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Consequências da baixa taxa de crescimento populacional do Brasil

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Examinar as conseqüências familiares e sociais da baixa taxa de crescimento populacional no Brasil

Ano(s) 
Material necessário 

Reportagem da Veja:

Desenvolvimento 
1ª etapa 
Introdução

O Brasil do filho único parece ter chegado para ficar. É o que sugere a reportagem, apoiada em dados do Censo 2000. O estudo revela que persiste por aqui a tendência de queda nas taxas de fecundidade - número médio de filhos que uma mulher tem ao longo de sua vida fértil - e aponta a relação entre renda familiar e o tamanho da prole. As famílias mais abastadas, por exemplo, têm apresentado taxas similares às européias, com média de 1,1 filho por casal. Mas, afinal, o país ganha ou perde com isso? Será que a família dos alunos espelha tal fenômeno? Convide a turma a entender essa transição demográfica e fazer projeções para o futuro. Para começar, providencie cópias da tabela abaixo e distribua entre os alunos.

Oriente a leitura de VEJA e chame a atenção para as estatísticas que a revista divulga. Ressalte que, apesar de o Brasil ter registrado crescimento populacional nas últimas cinco décadas, as taxas de fecundidade sofreram decréscimo no mesmo período. Destaque também que nesse meio século houve uma mudança significativa na distribuição espacial da população. Em 1940, apenas 26% dos brasileiros residiam em núcleos urbanos. O montante subiu para quase 70% na década de 1980 e hoje representa 81,2% do total. Lembre que essa transferência geográfica ocorreu de forma desigual de uma região para outra. Dê um exemplo: enquanto a urbanização tornou-se acelerada no Sudeste logo após a II Guerra, em Estados como o Maranhão o processo ganhou fôlego apenas nos anos 1990. Mostre que, associada a fatores como renda, ocupação profissional e maior participação da mulher no mercado de trabalho, a urbanização nos ajuda a compreender por que cada vez mais casais planejam ter apenas um filho. Em geral, a vida na cidade implica despesas salgadas para quem se dispõe a criar os herdeiros. Essas cifras envolvem educação e saúde das crianças, além de transporte, lazer, entretenimento e novos padrões de consumo de bens e serviços. Na vida rural tradicional, além de os custos de reprodução social serem relativamente mais baixos, famílias numerosas significam mais braços para o trabalho árduo na roça.

Pergunte se o modelo familiar reduzido traz benefícios. Isso permite melhorar as condições de vida da população? Ressalte a impossibilidade de examinar tais premissas apenas com raciocínios imediatistas. Se de um lado hoje sobra dinheiro para os casais com filho único, a longo prazo pode ser mais difícil cobrir os custos da seguridade social, já que teremos menos trabalhadores na ativa. Menores taxas de natalidade tendem também a deprimir inúmeras atividades econômicas, tais como serviços ligados à educação. Na outra ponta da pirâmide populacional, o aumento da parcela de idosos exige que o país se prepare para atender esse contingente. Ajude a turma a refletir sobre as questões expostas.
 

Para saber mais

A transição demográfica
Durante o século XX, o Brasil teve sua população aumentada em quase dez vezes. De 17,4 milhões de pessoas em 1900, atingiu em 1999 a cifra de 163 milhões e chegou a cerca de 175 milhões em 2003. Esse crescimento não ocorreu, porém, em ritmo uniforme (...). Desde 1940 a evolução demográfica brasileira vem sendo marcada por transições nos níveis de mortalidade e fecundidade, uma vez que as migrações internacionais deixaram de ter influência e a saída de brasileiros para o exterior só se tornou importante a partir de meados da década de 1980. A mortalidade declinou no período, enquanto a fecundidade começou a cair após os anos 1960. Entre 1980 e 1996, seu papel continuou decisivo na diminuição do crescimento populacional. Ao longo do século XX, as mulheres reduziram a sua prole, em média, em 5,5 filhos. Enquanto isso, houve um ganho de 35 anos na expectativa de vida dos brasileiros.

Fonte: Evolução Demográfica, de Elza Berquó, em Brasil: Um Século de Transformações, Ignacy Sachs, Jorge Wilheim e Paulo Sérgio Pinheiro (orgs.), Cia das Letras, tel. 0800-142829

 

2ª etapa 
Promova uma análise da tabela abaixo. Peça que os adolescentes comparem os números relativos a cada região e comentem os contrastes apontados pelo levantamento do IBGE. Como explicar a elevada incidência de mães solteiras que moram com seus filhos na Região Norte (20,5% do universo pesquisado), enquanto no Sul esse porcentual despenca? Proponha a realização de uma enquete sobre fecundidade na família dos estudantes ao longo das últimas gerações. Sugira que todos pesquisem o número de filhos de seus bisavós e avós paternos e maternos. E quantos irmãos cada aluno tem? Completam a amostragem informações sobre profissão, ocupação, faixa de renda, lugar de residência (zona rural ou urbana) etc. Uma vez reunidos e tabulados, os resultados devem subsidiar uma discussão ampla. As considerações finais podem ser apresentadas em forma de seminário - com a turma dividida em grupos - ou por meio de dissertações individuais sobre o tema.

 

Tipos de família e sua distribuição nas grandes regiões brasileiras

Regiões

Família

Unipessoal

Casal sem filhos

Casal com filhos

Mulheres sem cônjuge e com filhos

Outros tipos

Total

Norte

7,2%

10,9%

55,2%

20,5%

6,3%

2.563.448

Nordeste

8,1%

12,2%

54,3%

19,5%

6%

13.345.469

Sudeste

9,7%

14,1%

52,3%

17,8%

6,1%

22.781.877

Sul

10%

16,4%

54,1%

14,6%

4,9%

8.030.721

Centro-oeste

9,5%

13,9%

53,1%

17,3%

6,2%

3.165.134

Brasil

9,2%

13,8%

53,3%

17,8%

5,9%

50.410.713

Fonte: Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios 2001; IBGE 2002

 

3ª etapa 

Matemática - Investigações aritméticas

O quadro "O Preço do Filho Único" (pág. 95 de VEJA) permite estabelecer algumas relações interessantes. O custo de 1 milhão de reais para uma família de classe alta criar um filho parece elevado - é mais que o triplo do valor desembolsado por uma família de classe média. No entanto, bastam algumas operações aritméticas para perceber que tais despesas não guardam uma proporção direta com a renda familiar.
Peça que os alunos comparem as relações entre despesas de um extrato social para o outro - 1,8 entre a média alta e a média e 1,7 entre a alta e a média alta. Esses valores não equivalem à razão entre os ganhos de cada família. Estipule rendas mensais arbitrárias (por exemplo, 60.000 reais para uma família de classe média; 180.000 para a média alta e 300.000 para a alta) e discuta por que a relação entre receita familiar e despesa por filho não é mantida de um extrato social para o outro. As conclusões devem citar o acúmulo de capital, que varia bastante entre as classes.

 

Veja também:

Internet
O site www.ibge.gov.br fornece outros dados estatísticos sobre a população brasileira

Créditos:
Roberto Giansanti
Formação:
Geógrafo e autor de livros didáticos
Autor Nova Escola

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