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Como calcular a riqueza nacional. Bruta e líquida

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Debater sobre o consumo e esclarecer os alunos sobre a noção de Produto Interno Bruto e Produto Nacional Bruto

Conteúdo(s) 

 


 

Ano(s) 
Tempo estimado 
1 Aula
Material necessário 

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Reportagem de Veja

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

Na introdução de A Riqueza das Nações, Adam Smith assinala, a propósito das desigualdades na localização e produção industrial, que elas pareciam ter sido pensadas "primeiramente por interesses e opiniões privadas de certos homens, sem ter em conta... o bem-estar geral da sociedade." Podemos de algum modo utilizar esse raciocínio para os dias atuais, mesmo tendo sido proferido no século XVIII pelo fundador da Economia Política: por que os bens e serviços ¿ riquezas sociais ¿ duram tão pouco e não estão à disposição de toda a coletividade? O que leva os japoneses a jogar no lixo computadores em perfeito estado de funcionamento?

Essas e outras questões estão presentes no Ponto de Vista de VEJA, assinado por Stephen Kanitz. O articulista destaca também a sanha consumista e predadora atual, que dispensa quesitos como durabilidade, qualidade e confiabilidade. Os mais afetados por isso, claro, são os pobres, seguidos de perto pelas próprias nações ¿ que cada vez menos incorporam as riquezas ao seu patrimônio. Chame a classe para desvendar os mistérios dessa lógica "perversa".

2ª etapa 

Para debater

Você pode começar com uma conversa sobre algumas idéias importantes apresentadas pelo articulista. Que itens compõem o Produto Interno Bruto (PIB), mencionado no texto? E o Produto Nacional Bruto (PNB)? Há diferenças entre os dois índices? Explique que o PIB e o PNB são indicadores empregados para medir o valor dos bens e serviços gerados em determinado prazo num país. A diferença básica entre ambos é que o PNB considera as rendas recebidas do exterior por indivíduos nativos (por exemplo, as remessas de emigrantes para suas famílias) e desconta as que foram apropriadas por estrangeiros. Daí o qualificativo "nacional".

O PIB, por sua vez, refere-se ao valor da produção interna do país, sem descontar rendas enviadas ao exterior e sem considerar as recebidas do estrangeiro. Conte que, no caso brasileiro, o PIB é maior do que o PNB porque aproximadamente 3% da riqueza gerada por aqui é enviada ao exterior sob a forma de lucros, dividendos e juros. Já nos Estados Unidos e em outras nações industrializadas ocorre o contrário.

A seguir, vale a pena explorar com a turma como essas riquezas são apropriadas. Quem fica com a "cereja do bolo"? Explique que, segundo a lógica do mercado capitalista, a divisão da riqueza coletiva ocorre de forma diferenciada entre os indivíduos, conforme a posição que ocupam na escala social. Essa participação depende do nível de renda individual ¿ o que, para a grande maioria, trata-se dos ganhos advindos do salário. Aqui surge um outro problema, pois os mais pobres não dispõem de recursos suficientes para adquirir seguidamente bens de consumo (supostamente) duráveis, como geladeiras, televisores ou telefones celulares. Eles são intencionalmente criados para durar menos, segundo o princípio da "obsolescência programada", enquanto as pessoas são estimuladas pela mídia a adquirir novos produtos.

Mostre à classe as duas ilustrações deste plano de aula. Qual padrão de consumo transmite uma impressão de durabilidade e solidez e qual parece mais influenciado pela publicidade? Essas imagens se harmonizam com a argumentação do artigo? Por quê?

Ressalte também que o consumo hoje é cada vez mais verticalizado. O que isso significa? No auge do período chamado fordista, nas primeiras décadas do século XX, cada trabalhador na linha de montagem era visto como um consumidor em potencial. Hoje, a lógica não é a mesma, apesar dos apelos da publicidade: o consumo verticalizado volta-se prioritariamente para as parcelas mais abastadas. É por isso que muitos resolvem aguardar a queda dos preços de alguns bens para comprá-los ¿ o que pode levar tempo. Cabe perguntar se, em tais circunstâncias, pode-se falar em dois padrões de consumo: bens duráveis, valiosos e de preço alto para as famílias de renda mais elevada e produtos baratos e facilmente deterioráveis para as camadas pobres da população.

Lance novas questões para a turma. Quais as conseqüências desse modelo? O que se perde com a oferta de mercadorias tão efêmeras? Obviamente, existe uma forte pressão sobre os recursos naturais. Veja-se o exemplo dos carros: eles têm milhares de peças, que demandam matérias-primas como metais, vidros, plásticos, borrachas e outras. Além disso, as unidades produtivas consomem energia nos processos de fabricação e dispersam os resíduos muitas vezes de modo inadequado. É por essa razão que o consumismo atual é considerado insustentável, tanto do ponto de vista social quanto ambiental.

Stephen Kanitz assinala também que a ideologia da descartabilidade parece estar atingindo os bens e serviços públicos. Isso deteriora a riqueza e o patrimônio líquido nacionais, pois edifícios, estradas, usinas de energia e outras obras voltadas ao interesse comum depreciam-se pela falta de manutenção ou de renovação. No Brasil, país cujas instituições políticas ainda estão se consolidando, isso requer vigilância e controle social redobrado. Não basta eleger representantes; é necessário participar e fiscalizar o desempenho desses mandatários na gestão dos bens públicos. Ainda mais numa rica (e injusta) nação de pobres como a nossa

 

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Avaliação 

Que tal propor aos estudantes uma pesquisa para averiguar em que medida os bens de consumo oferecidos hoje são descartáveis e pouco duráveis? Sugira que eles se organizem em pequenos grupos e investiguem os variados tipos de mercadorias, sua evolução tecnológica recente e o tempo médio de duração em boas condições. Peça que observem também diferenças entre produtos recém-lançados e os modelos anteriores disponíveis no mercado. Para concluir, vale a pena encomendar uma discussão na classe e uma dissertação individual sobre o tema, com base no que foi aprendido.

Créditos:
Roberto Giansanti
Formação:
Geógrafo e autor de livros didáticos
Autor Nova Escola

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