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Crise financeira e meio ambiente

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Avaliar as eventuais repercussões da crise na produção econômica e no uso dos recursos naturais 

Conteúdo(s) 

Economia e ecologia

 

Ano(s) 
Tempo estimado 
3 aulas
Material necessário 

 

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Sempre lembrado em momentos de crise, o economista inglês John Maynard Keynes afirmava que o equilíbrio das relações econômicas não pode ficar a cargo do mercado. Ele recomendava o aumento das despesas produtivas e investimentos públicos para combater o desemprego e a menor da demanda por bens e serviços. Suas ideias influenciaram, por exemplo, o pacote de recuperação econômica nos Estados Unidos no período da Grande Depressão dos anos 1930, no governo de Franklin D. Roosevelt.

Em boa medida, é o que estamos vendo hoje, com maciços investimentos de recursos públicos para salvar instituições financeiras e estabilizar os sistemas de crédito. No Brasil, sobressaem iniciativas como as políticas de concessão de crédito, redução de taxas de juros e estímulo à produção - caso do pacote voltado à construção de moradias. Mas em que medida o mercado, no atual quadro de crise financeira, estaria interferindo nas variáveis socioambientais? A reportagem de VEJA traz o assunto como pauta, destacando a queda na produção industrial, a redução das emissões de gases-estufa e o fechamento de fábricas poluidoras. Mas tal responsabilidade deve permanecer ao sabor das empresas? Convide a turma a debater o tema.


1ª aula - Peça que os estudantes destaquem exemplos citados na revista a respeito de empresas, países ou blocos econômicos cuja retração está contribuindo, ainda que involuntariamente, para diminuir a poluição atmosférica e outros danos ambientais. Existem outras empresas e setores nessa situação? A "seleção natural" que descarta empresas poluidoras é observável apenas nos países ditos emergentes? A crise financeira é suficiente para mudar estruturas e padrões produtivos e de consumo, geralmente nocivos ao ambiente? Que setores e atividades deveriam ser incentivados, diante da crise financeira e ambiental? Sugira que todos reflitam sobre essas questões.

Divida a classe em três grupos e encomende uma série de pesquisas a cada um deles. Mostre que a desaceleração econômica atingiu também grandes montadoras, caso das americanas General Motors, Ford e Chrysler. Com a queda no crédito e nos níveis de consumo e as incertezas do momento, muitas pessoas, tanto nos EUA como em outros países, deixaram de comprar carros novos para não comprometer sua renda futura. Assim, acostumadas com o elevado padrão de consumo americano, as empresas tiveram de bater às portas do governo federal de pires na mão. Obviamente, isso tem repercussões nos sistemas de deslocamento e mobilidade espacial e, em particular, na diminuição da queima de combustíveis fósseis por veículos automotores. Solicite que um dos grupos recolha dados sobre demissões, redução na produção ou fechamento de unidades produtivas no setor automobilístico.

Um segundo grupo deve examinar as perdas no setor imobiliário - sobretudo o dos EUA, estopim da forte crise atual. Em boa medida, o freio à construção e venda de imóveis nos domínios de Tio Sam também pode evitar o comprometimento das cidades e das dinâmicas urbanas. Como se sabe, novos edifícios e bairros desvinculados de planos de urbanização podem trazer consequências deletérias para a vida nas cidades. Ainda mais num país onde a suburbanização feita à base de bairros residenciais de alto padrão (nos quais o automóvel é essencial) é uma marca registrada. Por outro lado, a desocupação ou abandono dos imóveis cria áreas "cinzentas", sem vitalidade urbana.


Lembre aos jovens que, além desses dois setores, a crise também se abateu, em diferentes países, sobre a cadeia da produção de energia, o agronegócio, a extração de minérios e setores industriais tradicionais, como a siderurgia. Observe que, apesar do efeito ambiental positivo (e involuntário) da crise, isso não é condição necessária e suficiente para mudar aspectos estruturais da produção econômica e da vida social. Nesse quadro, não é difícil imaginar que a retomada econômica rapidamente poderia restabelecer os níveis anteriores de consumo, emissão de gases e exploração de recursos naturais estratégicos.

Ressalte que não é possível mudar a matriz energética de um país da noite para o dia. O Brasil é um bom exemplo: no auge da crise do petróleo de 1973, o governo militar resolveu investir na produção de álcool combustível à base de cana. Na época, isso foi considerado uma insanidade. Pois foi justamente por causa de uma crise que se gerou a oportunidade de criar uma fonte energética viável e alternativa aos combustíveis fósseis - ainda que ela reforce o modelo automobilístico e também traga prejuízos ambientais. O mesmo bom exemplo vale para o modelo nacional de geração de energia por usinas hidrelétricas - que usam, mas não consomem a água. Mas foram necessárias algumas décadas para que tudo isso virasse realidade.

O Brasil também é palco de outra situação que merece a pesquisa do terceiro grupo. Se está havendo redução do desmatamento, das queimadas e da emissão de gases-estufa, isso não significa que diminuíram os riscos para a Amazônia e outras coberturas florestais. A devastação das florestas resulta de um complexo circuito que vai da retirada quase silenciosa de madeira nobre às queimadas e colocação de pastos e culturas agrícolas - algo que as autoridades dos diferentes níveis territoriais de poder ainda não conseguiram (ou não se interessaram em) conter.

 

2ª etapa 

2ª e 3ª aulas - Encarregue os alunos de estruturar os dados e conclusões das pesquisas feitas na aula anterior. Em seguida, proponha que se organizem em pequenos grupos para elaborar painéis com textos, mapas e figuras sobre o tema das aulas. Os painéis podem ser expostos na escola ou servir para debates e discussões com outras turmas. No trabalho, eles devem destacar iniciativas e propostas de caráter sustentável que mereçam ser incentivadas diante da crise financeira e ambiental.

Discuta com a garotada algumas perspectivas. Assinale, em primeiro lugar, que iniciativas como a produção "verde" de combustíveis propostas pelo governo Barack Obama podem surtir efeito quanto à redução das emissões de combustíveis fósseis. Mas, por outro lado, também podem gerar novas demandas por veículos individuais. Todos falam em sustentabilidade, mas é preciso considerar o que isso significa para cada ator social.

O cenário mais adequado é o de investir em fontes energéticas limpas, alternativas e viáveis economicamente, mas articuladas a outras políticas públicas, como as de urbanização, transportes coletivos públicos de massa, habitacional e de geração de emprego e renda. O mesmo se pode dizer quanto à busca de alternativas para regiões como a Amazônia, onde crescem e se evidenciam opções socioeconômicas de exploração da "floresta em pé": pesquisas em fármacos e biotecnologia, coleta e processamento de produtos florestais, manejo sustentável da floresta e muitas outras iniciativas. Tais medidas valem também para outras regiões com extensas coberturas de floresta tropical ameaçadas, como as da Indonésia ou da África central.

Como apontam os exemplos da história recente, nada melhor do que uma crise para o desenvolvimento de oportunidades. Desta vez, que elas sejam de fato mais sustentáveis do ponto de vista ecológico, econômico e social.

 

INTERNET

O site http://planetasustentavel.abril.com.br/ traz dados e artigos sobre desenvolvimento sustentável.

BIBLIOGRAFIA
Sobre crise financeira e cidades
, leia a entrevista "Wall Street e o Direito à Cidade", com o geógrafo norte-americano David Harvey. Le Monde Diplomatique Brasil, ano 2, nº 20, março de 2009, págs. 6 e 7. 

 

Créditos:
Roberto Giansanti
Formação:
Autor de livros didáticos.
Autor Nova Escola

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