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De espécie exótica a praga invasora

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Investigar riscos à biodiversidade causados pela introdução de espécies exóticas

Conteúdo(s) 

Espécies exóticas invasoras, difusão geográfica de espécies e biodiversidade

Ano(s) 
Tempo estimado 
Duas aulas
Material necessário 
Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

Em meados do século XIX, na Austrália, o fazendeiro Thomas Austin, nascido na Inglaterra, soltou doze pares de coelhos para reeditar as caçadas de sua terra natal. Talvez não imaginasse o que um ato tão simples poderia provocar: em poucas décadas, os bichinhos já tinham se espalhado por todo o país, onde faltam predadores naturais para manter sua população sob controle. Estima-se que foram erguidos mais de 3 mil quilômetros de cercas no país para conter a invasão dos coelhos, empreitada que não obteve sucesso. Nesse caso, e também no de outros animais importados da Inglaterra para caça, as espécies exóticas viraram pragas, causando desequilíbrios ecológicos. É o que mostra a reportagem de VEJA, novamente tendo a terra dos cangurus como palco. Levados da Arábia para transportar cargas pelo deserto australiano, os camelos se proliferaram e hoje atingem a marca de 1 milhão de espécimes no país.

A prática de introduzir espécies exóticas não é recente. Com a chegada dos portugueses ao que mais tarde viria a ser o Brasil, inúmeras espécies de plantas e animais foram difundidas no território. Algumas se adaptaram tão bem e são tão presentes hoje que muitos pensam tratar-se de espécies nativas - como os coqueiros da orla marítima nordestina, originários da região do Índico. Entretanto, são muitos também os casos de espécies invasoras que se disseminaram sem controle e passaram a disputar espaço e recursos com plantas e animais nativos. Convide a garotada a conhecer a quetão mais de perto e avaliar a extensão do problema.

 

Feita a leitura da revista, lance algumas questões para debate: por que espécies exóticas são introduzidas nos espaços? Essa dispersão ocorre por acidente ou de forma intencional? Que atividades humanas contribuem para essa disseminação? Em que pé está o Brasil nesse quesito?

Informe que as espécies exóticas invasoras são organismos (plantas, animais, fungos e microorganismos) que se encontram fora de sua área natural de distribuição, seja por dispersão intencional seja acidental. Fatores naturais também contribuem, como a dispersão pelas correntes marinhas e pelo vento.

Mostre aos alunos que se atribui à colonização europeia a maior responsabilidade pela difusão e introdução de espécies exóticas nos diferentes continentes. No caso da presença portuguesa no Brasil, a lista é enorme, contendo alguns itens que viraram símbolos do país tropical e hoje são obrigatórios em nossa dieta: além do coco, a cana-de-açúcar, a banana, a manga, o algodão, o arroz, o feijão, o trigo, a uva, a aveia e muitos outros. Da mesma forma, foram os portugueses os responsáveis pela introdução dos principais animais domésticos e de exploração pecuária no território nacional, como cães, gatos, galinhas, bovinos, coelhos, jumentos, cavalos e caprinos. No caminho inverso, lusos e espanhóis se encarregaram de levar a outras partes do mundo produtos nativos da América, como o cacau, o milho, a batata, a mandioca, o tomate, o caju, o amendoim e o tabaco.

Esse intercâmbio, de um lado, reforçou a tendência de diferentes povos de incorporar bens, produtos e hábitos graças ao contato com outras culturas, na medida em que foram sendo rompidos os isolamentos geográficos. Ao mesmo tempo, permitiu uma ampliação extraordinária da produção agrícola e de alimentos. De outro lado, como mostra o texto, não são poucos os casos em que as espécies exóticas tornaram-se pragas e tomaram o lugar das nativas, reduzindo a biodiversidade e provocando desequilíbrios nas cadeias alimentares. São exemplos as variedades de capim e de coníferas espalhadas pelo território nacional, inclusive em unidades de conservação de florestas nativas.

Conte que algumas experiências de aclimatação de espécies foram malsucedidas. Foi o caso dos camelos, introduzidos no sertão nordestino por serem animais resistentes à seca. Se isso não acontecesse, talvez a reportagem não focalizasse a Austrália, mas o Nordeste brasileiro. Sugira pesquisas na biblioteca e na internet sobre esse episódio, ocorrido no século XIX.

Peça aos jovens que preparem listas de casos conhecidos, no Brasil ou no mundo, em que houve a difusão irreversível de espécies exóticas. Proponha também que investiguem as causas da dispersão geográfica dessas espécies e suas repercussões. Essas devem incluir modificações ambientais, como o estímulo à desertificação, e o impacto econômico das mudanças.

2ª etapa 

Recolha as contribuições dos estudantes e discuta os resultados de forma coletiva. Eles podem preparar quadros sobre origens e destinos das espécies exóticas e seus efeitos nos ambientes nativos.

Complemente a discussão assinalando que a preocupação com o problema levou a ONU a criar o Programa Global de Espécies Invasoras, além de aprovar na Conferência Mundial para o Meio Ambiente de 1992, realizada no Rio de Janeiro, a Convenção da Diversidade Biológica, que visa assegurar a preservação da biodiversidade e dos ecossistemas nativos.

Destaque os casos de dispersão acidental de espécies. Um deles, muito conhecido e de difícil monitoramento, é a chegada de espécies aquáticas pela água de lastro de navios estrangeiros que atracam nos portos. No Brasil, uma norma da Marinha estabelece que os navios devem fazer a troca dessa água a 200 milhas da costa, em profundidades de pelo menos 200 metros.

Um caso exemplar de espécie invasora em nosso país é o do caramujo-gigante africano, um molusco terrestre do nordeste da África introduzido no final dos anos 1980 no Brasil como alternativa à criação de escargot. Adaptado aos ambientes aqui existentes, pois gosta de locais úmidos e com sombra, ele se transformou numa praga que se alastrou pela faixa litorânea, da Bahia a Santa Catarina. Entre os pontos mais infestados está o litoral sul paulista. Os caramujos são seres hermafroditas que se multiplicam rapidamente e devastam hortas, jardins, culturas agrícolas e a flora urbana. Também transmitem doenças, como uma infecção abdominal que pode levar crianças à morte. Esse animal já assolou nas últimas décadas áreas do Havaí e da Flórida (EUA), Austrália, Índia e países do Sudeste Asiático.

Para seus alunos 

Gigante invasor

Praga: o caramujo-gigante africano (Achatina fulica). Foto: Prefeitura de Aracruz, ES/divulgação
Praga: o caramujo-gigante africano (Achatina fulica). Foto: Prefeitura 
de Aracruz, ES/divulgação

O caramujo Achatina fulica foi introduzido no Brasil no Paraná por um servidor da Secretaria de Agricultura daquele estado, que buscava uma alternativa econômica ao escargot (Helix aspersa). A segunda introdução foi no porto de Santos, também por um servidor público em meados da década de 1990. Ele montou um heliciário na Praia Grande, no qual promovia cursos de final de semana. O fracasso das tentativas de comercialização levou os criadores, por desinformação, a soltar os caramujos nas matas. Como se reproduz rapidamente e não possui predadores naturais no país, tornou-se uma praga agrícola e pode ser encontrado em praticamente todo o litoral brasileiro, principalmente no sul do estado de São Paulo.

Os adultos da espécie atingem até 18 centímetros de comprimento de concha e chegam a pesar 500 gramas. É uma espécie extremamente prolífica: alcança a maturidade sexual aos 4 ou 5 meses de vida, e pode realizar até cinco posturas por ano, com 50 a 400 ovos por postura.

 

O caramujo Achatina fulica foi introduzido no Brasil no Paraná por um servidor da Secretaria de Agricultura daquele estado, que buscava uma alternativa econômica ao escargot (Helix aspersa). A segunda introdução foi no porto de Santos, também por um servidor público em meados da década de 1990. Ele montou um heliciário na Praia Grande, no qual promovia cursos de final de semana. O fracasso das tentativas de comercialização levou os criadores, por desinformação, a soltar os caramujos nas matas. Como se reproduz rapidamente e não possui predadores naturais no país, tornou-se uma praga agrícola e pode ser encontrado em praticamente todo o litoral brasileiro, principalmente no sul do estado de São Paulo.

Os adultos da espécie atingem até 18 centímetros de comprimento de concha e chegam a pesar 500 gramas. É uma espécie extremamente prolífica: alcança a maturidade sexual aos 4 ou 5 meses de vida, e pode realizar até cinco posturas por ano, com 50 a 400 ovos por postura.

Com base nos dados e discussões, proponha à garotada a elaboração de dissertações sobre o tema. Eles devem situar eventuais prejuízos e benefícios da introdução de espécies exóticas e levar em conta as normas e acordos internacionais já estabelecidos.

 

Quer saber mais?

BIBLIOGRAFIA
A Invenção do BrasilRevista National Geographic Brasil, n. 86, maio de 2007.

INTERNET
As espécies exóticas invasoras representam um perigo à biodiversidade. Disponível em:
http://ecoviagem.uol.com.br/fique-por-dentro/artigos/meio-ambiente/as-especies-exoticas-invasoras-representam-um-perigo-a-biodiversidade-1313.asp

 

Créditos:
Roberto Giansanti
Formação:
Autor de livros didáticos
Autor Nova Escola

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