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Compreenda como se dá a formação de imagens em movimento

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Compreender como se dá a formação de imagens em movimento no cinema, na televisão e em outros processos semelhantes

Ano(s) 
Material necessário 

Reportagem da Veja:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

Responda depressa: quando galopa, o cavalo está sempre com alguma pata no chão ou as quatro ficam no ar simultaneamente? Foi essa dúvida que, no século XVIII, gerou uma aposta e acabou consagrando o fotógrafo norte-americano Edward Muybridge como pioneiro do cinema. Para tal proeza, ele alinhou doze câmaras fotográficas a fim de obter tomadas seguidas do animal em movimento. As imagens congeladas que registrou foram um passo gigantesco para chegar ao processo inverso, ou seja, à impressão de locomoção. Baseando-se praticamente na mesma técnica, os videogames atuais conseguem o máximo de realismo na reprodução dos mais sutis movimentos humanos. Mostre à classe como esse processo se desenvolve em nosso cérebro e deixe para contar o resultado da aposta no final da aula.

 

Reveja com a turma como os seres humanos e a maioria dos animais percebem as imagens. Quando a luz proveniente de um objeto atinge a retina, ela impressiona de forma diferencial os cones (neurônios ali presentes) R, sensíveis ao vermelho, G, ao verde amarelado e B, ao azul violeta. Esse processo heterogêneo é responsável pela concepção subjetiva da cor. Quando os cones são igualmente impressionados, temos a percepção do branco. Na ausência de sensibilização, surge a sensação do preto. Os contrastes são percebidos graças a outro tipo de neurônio existente na retina, os bastonetes.

Animação na prática

Modelo para completar
As ilustrações abaixo compõem as cenas inicial, intermediárias e final de uma seqüência de 32 quadros. Sugira que os estudantes criem as figuras que faltam. Para tanto, eles podem usar papel vegetal, incluindo em cada imagem uma pequena mudança em relação à anterior. Depois, basta xerocar tudo e montar o bloquinho.

 

Comece demonstrando como ocorre a persistência da informação na retina. Peça que os alunos observem um quadrado branco com bola preta como o do quadro abaixo durante cerca de 30 segundos, mantendo-o 15 centímetros à frente do nariz. Em seguida, eles devem fixar rapidamente o olhar no quadro preto ao lado. Por um instante, enxergarão a imagem da bola em negativo - branca sobre fundo negro.

Agora explique o fenômeno. Os cones e bastonetes que recebiam luz da área branca do primeiro quadrado estão superexcitados e, por isso, pouco sensíveis à luz. Os que estavam na região escura excitam-se normalmente pela luz do ambiente. Assim, por cerca de um décimo de segundo, o cérebro recebe a informação de uma região sensível (círculo que era escuro e fica claro) envolvida por uma área pouco sensível (que era clara e fica escura). Isso é interpretado como imagem em negativo do primeiro quadrado.

O fenômeno de persistência retiniana explica a sensação de movimento obtida no cinema pela exposição em seqüência de imagens paradas. Ensine isso à classe. Organize equipes de cinco ou seis estudantes e peça que recortem uma folha de papel sulfite, formato A4 ou ofício, em 32 partes iguais. Cada ficha assim formada deve ter aproximadamente 5 centímetros de altura por 4 de largura. Os alunos devem numerar cada pedaço de papel, de 1 a 32, na parte inferior esquerda e deixar a direita livre, como no quadro à esquerda.

Nesses retângulos, a garotada desenhará figuras que, em seqüência, representem sucessivos momentos de um evento com duração total de 1 ou 2 segundos. Eles podem fazer desenhos bem esquemáticos, apenas com linhas retas, quadrados, triângulos e círculos ou copiar as figuras à esquerda (que trazem apenas quatro dos 32 movimentos) e produzir as imagens restantes. Na seqüência apresentada, dois motoristas (um com cinto de segurança e o outro sem), enfrentam uma batida frontal do veículo que dirigem contra um obstáculo fixo e rígido.
Depois de desenhar todas as cenas, eles devem grampear ou colar as fichas umas às outras pela margem esquerda, de modo que o conjunto forme um pequeno bloco. Para conferir o resultado, basta segurá-lo com a mão esquerda e folheá-lo rapidamente com o polegar e o indicador direitos. O que se vê é a imagem em movimento - ilusão obtida pela observação da rápida sucessão dos quadros.

Por fim, revele o resultado da aposta citada no início deste texto: o cavalo fica, sim, com as quatro patas no ar.

 

Ilusão de ótica

Persistência retiniana
Os cones são células nervosas especializadas. Após receber um certo estímulo luminoso, disparam um processo celular eletroquímico que transmite a informação a outros neurônios, de onde ela segue para o cérebro. Durante um curto período, um cone que tenha iniciado esse processo não se sensibiliza imediatamente.

É como se estivesse em processo de "recarga", preparando-se para receber mais dados. Nesse momento, a informação transmitida ao cérebro permanece a mesma, o que explica a persistência
da imagem retiniana, como neste exemplo. Peça
que os estudantes mantenham o olhar fixo sobre
a bola preta do quadrado à direita. Os cones e bastonetes impressionados pela cor branca ficam excitados ao máximo; os demais se mantêm sensíveis à luz ambiente. Depois de 30 segundos, eles devem olhar para o quadrado preto ou fechar os olhos. A bola vai aparecer em negativo. A imagem persiste no cérebro por cerca de um décimo de segundo.

 

 

Créditos:
Renato da Silva Oliveira
Formação:
Professor de Física e Coordenador do Planetário Móvel AsterDomus, de São Paulo
Autor Nova Escola

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