Aqui você pode pesquisar e adaptar planos já existentes

 


Converse com a turma sobre o transporte hidroviário na Amazônia

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Perceber as potencialidades e limitações do transporte hidroviário na Amazônia e em outras regiões brasileiras

Ano(s) 
Material necessário 

Reportagem da Veja:

 

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

A palavra "paraná" faz seus alunos lembrarem de quê? De um Estado do Brasil? "Vaticano" os remete à sede da Igreja Católica? Se você perguntou a eles e obteve essas respostas, os jovens acertaram, mas é provável que vocês não vivam na Amazônia. Nessa região, paraná designa um canal que liga dois rios, enquanto vaticano é um barco a vapor, maior que uma gaiola (a qual, diga-se, não se destina apenas a passarinhos). Tais informações fazem parte da bagagem cultural das populações amazônicas, objeto da reportagem de VEJA. Entre outros aspectos, o texto mostra a difusão do transporte hidroviário na região. Isso acontece porque os caminhos aquáticos já estão praticamente prontos, enquanto as rodovias e ferrovias precisam ser planejadas e construídas do zero. A Amazônia é a parte do território brasileiro em que mais se utiliza nos deslocamentos a rede hidrográfica, integrada pelos rios, paranás, igarapés e por outros percursos encharcados. Envolvendo esse complexo sistema há uma vida social, econômica e mesmo cultural específica, e dela resulta uma geografia bem própria. Para reforçar essa noção, apresente à turma as fotos destas páginas.

Leve para a classe mapas atualizados da malha rodoviária e da rede hidrográfica da Amazônia (ou pelo menos dos estados do Pará e do Amazonas). A comparação entre os mapas permitirá à turma perceber até que ponto os rios da região são aproveitados como caminhos pela população local.

Os estudantes dispõem de informações sobre o transporte da região onde a escola se encontra, em especial sobre o sistema de média e larga escala, que liga uma localidade a outras? Encomende uma pesquisa sobre a rede predominante na área: rodoviária, hidroviária, ferroviária ou aérea. Ou será que a região é atendida por um sistema intermodal, com a articulação de diversos tipos de malha? Sugira também uma comparação entre as características locais e as do sistema brasileiro de transporte (escala nacional). Um outro elemento de análise: qual o papel das condições naturais em relação aos deslocamentos predominantes na área? Na Amazônia, como o texto de VEJA evidencia, a influência é direta. Será que isso também se verifica em outros rincões brasileiros?

 

 

Trilhas encharcadas da floresta: a canoa desliza pelos igarapés e paranás. Foto: Pedro Martinelli

Trilhas encharcadas da floresta: a canoa desliza pelos igarapés e paranás

Os temas para discussão ou pesquisa correspondem a dois planos diferentes. O primeiro trabalha a hidrovia como instrumento para a aproximação de populações. O segundo examina as conseqüências, para a geografia da Amazônia, da predominância da malha hidroviária. As atividades associadas a esses tópicos ajudarão os estudantes a compreender melhor o potencial e as dificuldades desse tipo de recurso no Brasil.

Mãe conduz filha à escola: o rio está incorporado ao cotidiano. Foto: Luiz Braga
Mãe conduz filha à escola: o rio está incorporado ao cotidiano

A utilização das hidrovias responde por dois terços do transporte mundial, incluindo aqui o realizado por mar. Como já foi observado, esse predomínio decorre em boa medida do fato de a via aquática, por onde circulam as embarcações, já estar praticamente pronta. À primeira vista, pareceria suficiente dominar as técnicas de construção de embarcações e os métodos de navegação, o que vem sendo feito ao longo da história. Mas as coisas não são tão simples. Pergunte que obras humanas são necessárias para que um rio em sua conformação natural seja efetivamente considerado uma hidrovia. Na região amazônica, as hidrovias recebem intervenção humana para melhorar sua navegabilidade?

 

Precariedade do transporte rodoviário: hegemonia da água. Foto: Antônio Ribeiro
Precariedade do transporte rodoviário: hegemonia da água

No Brasil, é nítida a opção pelos investimentos em rodovias. Por que a navegação é tão pouco explorada em escala nacional? Será que a posição secundária decorre de fatores naturais, tais como rede hidrográfica pobre e relevo inadequado? Ou os motivos seriam de ordem econômico-social: custos altos se comparados aos da implantação das rodovias, baixa velocidade etc.?

Os rios da Amazônia são tidos como naturalmente navegáveis. O que isso quer dizer? Quais são as condições naturais que viabilizam a navegação como meio básico para os deslocamentos regionais? Por exemplo: que dificuldades ou facilidades o relevo amazônico apresenta para essa atividade? E as condições climáticas? Quais os obstáculos para navegar naquelas condições? E os perigos?

Procissão do Círio, em Belém: religiosidade fluvial e marítima. Foto: João Ramid
Procissão do Círio, em Belém: religiosidade fluvial e marítima

Com o prestígio crescente das teses e dos ideais ambientalistas, a Amazônia "entrou de novo no mapa do Brasil" como uma área de matas e riquezas naturais a ser preservadas. Na esteira dessa nova representação, surge uma referência à gente da Amazônia como os "povos da floresta". Isso faz sentido? A maioria da população local já não vive nas grandes cidades? E os demais, ocupam as matas ou as zonas ribeirinhas? O que são essas zonas senão áreas articuladas às cidades pela rede de hidrovias? Não é verdade que desde as residências de Manaus ou Belém até o casebre mais remoto estão todos associados a esses caminhos fluviais? É justo falar em isolamento geográfico dos ribeirinhos? Para eles, o rio, além de ligação com o mundo, é também fonte de alimento e água e está intrinsecamente ligado às relações sociais e à organização do modo de vida. Isso tudo não faz soar equivocada a expressão "povos da floresta"?

Redes: leito para os usuários das gaiolas e vaticanos da Amazônia. Foto: Pedro Martinelli
Redes: leito para os usuários das gaiolas e vaticanos da Amazônia

O uso da rede hidroviária e as atividades associadas a ela, como a construção de embarcações, parecem ocorrer por iniciativa exclusiva da população local. O poder público nada mais tem feito do que tentar fiscalizar e cuidar das condições de segurança desse sistema de navegação. E cumpre essa função precariamente, permitindo que as embarcações circulem superlotadas. Por que isso acontece? Por que não é viável economicamente que elas naveguem com a lotação correta, dentro das normas de segurança? Quais notícias temos de ações importantes dos governos estaduais (ou do federal) no sentido de tornar as viagens de barco na Amazônia menos perigosas e mais confortáveis para a população?

Para saber mais 
Examine com a classe as condições de transporte fluvial no Brasil. O país tem 28.000 quilômetros de rios navegáveis, mas apenas 1,2% da produção econômica passa por eles. Os Estados Unidos dispõem de uma malha hidroviária de 4.000 quilômetros, por onde escoam 33% da produção. Neste início de século, estão em andamento quatro grandes projetos de hidrovias no Brasil: Araguaia-Tocantins; Teles Pires-Tapajós; Paraguai-Paraná; Tietê-Paraná. Todas são contestadas pelos movimentos ecológicos, que as consideram predatórias. Por outro lado, seus defensores dizem que as vias aquáticas são a infra-estrutura de transporte menos agressiva, poluente e perigosa e a mais fácil de ser operada, além de mais barata. Instalar 1 quilômetro de ferrovia custa 1,4 milhão de reais; de rodovia asfaltada, 300.000 reais; e de hidrovia, 30.000 reais. Divida a turma em dois grupos e proponha que pesquisem como vêm sendo construídas as hidrovias já citadas, reunindo argumentos a favor e contra sua implantação.

 

Créditos:
Jaime Tadeu Oliva
Formação:
Geógrafo e autor de livros didáticos
Autor Nova Escola

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