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Condições limites para a existência de vida

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 
  • Discutir sobre as necessidades vitais das diferentes espécies e as fontes de energia para a manutenção e a continuidade da vida.
Ano(s) 
Material necessário 

Reportagem da Veja:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução
A descoberta de mais de 10.000 novos tipos de microrganismos, vários deles habitando ambientes extremamente hostis como vulcões submarinos e lagoas de soda cáustica, rompe os limites mínimos até então adotados pela Ciência para a existência da vida. As pesquisas que vem se estendendo desde 1987, já permitiram a catalogação de várias bactérias, fungos e alguns protozoários. Mas não é a primeira vez que essas criaturinhas surpreendem. Já se sabia que bactérias do grupo Pseudomonas, por exemplo, são capazes de reviver após permanecerem em vida latente dentro de cristais de depósitos salinos durante 320 milhões de anos.

As informações divulgadas por VEJA permitem a discussão em sala de aula sobre as necessidades vitais das diferentes espécies. Para contextualizar a atividade, o professor pode propor diversas atividades de laboratório, usando as técnicas de conservação de alimentos para a eliminação de bactérias. Processos que retiram a água líquida (para a produção de carne seca e leite em pó), que mantém sob baixas temperaturas (congelamento) e que esterilizam pelo calor intenso (ultrapasteurização) inibem o desenvolvimento dos micróbios que deterioram a comida.

Para enriquecer o debate, proponha uma pesquisa - com base em livros e vídeos de Biologia - para que os alunos procurem responder às seguintes questões: todos os seres vivos dependem do oxigênio para a produção da energia necessária à sobrevivência? Como ocorre o fluxo de energia nos seres vivos? A busca das respostas trará elementos para que o tema seja aprofundado em pelo menos três aspectos: os limites de sobrevivência de algumas espécies são bem maiores do que se pensava até hoje; os processos evolutivos permitem a adaptação a locais absolutamente inóspitos; e o conhecimento científico (no caso, da Biologia), em constante construção, é ampliado a cada nova descoberta.

Outras áreas, como a Química Orgânica e a Bioquímica, são diretamente atingidas pelo anúncio das novas formas de vida. Esses microrganismos são um excelente material para se estudar processos alternativos de transformação de compostos como ferro, manganês, metano e até a formação de petróleo.

A receita da vida
Até hoje, acreditava-se na combinação de alguns elementos para a ocorrência e a manutenção da vida. Entre eles:

Presença de água líquida
Os processos metabólicos dos seres vivos aconteceriam apenas em meio líquido; a água é solvente e, muitas vezes, reagente desses processos.

Limites de temperatura
O calor muito forte modificaria as proteínas, impedindo o funcionamento das enzimas que controlam os processos metabólicos. Da mesma forma, as reações enzimáticas praticamente não ocorreriam em temperaturas baixas demais.

Energia
Poderia vir somente de compostos orgânicos (no caso dos seres heterótrofos, como nós, que não produzem seu próprio alimento), da luz (vale para os autótrofos fotossintetizantes, que transformam compostos inorgânicos em orgânicos) ou das transformações de substâncias químicas (para os autótrofos quimiossintetizantes como as nitrobactérias, que sintetizam nitritos em nitratos). Outra noção que pode cair por terra é a de que os ecossistemas se sustentam graças à ação dos fotossintetizantes. A reportagem de VEJA admite que 50% da biomassa do planeta seriam mantidos por microrganismos independentes da luz.

Os mais antigos fósseis conhecidos, com cerca de 3,5 bilhões de anos, são de bactérias. Seu estudo fascina porque eles crescem e se reproduzem com rapidez, e se adaptam a quase todos os ambientes.

Bactérias podem agir contra ou a favor do homem. Algumas causam doenças, como a cólera, a tuberculose e a gonorréia. Outras vivem em simbiose nos intestinos do homem e de muitos animais, ou nas raízes das plantas convertendo nitrogênio em substâncias úteis. A indústria também usa bactérias na produção de ácidos, derivados do leite, álcoois e bebidas fermentadas. Há bactérias que combatem a poluição das águas e as do gênero Streptomyces produzem antibióticos.

A Ciência se ocupa das bactérias há quase 120 anos. Pasteur e Koch foram pioneiros na área.

A resistência à morte e o tipo de reprodução ajudam a explicar a perpetuação das espécies de bactérias. Por dessecamento (desidratação) e por encistamento (concentração do citoplasma, reforço dos envoltórios e alijamento dos flagelos, propiciando o estado de vida latente), elas driblam a morte. Por bipartição (divisão assexuada de um ser em dois), por conjugação ou transdução (trasferências sexuadas de ADN), elas se multiplicam. Quanto à respiração, as bactérias dividem-se em aeróbicas, anaeróbicas estritas e anaeróbicas facultativas. As primeiras só se desenvolvem na presença de oxigênio livre; as segundas dependem da ausência do oxigênio livre; e as últimas vivem com ou sem oxigênio livre.

 

Veja também:

Bibliografia
A biosfera: textos do Scientific American
, Edusp/Ed. Polígono, fone (11) 3091-2911
Biologia das células, vol. 1, J.M. Amabis e G. Martho - Ed. Moderna, fone (11) 2790-1500

 

Créditos:
José Trivelato Júnior
Formação:
Doutorando em Didática na área do Ensino de Ciências (Biologia) da Faculdade de Educação da USP
Autor Nova Escola

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