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Como funciona o mercado de arte

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

- Conhecer as relações entre Arte e mercado em diferentes momentos da História da Arte.
- Entender os valores estéticos e subjetivos das obras de Arte.

Conteúdo(s) 

- Mercado de Arte.
- Financiamento da Arte ao longo da História.
- História da Arte.

Ano(s) 
Tempo estimado 
Seis aulas.
Material necessário 

- Cópias da matéria "O mercado virou curador" (BRAVO! Ed. 177, maio de 2012) para todos os alunos.
- Computadores com acesso à internet.
- Documentário "Cildo", de Gustavo Rosa De Moura (2008).

Revista BRAVO! - Ed. 177 Plano de aula relacionado à edição 177 de BRAVO!

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução
A reportagem "O mercado virou curador" apresenta a Feira Internacional de Arte de São Paulo, a SP-Arte, como um marco transformador da cena artística no país e uma grande exposição de arte moderna e contemporânea. A revista mostra ainda um pouco dos bastidores do evento, as negociações, a logística e os investimentos envolvidos. Este é um bom ponto de partida para mostrar a importância deste empreendimento, estudar o mercado de arte e entender como o valor das obras é determinado.

Inicie dizendo aos alunos que nas próximas aulas eles vão estudar o mercado de obras de arte. Questione como acham que o preço de um quadro, de uma escultura ou de qualquer outra obra artística, é determinado. Fique atento para o que já conhecem e para os equívocos mais comuns. Ao longo da exposição, deixe espaço para que tirem dúvidas e façam comentários.

Explique o sistema de circulação de obras na história e as mudanças na autonomia do artista, conforme a figura que financiava seu trabalho. Diga que o mercado de arte pode ser considerado tão remoto quanto à própria Arte. Antes do estabelecimento da concepção liberal de mercado, guiado pelas leis da oferta e da procura, homens livres já trocavam seus produtos ou mercadorias na esfera pública. Com isso, o artista já recebia e tinha um público para seu trabalho.

Diga que, por muito tempo, a produção de obras esteve ligada a instituições importantes. Na Grécia, a Cidade-Estado monopolizava a demanda de obras. Durante o Império Romano, tanto a corte quanto particulares financiavam a produção artística. A Igreja Católica dominou quase totalmente as encomendas na Idade Média e até o século 17 permaneceu como um dos mais importantes financiadores.

Na última metade da Idade Média, muitos membros ricos da burguesia, a nova classe ascendente, demonstravam prestígio e poder pagando a produção de músicos, pintores, arquitetos, escultores e escritores em uma prática conhecida como mecenato. A atividade era impulsionada pelo desenvolvimento das cidades, quando muitos edifícios precisavam ser projetados e decorados para a camada social que crescia. O pleno desenvolvimento desta situação ocorreu no Renascimento, quando o mercado de arte se ampliou. Os lares de quem tinha mais dinheiro, assim como os castelos da nobreza - que nesta época mantinha seu prestígio com base no nome e na linhagem, não necessariamente na riqueza material - começaram a ser decorados com pinturas e esculturas. Aqui começa a se delinear outra figura importante: o connoisseur, ou colecionador. Diferentemente de quem encomenda, ele escolhe comprar o que lhe é oferecido. Com isso, a autonomia na produção do artista muda e ele  passa a trabalhar conforme sua clientela.

No período Barraco, ao lado do mecenato eclesiástico, muito presente na Itália, a monarquia absolutista na França tornou-se promotora e consumidora de obras, inaugurando um modelo de produção via Estado que até então não existia. A fundação da Academia Real de Belas Artes, no século 17, marca a iniciativa do governo de se tornar intermediário das relações entre público e artista. A instituição tornou-se responsável por garantir o aprendizado, a circulação das obras e principalmente, a hegemonia dos estilos.
Para continuar explicando a circulação das obras, diga que na Holanda protestante surgiu o comércio de Arte de modo semelhante ao que temos hoje. Lá, a burguesia estava no centro do poder e investia em artigos de mobiliário e decoração, sobretudo quadros. Mesmo quem não tinha dinheiro para comprar participava do comércio, pois os artistas vendiam seus trabalhos em feiras, através dos merchands. Neste momento, a História da Arte ocidental vislumbra uma crise por causa do excedente de artistas e da superprodução. O "boom" deste mercado, que não era regulamentado por intermediários como o Estado, leva a uma situação de concorrência que atinge talentos importantes do período. Observa-se que para um artista ser bem sucedido vários fatores são levados em conta: a qualidade das obras, a mera especulação do mercado e as mudanças no gosto de quem compra.

Um bom exemplo é Rembrandt (1606 - 1669), que passou pelas consequências desta nova ordem no século 18. A relação conflituosa entre o artista e o mercado alcançou um novo patamar no século seguinte, quando o capitalismo virou o sistema econômico dominante e a burguesia tomou o poder em vários lugares do mundo. Fica mais claro aí que o valor artístico de uma obra e o seu valor de mercado não são a mesma coisa. Os pintores impressionistas, por exemplo, foram negligenciados por seus contemporâneos e durante todo o século 20 foram alvo de especulações no mercado.

Hoje o artista é um profissional livre, mas que produz uma mercadoria e precisa, como os demais, sobreviver. A estrutura de compra e venda de obras foi incrementada com instâncias que mediam e orientam o comprador. Atualmente, galerias, revistas especializadas, a crítica de arte, os curadores e os museus são elementos que atuam entre público e artista. O mercado de arte, apesar de suas especificidades, está ligado à economia como um todo. Na prática, isso significa que há momentos vulneráveis, como em outros setores. Apesar disso, ele se mantêm como fundamental para a circulação de obras ao redor do mundo.
Apresente algumas obras aos alunos e oriente-os a perceber qual o valor que tinha na época de sua produção e hoje:

VermeereCaravaggio

Comece pela imagem da esquerda,  A incredulidade de São Tomé, de Caravaggio (1601/1602) . Comente a prevalência dos temas religiosos, devido à situação política, frente à Reforma Protestante. Cite que o Naturalismo afasta o tema da espiritualidade, apresentando uma verdade carnal. Apóstolos, historicamente representados como santos, aqui se assemelham a homens comuns. Segundo o pintor, eram trabalhadores, assim como seus modelos. Podemos afirmar que esta autonomia em sua representação afastou suas obras do mercado. Caravaggio teve obras recusadas, foi perseguido por grupos de artistas e religiosos, mas também teve defensores em ambos os campos e hoje é uma referência na pintura.

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Em contrapartida, projete Mulher de azul lendo uma carta (1662-1664) de Vermeer. O artista trabalhava por encomendas particulares nos Países Baixos, onde o protestantismo era a religião vigente. Nesta imagem vemos uma mulher lendo, indício da sociedade letrada anunciada pela Reforma.Conte aos alunos que o Impressionismo não estava ligado a nenhuma ideologia ou política. O interesse comum era a própria pintura. Os artistas queriam fazer algo completamente diferente da pintura acadêmica. Havia singularidades em suas técnicas. Em 1874, o grupo fez sua primeira exposição, o "O Salão dos independentes", historicamente conhecido como "Salão dos Recusados". O desenvolvimento da fotografia e a pesquisa ótica tornavam o ambiente favorável às inovações do grupo, por outro lado despertou o interesse da burguesia, acostumada a técnicas de representação mais naturalistas, que não aprovou o trabalho do grupo, e, em busca de retratos, recorria aos fotógrafos.

2ª etapa 

Museus, centros culturais, patrimônio e constituição de acervo são aspectos indispensáveis para se pensar as feiras de arte. Neste momento, sugiro a leitura integral da matéria de Bravo!, "O mercado virou curador". O texto cita exemplos de negociações que se tornam grandes aquisições para colecionadores. No laboratório de informática, os alunos poderão explorar o site do Museu de Arte de São Paulo, o MASP , e descobrir que muitas obras do acervo são doações de colecionadores e que o museu mantém intercâmbio com grandes instituições internacionais, como a National Gallery, de Londres.
Aproveite para apresentar o Google Art Project. Explore as galerias junto com os alunos, observe a origem das obras e mostre as possibilidades de circulação delas, a partir de sua aquisição.

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3ª etapa 

Comece explicando que há variações nos critérios de avaliação das obras produzidas em momentos históricos diferentes. Algumas técnicas podem estar diretamente associadas à sua época, dadas as condições sociais ou tecnológicas.Muitas vezes os alunos querem saber a relação entre o nome do artista e o valor de suas obras. Apresente Cézanne, suas relações com o Cubismo e com o Grupo dos impressionistas. Mostre também as particularidades de sua pesquisa e sua influência sobre outros artistas e explique porque é tão conceituado. Recentemente, uma aquarela dos estudos que precederam sua série "Os jogadores de cartas" (1980-02), foi vendida por 19,12 milhões de dólares, sendo considerada uma das obras de arte mais caras da história dos leilões.

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Muitos processos da arte contemporânea demandam equipe, logística e até mesmo matéria prima de alto valor, enquanto outros parecem ser inegociáveis. Projete imagens de trabalho dos artistas Christo e sua já finada companheira Jeanne-Claude e evidencie o uso da arte como empreendimento. A dupla tinha a colaboração de voluntários e sem patrocínios ou investimento público, capitalizavam recursos vendendo esboços dos projetos.

Por fim, apresente o documentário Cildo, de Gustavo Rosa de Moura, Brasil, 2008. O filme aborda a trajetória do artista Cildo Meireles, mostra valores subjetivos de sua obra e o reconhecimento internacional de seu trabalho. Se o tempo for insuficiente, escolha trechos do filme que está disponível na internet,  como a exposição na Tate Modern e permita pausas para comentários dos alunos.

4ª etapa 

Realize um debate com a classe para que juntos estabeleçam critérios para a avaliação de obras de arte. Divida a classe em grupos e criem um sistema de classificação, que pode ser feito por estrelas. Cada grupo deve escolher uma obra de arte e pesquisá-la para avaliação, considerando, a importância do artista, o caráter subjetivo, a importância histórica e a técnica. Para ajudar a turma, releia parte da matéria de Bravo! que trata da forma como as galerias expõem e atraem interesse para suas obras.

5ª etapa 

Os grupos deverão trazer suas pesquisas, que serão avaliadas em seu conteúdo. Para a apresentação da defesa do valor das obras escolhidas, monte um pequeno stand em sala de aula. Cada grupo, durante sua apresentação, poderá usar o stand como quiser.
É importante que o público - isto é, o resto da turma -, participe da classificação final de cada trabalho. Você pode ajudá-los a estabelecer relações entre as obras escolhidas e, juntos, chegarem a uma avaliação final de cada uma.

Avaliação 

Durante a exposição do conteúdo, deixe espaço para as dúvidas e comentários dos alunos. Observe se compreenderam que os critérios do mercado para valorar as obras de Arte mudam conforme a época e que o valor artístico é diferente do valor financeiro. Avalie estes pontos também durante a atividade de classificação das peças e note se reconheceram os valores estéticos e subjetivos das obras.

Créditos:
Jaqueline Jacques
Formação:
Professora de Arte do Colégio Marista Arquidiocesano
Autor Nova Escola

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