das marés, uma faixa das praias fica exposta duas vezes ao dia. Moluscos, poliquetos, tatuís, caranguejos, bernardos-eremitas e bolachas de praia são típicos dessa área. As tartarugas-marinhas, seres de mar aberto, enterram seus ovos na areia. Aves como a gaivota comem pequenos organismos. Acima do limite das marés sucedem-se gramíneas e outras vegetações rasteiras adaptadas à falta de água e à salinidade.

Estuários
Certas desembocaduras de rios alargam-se até formar braços de mar. Esses complexos ecossistemas podem agrupar rochas, mangues e praias de areia. São exemplos o estuário do rio Ribeira de Iguape, na Juréia (SP), o delta do rio Parnaíba, entre Piauí e Maranhão, e a foz do rio Amazonas, no Pará.
 

Veja também:

BIBLIOGRAFIA
Biodiversidade
, E. O. Wilson, Nova Fronteira, fone: (21) 2131-1111
Diversidade da Vida, E.O.Wilson, Cia. das Letras, fone: (11) 3707-3500

 

Créditos:
Miguel Angelo Thompson Rios
Formação:
Professor de Biologia dos colégios Giordano Bruno, Mopyatã e N. S. das Graças, de São Paulo
Autor Nova Escola

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