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Cavernas brasileiras

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Entender como surgem e qual é a estrutura geológica das cavernas; conhecer a fauna e o ambiente das cavernas e saber como preservá-las

Conteúdo(s) 

Estrutura geológica, origem, fauna e ambiente das cavernas

Ano(s) 
Tempo estimado 
Três aulas
Material necessário 

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Tempo estimado 


Introdução 
O Brasil possui uma riqueza escondida em seu subsolo: trata-se de um patrimônio natural formado pelas cavidades subterrâneas - as cavernas. Para desvendá-los, VEJA traz uma reportagem sobre fotógrafos especializados em registrar os segredos dessas formações.

As imagens mostram como a dissolução da rocha cria cenários belos e únicos, que são os condutos ou galerias, e os espeleotemas - depósitos químicos de diversos formatos. Nas imagens podemos ver estalactites - formas pendentes do teto da caverna, resultantes da precipitação do bicarbonato de cálcio dissolvido e transportado pela água - e as estalagmites, formadas no chão das cavernas pelo gotejamento.

Aproveite a reportagem e este plano de aula para discutir o tema com os alunos.

Texto de apoio ao professor - cavernas

Segundo a definição da União Internacional de Espeleologia, cavernas são espaços vazios em rochas, formados naturalmente e que apresentam dimensões suficientes para dar acesso a uma pessoa. No Brasil, há registro de 5.077 cavernas conforme a Sociedade Brasileira de Espeleologia. Este número, porém, corresponde a uma parcela bem pequena (algo em torno de 10%) do que existe de fato em nosso território.

Muitos estudos e levantamentos ainda são necessários para se chegar a um número mais preciso de cavernas existentes no território brasileiro. Outra questão importante é a preservação desse patrimônio. Nesse campo, a principal discussão diz respeito a qual seria o manejo adequado de uma caverna, o que implica definir os limites impostos para os pesquisadores, para a visitação do público comum e, principalmente, as restrições para a exploração dos recursos naturais nas áreas onde se situam as cavernas. Por exemplo, a exploração de calcário, que pode levar ao desmoronamento das cavernas ou então o represamento de rios que terminam inundando-as.

Relação estrutura geológica e surgimento de cavernas 
Comece a aula pedindo que os alunos leiam a reportagem de VEJA. Em seguida, divida a turma em grupos de 5 a 6 alunos e peça que observem dois mapas disponíveis no site do IBGE:
Geologia do Brasil
-Unidades de Conservação do Brasil

Com base nos mapas, proponha que os alunos construam, no final da aula, um croqui mostrando a correlação entre as Unidades de Conservação e a geologia relacionada à existência de cavernas.

Para tanto, discuta com a turma os principais pontos apresentados no mapa. Comece enfatizando que a preservação de uma caverna depende diretamente da preservação dos ambientes nos quais ela se manifesta. As condições da vegetação - que ajudam a prevenir a erosão, por exemplo -, o relevo e suas estruturas, os recursos hídricos de uma área que tem cavernas estão diretamente relacionados à existência e à preservação deste patrimônio espeleológico.

Comente com a classe sobre algumas Unidades de Conservação que podem ser utilizadas como referência. Uma delas é o PETAR - Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira, no estado de São Paulo. Outra sugestão são as regiões de Lagoa Santa, no estado de Minas Gerais, e da Serra da Bodoquena, no Mato Grosso do Sul.

Peça que os alunos identifiquem e listem o tipo de formação geológica onde se situam as Unidades de Conservação que contem cavernas. Explique que a maioria das cavernas forma-se em um complexo de rochas sedimentares, em constante modificação, denominado carste. Portanto, haverá uma relação direta da existência de cavernas neste tipo estrutura geológica. Destaque que, para se formar uma caverna, é preciso haver, também, disponibilidade de água em algum momento do tempo geológico - isso quer dizer que mesmo que atualmente uma caverna se encontre numa área de clima seco, em algum momento no passado a região foi bastante úmida. Explique à classe que a infiltração de água dissolve lentamente essas rochas fazendo com que o processo de criação de uma caverna possa demorar de 10 mil a 10 milhões de anos.

Os alunos provavelmente verão que os principais tipos de rocha são o calcário e o dolomito. Há ainda a relação que pode ser feita entre o tipo de relevo que abrigaria as cavernas. São os relevos cársticos, que possuem feições específicas decorrentes da relação do intemperismo com as rochas calcárias.

Finalizada a discussão, passe à construção do croqui. Proponha que os grupos prendam uma folha de vegetal sobre o mapa e desenhem as informações necessárias. Em seguida, proponha que façam o mesmo com o segundo mapa, criando uma figura única com as duas informações. Lembre a turma de colocar legenda e título em seus croquis.

2ª etapa 

Relação cavernas e preservação

As cavernas ou "cavidades naturais subterrâneas" são consideradas "bens da União" pela Constituição Federal. O que isso quer dizer? Quais são os instrumentos legais que propiciam que este patrimônio nacional seja preservado?

Peça que os alunos se aprofundem no tema por meio de uma pesquisa sobre o Decreto no 6.640, de 7 de novembro de 2008, que versa sobre a proteção das cavernas brasileiras. O que foi esse decreto e qual foi a reação da sociedade civil - organizada ou não - sobre a questão?

Ao pesquisar as repercussões do Decreto, os alunos vão verificar que há um grande interesse pelas cavernas no Brasil. Discuta com a turma se existe uma divergência entre aqueles voltados à preservação do patrimônio e aqueles que consideram que a preservação significa a não utilização dos recursos minerais do país.

Para finalizar, comente que, na região do Vale do Ribeira, já houve vários conflitos associados à construção de represas que inundariam as cavernas da região. O argumento dos construtores das represas é o desenvolvimento econômico que não pode parar por conta da preservação de cavernas. Pergunte o que a turma acha de tal postura.

 
3ª etapa 

A fauna e o ambiente das cavernas

Comente com os alunos que, numa caverna, há ausência permanente de luz solar. Pergunte a eles qual o resultado dessa ausência para os habitantes naturais das cavernas.

Discuta com os alunos quais são as formas de vida que podem existir numa caverna. Ouça as respostas e apresente o quadro abaixo. Nele há a classificação dos possíveis habitantes de uma caverna.

A vida no interior das cavernas

"Em função das características das cavernas, os organismos que as habitam têm diferentes graus de especialização. Os troglóxenos do grego troglos (caverna) e xeno (externo) frequentam as cavernas, mas têm de sair para se alimentar, como morcegos, aves e alguns insetos. Esses animais são as principais fontes de matéria orgânica (suas fezes ou carcaças) para a constituição das cadeias alimentares de muitas cavernas.

Os troglófilos do gregofilo (amigo) podem completar o ciclo de vida dentro e/ou fora das cavernas, como muitos insetos e aracnídeos. Já os troglóbios de bio (vida) nascem, reproduzem-se e morrem sem sair das cavernas. Esses animais têm especializações morfológicas (como redução dos olhos e dos pigmentos), fisiológicas ou comportamentais que provavelmente evoluíram em resposta às pressões seletivas presentes em cavernas (como escassez de alimentos) e/ou à ausência de pressões típicas do meio externo (como a luz)."

(Rodrigo Lopes Ferreira e Rogério Parentoni Martins. In: Revista Ciência Hoje, vol. 29, no 173, julho de 2001, p. 23)

Peça que os alunos criem um banco de imagens coletadas na internet sobre a fauna e outras comunidades habitantes de cavernas. As imagens devem ser partilhadas por todo o grupo.

Avaliação 

A avaliação das atividades propostas deve ser feita com base na participação dos alunos nos trabalhos em grupo e nas discussões. Na primeira atividade, observe os croquis e veja se os alunos entenderam a correlação de Unidades de Conservação e geologia relacionada à existência de cavernas. A segunda atividade terá como avaliação a participação no debate realizado entre os alunos, que devem defender as diversas posições com relação à questão das cavernas e preservação. A avaliação da terceira atividade deverá ser pautada na participação do aluno no trabalho em grupo.

Quer saber mais?

Internet 
Sociedade Brasileira de Espeleologia

 

Créditos:
Fernanda Padovesi Fonseca
Formação:
professora do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP)
Autor Nova Escola

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