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A construção do romance histórico

Publicado por 
novaescola
Conteúdo(s) 

Bloco de Conteúdo
Literatura

Conteúdo

Prosa, gêneros narrativos

Objetivos
Identificar características do gênero romance histórico

Conteúdos
Literatura, romance histórico

Tempo estimado
Três aulas

Introdução
A entrevista com o romancista americano James Ellroy (O presente não me interessa), publicada em VEJA, menciona as circunstâncias pouco usuais em que o autor cria suas obras: dentro de uma casa com as janelas fechadas, sem ver televisão, ler jornais ou usar a internet; num esforço para transportar-se à Los Angeles de meados do século 20 - o pano de fundo de suas tramas. Foi desse modo que ele escreveu o livro que considera sua obra-prima: Sangue Errante, que, segundo ele, "retrata bem toda uma época da história americana". Apesar de ser considerado pela crítica um autor de romances policiais, o livro retratado na reportagem de Veja pode ser classificado como um romance histórico. Isso porque, na obra, o autor faz uma reconstrução da Los Angeles do século 20, ou seja, reconstitui no texto os valores e os costumes da sociedade que retrata. Esses elementos são essenciais para o desenrolar da trama, bem como para seu entendimento. Use o texto e a entrevista como bases para examinar na sala de aula o estilo de Ellroy e o gênero literário por ele escolhido.

Desenvolvimento

1ª aula
Por meio de uma aula expositiva, ensine à turma que o romance histórico surgiu no século 19, com o escocês Walter Scott, autor das obras Waverley (1814) e Ivanhoé (1819). Em pouco tempo, o gênero ganhou adeptos em vários países do mundo. Um deles foi o francês Honoré de Balzac, que escreveu Os Chouans (1829); outro, o russo Leo Tolstoy, autor do monumental Guerra e Paz, publicado entre 1865 e 1869. Aponte os laços entre esse gênero e o chamado romance "de capa e espada", que tem como principal representante o livro Os Três Mosqueteiros. Indague sobre as eventuais diferenças entre um e outro gênero. Faça com que a turma perceba que, no segundo caso, a ação é mais importante do que a reconstituição histórica e que, por isso, não necessita ser tão exata.
Na entrevista concedida à revista Veja, Ellroy informa que os documentos históricos que servem de base a seus livros permitem-lhe construir uma versão única da história americana - a dele - tornada mais interessante por personagens de ficção. Será que esse procedimento é exclusivo do autor, ou mesmo dos romancistas em geral? Coloque em debate com a turma essa questão. Leve os estudantes a notar que os pintores e cronistas que registram determinado episódio histórico agem de maneira semelhante, construindo imagens baseadas em seu olhar, bagagem cultural, origem social e ideias. Em certa medida, os historiadores fazem a mesma coisa, escolhendo um tema ou privilegiando esse ou aquele aspecto de determinado episódio. Ou seja, o trabalho com os fatos históricos tem sempre uma dimensão de subjetividade: seja no romance, seja na iconografia ou na historiografia, a história é sempre pintada com as cores de um autor ou de uma época.

2ª aula
Solicite que os alunos façam uma pesquisa sobre a trajetória do romance histórico no Brasil. Os jovens vão verificar que o gênero conquistou adeptos no país no século 19, com obras como As Minas de Prata (1862), de José de Alencar. Depois de um longo período de obscuridade - durante o qual floresceram gêneros como o romance regionalista - foi retomado em 1975, com Galvez, Imperador do Acre, do amazonense Márcio Souza. Desde então, as obras se multiplicaram, com livros como Agosto (1990), de Rubem Fonseca - sobre os últimos meses de Getúlio Vargas, em 1954 -, e a produção de Ana Miranda. Nela se destacam Boca do Inferno (1989), que tem como protagonista o poeta baiano Gregório de Matos, e Desmundo (1996), sobre as órfãs portuguesas que, no século 16, vinham para o Brasil em busca de casamento. Sugira a leitura de algum desses livros ou de resenhas sobre eles, para a retomada do tema na aula seguinte.
Conte que entre 1949 e 1962 o gaúcho Erico Veríssimo publicou a trilogia O Tempo e o Vento, que apresenta 200 anos da história do Rio Grande do Sul (de 1745 a 1945). Encarregue a classe de reunir elementos sobre a trilogia que permitam aos alunos identificar por que a obra não costuma ser classificada como um romance histórico.

3ª aula
Promova a discussão dos livros citados e, em especial, de O Tempo e o Vento. Os dados levantados vão evidenciar que essa obra está situada na intersecção entre o romance histórico, o regionalista e o chamado romance neorrealista. Em outras palavras, a trama histórica é importante, mas aspectos como a paisagem, as relações socioculturais entre os habitantes e conflitos psicológicos desempenham um papel igualmente fundamental.

Avaliação
Com as atividades, verifique se a turma percebeu que toda produção cultural tem um elemento subjetivo e que as fronteiras entre os gêneros literários - entre o romance histórico e o regionalista, ou entre o romance histórico e o de "capa e espada", por exemplo - estão longe de ser bem definidas.

Créditos:
Carlos Eduardo Matos
Cargo:
Consultoria
Formação:
jornalista e editor de livros didáticos e paradidáticos.
Autor Nova Escola

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