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Devemos usar menos papel ou derrubar mais árvores?

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Refletir sobre a substituição da vegetação nativa por matas artificiais

Ano(s) 
Material necessário 

Reportagem da Veja:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

Quando o mundo entrou de vez na era digital, nos anos 1990, uma das maiores expectativas dos ambientalistas era que o uso do computador diminuísse o consumo de papel e fizesse cair o número de árvores derrubadas pela indústria de celulose. Uma das reportagens do caderno Especial de VEJA sobre a Amazônia informa que, em vez de inibir, os meios eletrônicos parecem ter estimulado ainda mais a disseminação dos textos impressos. Para não levar ao colapso as reservas verdes do planeta e atender às demandas cada vez maiores por papel, as empresas começaram a plantar florestas próprias. No Brasil, é como se um Rio Grande do Norte inteiro e um pouquinho mais estivessem tomados por espécies cultivadas artificialmente. A importância econômica desse tipo de iniciativa é sempre destacada, mas pouco se fala dos impactos ambientais decorrentes de tais práticas. Então, que tal usar o texto de VEJA como base para discutir se vale a pena ter um só tipo de árvore numa grande extensão de terra?

Com duas semanas de antecedência, proponha que os estudantes coletem amostras de solo em diversos ambientes ao redor da escola: quintais, praças, bosques, terrenos baldios, praias etc. Com o auxílio de uma lupa ou de um microscópio, os adolescentes devem investigar a diversidade de seres vivos presentes nas amostras e anotar tudo aquilo que observarem. Providencie um ou dois pacotes de alpiste - ou de qualquer outra semente de germinação rápida - e plante nos diversos tipos de solo. Coloque o material em local arejado e em condições adequadas de hidratação e iluminação. Então, incentive a turma a acompanhar o desenvolvimento das mudas por aproximadamente 30 dias.

Oriente a leitura da reportagem e ressalte que a silvicultura, nome oficial da cultura de árvores florestais, parece dar conta da produção de celulose imposta pelo consumo crescente de papel. Só no Brasil, são 5,4 milhões de hectares modificados intencionalmente pelo homem com o pressuposto de reposição da flora local. Lembre que durante muito tempo tornou-se lugar-comum o seguinte conselho: se você destruir uma árvore, deverá plantar duas no lugar. Que duas são essas? Da mesma espécie ou não? Estimule as manifestações da classe e ressalte que, de fato, é mais fácil reflorestar uma área com vegetais de uma única espécie do que respeitar a diversidade natural de um ambiente desmatado. A turma conhece algum exemplo assim?

Conte que algumas experiências com matas artificiais deram certo - caso do cultivo de pinheiros e eucaliptos no Paraná - e outras fracassaram. Dê um exemplo desse último tipo: nos anos 1920, o empresário americano Henry Ford tentou fazer com que uma fazenda em Fordlândia, no Pará, vivesse exclusivamente da extração do látex da seringueira. O pai da linha de montagem de automóveis plantou milhares de mudas do vegetal num perímetro extenso da Floresta Amazônica. No entanto, não levou em conta a teia alimentar daquele ecossistema. Resultado: as árvores foram contaminadas por um tipo de fungo e a plantação foi completamente destruída. Já na Malásia, poucos anos depois, a mesma estratégia foi adotada - com sucesso imediato. A explicação é que o fungo parasita da seringueira não era endêmico àquela região da Ásia e, claro, não fazia parte de sua teia alimentar.

Pergunte o que aconteceria se todas as florestas naturais fossem substituídas por artificiais. Como ficariam as teias alimentares de cada ambiente? Será que os recursos minerais dos solos seriam suficientes para nutrir todos os vegetais de poucas espécies? Ressalte que cada espécie tem necessidades específicas de temperatura, água e nutrientes. Para cada tipo de ambiente, portanto, as condições não são as mesmas. Questione o que ocorreria às teias alimentares se as florestas artificiais fossem planejadas apenas com espécies adaptadas à região. Teríamos a mesma diversidade de seres? Haveria a substituição das espécies endêmicas em uma região ou elas simplesmente deixariam de existir?

2ª etapa 

Explore o quadro "A Indústria por Trás do Verde" e informe o nome popular de espécies bastante usadas no replantio de áreas devastadas no país:
- árvores frutíferas: goiabeira, murici, papagaio, pombeira e cajazeiro;
- árvores de grande porte: jequitibá, sapucaia, peroba-de-campos, cedro e imbuia; e
- árvores com flores: ipês, quaresmeira, mulungus e canafístulas.

Ao final de um mês, repita a análise do solo e compare os dados obtidos no primeiro momento. Ajude os jovens a levantar hipóteses que expliquem as diferenças encontradas em cada tipo coletado, principalmente em relação à diversidade de seres vivos originais. Debata uma situação-problema fictícia: um município qualquer desapropriou uma área que originalmente abrigava um trecho de Mata Atlântica. Com o passar dos anos, o espaço foi desmatado e acabou virando, sucessivamente, horta comunitária, cultura de flores para uma floricultura da cidade e campo de futebol. Hoje é um terreno baldio. Para dinamizar a atividade, organize um tribunal para decidir que tipo de cultura - ou culturas - poderia ser desenvolvido nesse local, respeitando a natureza e a economia. Divida os alunos em grupos e peça que cada equipe se manifeste sobre o reflorestamento dessa área de acordo com os seguintes parâmetros:
1) defensores da monocultura do ponto de vista econômico;
2) defensores da policultura do ponto de vista econômico;
3) defensores da monocultura do ponto de vista ambiental;
4) defensores da policultura do ponto de vista ambiental;
5) ambientalistas;
6) o júri em si.

Apresente os quadrinhos que ilustram este roteiro e solicite dissertações sobre as contradições ambientais criadas pelo homem.
 

Veja também:

Internet 
O endereço www.sbs.org.br, da Sociedade Brasileira de Silvicultura, oferece estatísticas sobre o setor florestal brasileiro

 

Créditos:
Miguel Castilho Junior
Formação:
Professor de Biologia da Escola Nova Lourenço Castanho, de São Paulo
Autor Nova Escola

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