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Combate à poluição, consumo excessivo e desperdício de água

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Identificar medidas para combater a poluição, o consumo e o desperdício de água.

Ano(s) 
Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

Ao noticiar os estudos governamentais para cobrança da água, a reportagem de VEJA traz um prognóstico inquietante: a nossa bebida vital está escasseando. E mostra números impensáveis para muitos, como a quantidade de água necessária para a obtenção de alguns produtos da agropecuária. A leitura da reportagem com os alunos é fundamental para que eles tenham uma visão ampla da situação em que vivemos. Complemente sua aula com este roteiro. Ele será útil para fazê-los compreender os mecanismos que alteram a qualidade da água e saber que pedaço lhes cabe na redução do consumo. Você pode começar com um debate acalorado: é válido ou não cobrar a água?

Após a leitura da reportagem, discuta com os alunos a afirmação: "Poluir é um caso ecológico e contaminar é um caso de saúde pública". Para tanto, defina os conceitos de água poluída e água contaminada e mostre como a aparência do líquido não tem nada a ver com a qualidade.

a) Uma água barrenta é considerada suja. Embora produza certo desconforto, não representa, porém, um problema de saúde pública. O que de fato provoca danos e altera o ambiente são as substâncias tóxicas lançadas por esgotos industriais e os microrganismos patogênicos presentes nos esgotos domésticos. E nenhum deles é visível a olho nu. Sujeira, portanto, não define contaminação.

b) Destaque, em seguida, as dificuldades para estabelecer uma definição absoluta de poluição. Para um sanitarista, o enfoque é o da saúde da população. Já o ambientalista se preocupa com a alteração da composição ou distribuição das populações de seres aquáticos, com as margens do rio ou com a correnteza. Além disso, o padrão de qualidade da água depende também do uso a que ela se destina. Para a produção de energia, importam apenas as qualidades químicas da água que impeçam danos aos equipamentos. Para o consumo doméstico, os critérios são outros.

c) Comente as questões que levam muitos autores a diferenciar os termos poluição e contaminação. Embora as substâncias tóxicas das indústrias e os agrotóxicos possam causar a morte dos peixes, o principal fator de mortandade é o excesso de alimento, na forma de matéria orgânica, lançado na água. Trata-se, portanto, de um problema ecológico. Assim, notamos dois fenômenos distintos. No primeiro, as substâncias lançadas à água, embora sejam apenas alimento, causam mudanças no ambiente. No segundo, a água passa a ser um veículo transportador de substâncias tóxicas ou patogênicas aos peixes ou a quem a consome. Os especialistas chamam o primeiro caso de poluição, um problema ecológico, e o segundo de contaminação, um problema de transferência de elementos nocivos pela água.

d) Mostre que o maior poluidor das águas nos grandes centros urbanos não é o esgoto industrial, mas o doméstico. Isso porque a grande quantidade de fezes lançada na água é um excesso de alimento para as bactérias decompositoras. Em conseqüência disso, elas passam a se reproduzir com grande velocidade. Ao decompor a matéria orgânica (fezes e urina, principalmente), retiram todo o oxigênio dissolvido na água, impedindo que peixes e plantas sobrevivam. Depois, entram em ação as bactérias anaeróbicas, que também decompõem a matéria orgânica. São elas as responsáveis pela produção de gases tóxicos e malcheirosos tais como o metano, a amônia e o gás sulfídrico.

2ª etapa 
Discuta com os alunos por que os esgotos domésticos devem ser tratados. Eles podem conter vírus, bactérias e ovos de parasitas provenientes das fezes humanas que, lançados diretamente no solo ou na água podem causar doenças.
3ª etapa 
Mostre como se faz a avaliação da qualidade da água. Os microorganismos mais freqüentes nesse ambiente são os coliformes fecais, que vivem em nosso sistema digestório, sem nos provocar moléstias, e são lançados na água junto com as fezes. Com o auxílio do microscópio, conta-se o número desses seres vivos presentes em determinada amostra de água. Pela contagem, estima-se a quantidade de fezes lançada.
4ª etapa 
Em geral, relacionamos o consumo de água somente às nossas necessidades. Aborde, por isso, outros usos da água, como limpeza e manutenção de áreas públicas (hospitais e parques, por exemplo). Discuta com os alunos onde eles acham que utilizam água e levante a questão do consumo público. Encaminhe os trabalhos na direção da cidadania. Use a parte da reportagem que alerta sobre o rodízio da água em São Paulo.
5ª etapa 

Outro bom tema para debate: a água tratada é um produto ou um serviço? Quem tem direito a ela?

O uso e o abuso na prática

Além das discussões, promova algumas práticas simples para que os alunos aprendam a estimar o consumo e o desperdício. Embora o uso doméstico represente apenas 8% do consumo de água no mundo, número pequeno frente aos 23% da utilização industrial ou aos 69% da agrícola, é o que permite maior economia em curto prazo e com pouco investimento.

Uma torneira pingando é um bom exemplo. Os alunos recolhem a água dispendida num frasco graduado e medem o tempo para atingir determinado volume. Podem ser feitas várias medições ao longo do dia e os resultados servirão também ao professor de Física ou Matemática para o trabalho com o cálculo e a aplicação de desvio-padrão. A partir da média obtida, peça que os alunos calculem o volume diário do desperdício.

Ilustração: Jardim

Como pesquisa em casa, os alunos podem estimar o consumo de água usada no banho e comparar com os dados do quadro ao lado. Peça que recolham num balde a água que sai do chuveiro durante 10 segundos. Após medir o volume recolhido, eles podem calcular a quantidade que usam no banho marcando o tempo que gastam embaixo do chuveiro. O mesmo pode ser feito para outras atividades, como a escovação de dentes ou a barbeação, agora de dois modos: alguns alunos deixarão a torneira aberta enquanto escovam, os outros fecharão a torneira. Peça que comparem o consumo nos dois casos. Os alunos podem aprender a verificar a existência de vazamentos na rede. Lembre-os de que um filete de 1 milímetros significa em 24 horas cerca de 1300 litros de água, o equivalente ao consumo diário de uma família. Para verificar vazamentos na rede, basta fechar o registro no cavalete e depois aproximar um copo cheio de água da borda da torneira. Se houver sucção da água, há vazamento. Em sanitários, basta jogar cinzas sobre a água. Se houver movimento é sinal de vazamento.

Veja também:

BIBLIOGRAFIA

Água: Origem, Uso e Preservação, S.M. Branco, Ed. Moderna, tel.: (11) 6090-1300
Hidrobiologia Aplicada à Engenharia Sanitária, CETESB, São Paulo

 

 

Créditos:
Marcos Engelstein
Formação:
Professor do Colégio Renascença, de São Paulo
Autor Nova Escola

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